Entrar Via

Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 168

Alianças e Fantasmas

Na MonteiroCorp, o relógio já empurrava a noite quando a porta da presidência se abriu sem bater. Thamires entrou com um perfume doce e afiado, salto marcando território no mármore.

— Augusto… — a voz dela veio macia, revestida de preocupação. — Eu vi tudo nas notícias. Senti que precisava te ver.

Ele não levantou da mesa. Olhou-a como quem avalia uma sombra.

— Você precisa de quê, Thamires?

Ela se aproximou mais um passo, dedos roçando o tampo, lembranças escolhidas nos olhos.

— De te lembrar que já estivemos do mesmo lado. — Um sorriso lento. — Eu sei como você gosta de terminar dias difíceis. Deixa eu te ajudar a relaxar?

— E eu sei como você gosta de começar intrigas. — Augusto cortou, a voz limpa de qualquer doçura. — A porta está no mesmo lugar de sempre.

A máscara dela rachou por um segundo; recompôs-se, ferida no orgulho.

- Porque você me trata assim Augusto?

Augusto

- Devo te lembrar? fora Thamires. - E como se um peso sair - Thamires eu não te amo, e talvez nunca amei. Não caio no seu teatro. Se você diz que mudou, vai ser feliz com alguém que queira você ao lado. Porque eu só tenho olhos para Eloise.

— Você vai se arrepender de me tratar assim.

— Da próxima vez, peça hora com a minha secretária. — O olhar dele foi uma navalha. — Quando ela voltar ao lugar que é dela.

Thamires mordeu por dentro a resposta e saiu. O som do salto sumiu no corredor. A sala voltou a ficar cheia de papéis e promessas.

___

O clube antigo da Cidade Norte sempre cheirou a couro e madeira encerada. Àquela hora — pouco depois das oito —, a luz âmbar dos abajures tornava tudo mais lento: garçons de colete, copos com marcas de dedos, jazz baixo vindo de um piano esquecido.

Augusto ocupava o canto mais discreto do salão, paletó aberto, a gravata afrouxada como uma rendição silenciosa. Thiago chegou primeiro, batendo de leve a mão no ombro dele antes de se sentar.

— Cara de quem lutou doze rounds e ainda pediu mais dois — brincou, rouco.

Augusto não respondeu, sem humor. Pediu um uísque. Thiago, um gim. O silêncio entre os dois não era desconforto; era cansaço.

Poucos minutos depois, a porta lateral abriu-se e Thomas entrou.

De camisa escura, a postura ereta, ele parecia carregar a noite nos ombros. Não precisava de distintivo para chamar atenção: tinha olhos de águia, daqueles que medem saídas, reparam em mãos, mapeiam vozes. Puxou a cadeira com calma e fez um gesto discreto ao garçom.

— Augusto… — disse direto, a voz grave, sem rodeios. — Depois de tudo que ouvi hoje… Daniel não é o Louvre.

O silêncio caiu pesado sobre a mesa. Thiago ergueu o copo, bebeu um gole e assentiu devagar.

— Mesmo que isso seja verdade — começou, a voz mais leve, mas firme —, não podemos dar brecha para parecer que não resolvemos a situação. A reputação da MonteiroCorp está em jogo.

Ele pousou o copo, olhando para os dois.

— Ele confessou, Thomas. Deu motivos. — fez uma pausa, a voz mais baixa, quase um suspiro. — Também tenho minhas dúvidas… acredito que Augusto também, mas não temos pista de nada além dele.

Thomas não desviou o olhar. O garçom trouxe o uísque, mas ele não bebeu.

— Eu compreendo. — disse devagar. — Mas não posso encerrar as investigações.

Thomas manteve o tom baixo, mas firme:

— A chave pode estar no passado, Augusto.

Os olhos verdes faiscaram, e por um instante o ar ao redor deles pareceu se tornar fumaça. O silêncio era o verdadeiro inimigo naquela mesa.

---

Um novo par de passos os interrompeu. Heitor surgiu, impecável como sempre: camisa sem vinco, relógio caro que não gritava, apenas sussurrava status. Alguns cochichos o acompanharam do balcão até a mesa.

— Senhores. — cumprimentou com a segurança de quem já se sabia bem-vindo. Puxou uma cadeira e se acomodou, os olhos fixando-se em Augusto. — Sabia que encontraria você aqui. Não vim por acaso. Vi as notícias e quis dar meu total apoio. Conte comigo para manter seu império, amigo.

Thiago arqueou uma sobrancelha, um sorriso breve no canto dos lábios.

— “Conte comigo para manter seu império” costuma vir com preço.

Heitor deixou escapar uma risada curta, descontraída, inclinando-se um pouco para frente.

— Preço? Esqueceu que, além de homens de negócios, somos amigos? — fez uma pausa, medindo as reações. — Mas, de qualquer forma, gosto de apostar em quem não cai fácil. Se precisar de gente, estrutura… qualquer coisa, conte comigo.

Thomas o avaliou em silêncio, um segundo longo que pareceu atravessar a mesa. Já Augusto manteve a serenidade habitual, sem pressa de responder.

O garçom trouxe a nova rodada de bebidas. Eles ergueram os copos, mas não houve brinde — apenas o tilintar discreto do gelo.

— Eu agradeço, Heitor. — disse Augusto por fim, a voz firme. — Só de continuar confiando na MonteiroCorp já nos ajuda mais do que imagina.

Heitor apenas assentiu, um meio sorriso de quem já esperava essa resposta.

Histórico de leitura

No history.

Comentários

Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário