Alianças e Fantasmas
Na MonteiroCorp, o relógio já empurrava a noite quando a porta da presidência se abriu sem bater. Thamires entrou com um perfume doce e afiado, salto marcando território no mármore.
— Augusto… — a voz dela veio macia, revestida de preocupação. — Eu vi tudo nas notícias. Senti que precisava te ver.
Ele não levantou da mesa. Olhou-a como quem avalia uma sombra.
— Você precisa de quê, Thamires?
Ela se aproximou mais um passo, dedos roçando o tampo, lembranças escolhidas nos olhos.
— De te lembrar que já estivemos do mesmo lado. — Um sorriso lento. — Eu sei como você gosta de terminar dias difíceis. Deixa eu te ajudar a relaxar?
— E eu sei como você gosta de começar intrigas. — Augusto cortou, a voz limpa de qualquer doçura. — A porta está no mesmo lugar de sempre.
A máscara dela rachou por um segundo; recompôs-se, ferida no orgulho.
- Porque você me trata assim Augusto?
Augusto
- Devo te lembrar? fora Thamires. - E como se um peso sair - Thamires eu não te amo, e talvez nunca amei. Não caio no seu teatro. Se você diz que mudou, vai ser feliz com alguém que queira você ao lado. Porque eu só tenho olhos para Eloise.
— Você vai se arrepender de me tratar assim.
— Da próxima vez, peça hora com a minha secretária. — O olhar dele foi uma navalha. — Quando ela voltar ao lugar que é dela.
Thamires mordeu por dentro a resposta e saiu. O som do salto sumiu no corredor. A sala voltou a ficar cheia de papéis e promessas.
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O clube antigo da Cidade Norte sempre cheirou a couro e madeira encerada. Àquela hora — pouco depois das oito —, a luz âmbar dos abajures tornava tudo mais lento: garçons de colete, copos com marcas de dedos, jazz baixo vindo de um piano esquecido.
Augusto ocupava o canto mais discreto do salão, paletó aberto, a gravata afrouxada como uma rendição silenciosa. Thiago chegou primeiro, batendo de leve a mão no ombro dele antes de se sentar.
— Cara de quem lutou doze rounds e ainda pediu mais dois — brincou, rouco.
Augusto não respondeu, sem humor. Pediu um uísque. Thiago, um gim. O silêncio entre os dois não era desconforto; era cansaço.
Poucos minutos depois, a porta lateral abriu-se e Thomas entrou.
De camisa escura, a postura ereta, ele parecia carregar a noite nos ombros. Não precisava de distintivo para chamar atenção: tinha olhos de águia, daqueles que medem saídas, reparam em mãos, mapeiam vozes. Puxou a cadeira com calma e fez um gesto discreto ao garçom.
— Augusto… — disse direto, a voz grave, sem rodeios. — Depois de tudo que ouvi hoje… Daniel não é o Louvre.
O silêncio caiu pesado sobre a mesa. Thiago ergueu o copo, bebeu um gole e assentiu devagar.
— Mesmo que isso seja verdade — começou, a voz mais leve, mas firme —, não podemos dar brecha para parecer que não resolvemos a situação. A reputação da MonteiroCorp está em jogo.
Ele pousou o copo, olhando para os dois.
— Ele confessou, Thomas. Deu motivos. — fez uma pausa, a voz mais baixa, quase um suspiro. — Também tenho minhas dúvidas… acredito que Augusto também, mas não temos pista de nada além dele.
Thomas não desviou o olhar. O garçom trouxe o uísque, mas ele não bebeu.
— Eu compreendo. — disse devagar. — Mas não posso encerrar as investigações.
Thomas manteve o tom baixo, mas firme:
— A chave pode estar no passado, Augusto.
Os olhos verdes faiscaram, e por um instante o ar ao redor deles pareceu se tornar fumaça. O silêncio era o verdadeiro inimigo naquela mesa.
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Um novo par de passos os interrompeu. Heitor surgiu, impecável como sempre: camisa sem vinco, relógio caro que não gritava, apenas sussurrava status. Alguns cochichos o acompanharam do balcão até a mesa.
— Senhores. — cumprimentou com a segurança de quem já se sabia bem-vindo. Puxou uma cadeira e se acomodou, os olhos fixando-se em Augusto. — Sabia que encontraria você aqui. Não vim por acaso. Vi as notícias e quis dar meu total apoio. Conte comigo para manter seu império, amigo.
Thiago arqueou uma sobrancelha, um sorriso breve no canto dos lábios.
— “Conte comigo para manter seu império” costuma vir com preço.
Heitor deixou escapar uma risada curta, descontraída, inclinando-se um pouco para frente.
— Preço? Esqueceu que, além de homens de negócios, somos amigos? — fez uma pausa, medindo as reações. — Mas, de qualquer forma, gosto de apostar em quem não cai fácil. Se precisar de gente, estrutura… qualquer coisa, conte comigo.
Thomas o avaliou em silêncio, um segundo longo que pareceu atravessar a mesa. Já Augusto manteve a serenidade habitual, sem pressa de responder.
O garçom trouxe a nova rodada de bebidas. Eles ergueram os copos, mas não houve brinde — apenas o tilintar discreto do gelo.
— Eu agradeço, Heitor. — disse Augusto por fim, a voz firme. — Só de continuar confiando na MonteiroCorp já nos ajuda mais do que imagina.
Heitor apenas assentiu, um meio sorriso de quem já esperava essa resposta.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...