Pausa no Jogo.
A sala de Thomas estava mergulhada em semiescuridão, iluminada apenas pela luz fria do monitor ligado sobre a mesa. O vídeo rodava em silêncio, as imagens granulosas da câmera de segurança expostas diante deles.
Thomas pausou a gravação no exato momento em que o homem pegou a pasta.
— Está aqui. — disse, a voz grave. — Prova direta. Melissa entregou o projeto, e não há margem para dúvida. Pode ser vazado.
O silêncio na sala se prolongou.
Thiago foi o primeiro a se mover, ajeitando o paletó, a mente já trabalhando como engrenagem de guerra:
— É isso que precisamos. — disse, firme. — Precisamos expor. Se esse vídeo for divulgado, o foco da imprensa muda de imediato. A narrativa deixa de ser sobre fragilidade da MonteiroCorp… e passa a ser sobre traição, espionagem e corrupção de concorrência.
Ele olhou diretamente para Augusto, os olhos carregados de urgência.
— Augusto, podemos transformar esse escândalo em cortina de fumaça. Enquanto o mercado discute a queda da rival, você se reposiciona como vítima de um golpe e ganha tempo para reerguer o império.
Augusto se manteve imóvel por alguns segundos, analisando cada detalhe congelado na tela. Os olhos verdes faiscavam de fúria contida, mas também de cálculo. Ele então respirou fundo, virou-se lentamente para Thiago e assentiu:
— Está certo. Marque uma coletiva de imprensa para amanhã cedo. — disse olhando o relógio.
Thomas cruzou os braços, observando em silêncio, mas atento ao peso daquela decisão.
Augusto voltou a encarar o vídeo, a mandíbula rígida.
— Isso será crucial. — disse, a voz grave. — Mostramos a verdade sem perder credibilidade. O mercado não pode ver fraqueza em mim… e não verá.
Thiago abriu um sorriso curto, satisfeito.
— Vou organizar tudo. Quando a bomba estourar, não vai sobrar pedra sobre pedra para eles se esconderem.
O silêncio ainda pesava na sala depois da decisão. O vídeo congelado de Melissa na tela parecia observar os três como um fantasma que não seria facilmente apagado.
Thiago foi quem quebrou o clima, abrindo um sorriso cansado, mas cheio de malícia:
— Alguém aceita beber alguma coisa?
Thomas soltou um riso breve, quase seco.
— Quando tudo isso terminar, vou precisar de uma garrafa inteira. — comentou, voltando o olhar para o monitor. — Até lá… só café.
Thiago girou a xícara vazia entre os dedos e lançou um olhar direto a Augusto, buscando quebrar o peso da sala.
— Então fechamos assim: quando os trabalhos acabar, nos encontramos no clube. Nada de negócios, só um gole para relaxar.
Augusto sustentou o olhar dele por alguns segundos, os olhos verdes ainda faiscando de tensão, mas assentiu devagar.
— Combinado.
Todos concordaram com um aceno breve.
Thomas voltou a se sentar diante do notebook, já digitando relatórios e anotando pontos para os próximos interrogatórios. A disciplina nele era quase militar.
— Os interrogatório ainda não acabou. Atualizo se tiver alguma notícia.
Augusto e Thiago deixaram a sala em silêncio. O corredor da delegacia ainda fervilhava de vozes, passos e o tilintar de algemas, mas eles seguiram firmes, lado a lado.
Quando alcançaram a saída, foram engolidos por uma multidão de repórteres e cinegrafistas. Os flashes estouraram como relâmpagos, microfones avançaram em direção a eles, e as perguntas se atropelavam:
— Senhor Monteiro, é verdade que um de seus seguranças confessou rouba por anos você?
— Há risco de falência para a MonteiroCorp?
— Quem mais está envolvido no esquema?
O segurança levantou a mão, bloqueando a aproximação, a postura firme. Augusto, de terno escuro e olhar glacial, não respondeu nada. Apenas atravessou o mar de vozes como se fossem ruídos distantes, a mandíbula travada, os olhos fixos no carro à frente.
Do lado de fora, os flashes seguiam iluminando seu rosto, capturando a imagem de um homem que parecia intocável — mas cujo silêncio gritava mais do que qualquer declaração.
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Na MonteiroCorp, o clima já era outro. Thiago e Nathalia estavam no andar da presidência, cercados de telefones, papéis e uma lista interminável de contatos.
Nathalia falava rápido ao telefone, o tom firme e profissional:
Cláudia sorriu de leve, com aquele ar de quem o conhecia melhor do que ninguém.
— Então que ela volte, Augusto. — disse com suavidade. — Eloise pode tentar negar, mas eu enxergo o que há nos olhos de vocês dois. Mesmo com erros e feridas, ainda existe amor entre vocês. E quando existe amor de verdade… vale a pena lutar.
Augusto não respondeu. Apenas permaneceu em silêncio, mas os olhos verdes faiscaram — uma certeza silenciosa, impossível de esconder.
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Era final do dia quando Eloise deixou o escritório. O céu já tingia tons alaranjados, mas a cabeça dela estava longe de qualquer beleza no horizonte. Assim que entrou no carro, pegou o celular e escreveu, os dedos nervosos na tela:
> " Nathalia, eu vi na internet… não se fala de outra coisa. Como o Augusto está? "
A resposta veio rápida, quase seca:
> " Faz horas que não vejo ele. Amanhã tem a coletiva de imprensa. "
Eloise mordeu o lábio, hesitante. Por um instante pensou em apagar, mas acabou digitando de novo:
> " Amiga, sei que não é sua função. Mas se eu conheço aquele ogro, provavelmente não comeu nada. Leva algo. Por favor, melhor amiga do mundo."
Do outro lado, o celular vibrou de volta.
> " Eloise, nãoooo. — Nathalia respondeu com um emoji de indignação. — O que você me pedir sorrindo eu não faço chorando… mas esse pedido, já entendi. "
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Mais tarde, Nathalia apareceu no andar da presidência com uma sacola de comida. Bateu de leve na porta e entrou sem cerimônia.
— Trouxe algo pra você comer. — disse, colocando sobre a mesa. — Mas não se acostume, eu não sou sua babá.
Augusto ergueu os olhos do notebook, arqueando uma sobrancelha diante da ousadia. O silêncio se prolongou alguns segundos, até que ele perguntou, direto:
— Não foi ideia sua, foi?
Nathalia parou, o sorriso atrevido congelando por um instante. Não respondeu. Apenas ajeitou a bolsa no ombro e, com um meio sorriso enigmático, saiu da sala sem olhar para trás.
Augusto ficou encarando a porta fechada, os olhos verdes faiscando. Ele já desconfiava da verdadeira origem daquele gesto.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...