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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 192

Amor e Sombra

O dia seguiu calmo na MonteiroCorp.

Assinaturas, brindes, cumprimentos — o projeto entre as empresas finalmente estava consolidado.

Mas, no alto do prédio, dentro da sala envidraçada, Augusto Monteiro não conseguia se concentrar em nada.

O contrato estava fechado, o sucesso garantido, mas a mente dele girava em torno de uma única coisa: Eloise.

Ele sabia que precisava fazer algo diferente — não um simples presente, nem flores.

Precisava de um gesto à altura do que sentia, algo que marcasse de vez a nova fase deles.

Sentou-se à mesa, os dedos tamborilando no tampo de vidro, até que pegou o celular e discou um número conhecido.

— Cláudia, preciso da sua ajuda. — disse, direto.

Do outro lado, ela respondeu com aquele tom maternal de sempre:

— O que você está aprontando, Augusto?

— Nada ruim. Pelo contrário. — sorriu de canto. — Quero fazer algo… memorável. Mas não posso errar nos detalhes.

Ela riu, já curiosa. — Manda tudo por mensagem, vou ver o que consigo providenciar.

Depois de desligar, Augusto chamou Thiago e Nathalia à sua sala.

Quando os dois entraram, ele estava de pé, encostado na janela, com o olhar voltado para o horizonte.

— Preciso de vocês pra algo importante. — disse, sem rodeios. — Quero preparar uma surpresa pra Eloise. Algo grande.

Thiago cruzou os braços, intrigado. — Grande tipo o quê?

Augusto respirou fundo. — O recomeço da nossa história… Vai simbolizar o nosso começo e todas as vezes que ela olhar vai lembrar do nosso amor.

Nathalia, com os olhos brilhando de empolgação, deu um passo à frente.

— Meu Deus, eu sabia! — exclamou, batendo palmas baixinho. — Finalmente você vai fazer algo romântico de verdade!

— Só quero que seja perfeito. — murmurou ele, sincero.

— Deixa comigo. — disse Nathalia, já sacando o celular. — Vou falar com as meninas, a Emma e a Sofia. Elas vão amar ajudar.

— Com cuidado. — alertou Augusto, o olhar firme. — Eloise não pode saber de nada.

Nathalia assentiu, com um sorriso cúmplice. — Pode deixar comigo, chefe. Vai ser inesquecível.

Thiago riu, balançando a cabeça. — Sério, Monteiro… quem diria? De executivo gelado a romântico incurável.

Augusto apenas sorriu, o olhar distante, como quem já enxergava o futuro.

— Às vezes, Thiago, tudo o que a gente precisa é da pessoa certa pra descongelar o coração.

___

De um lado da cidade o amor florescia, mas do lado das sombras a maldade reinava.

A noite caía sobre Cidade Norte, e o cais velho do distrito leste estava coberto por uma névoa espessa que escondia o cheiro azedo do mar.

No fim do galpão número 14, Carla Martins observava tudo com frieza.

Os faróis do caminhão iluminaram por breves segundos os rostos assustados de três meninas — jovens demais, frágeis demais, perdidas demais.

— Rápido. — ordenou, a voz cortante. — Levem para o porão dos fundos. Ninguém encosta nelas até eu dizer.

Os seguranças obedeceram, evitando cruzar o olhar com ela.

Carla era o tipo de mulher que misturava beleza e veneno na mesma dose. Alta, de cabelos negros e olhos frios, fumava lentamente enquanto observava o carregamento desaparecer pelas portas de ferro.

O som metálico da tranca ecoou no ar, e por um instante, o silêncio pareceu pesar.

Ela apagou o cigarro com calma e olhou o relógio de pulso. — Quinze minutos de atraso. Esses idiotas vão me fazer perder clientes.

O celular vibrou dentro do bolso do casaco.

Um número desconhecido.

— Fala. — atendeu, sem paciência.

A voz do outro lado era grave, tensa. — Temos um problema.

Carla estreitou os olhos. — Que tipo de problema?

— Thomas Alves. — respondeu o homem. — Ele está investigando você e já ligou duas transferências a uma empresa fantasma em seu nome.

Por um instante, o ar pareceu rarear.

— Como ele conseguiu isso? — rosnou ela.

— Fontes internas. Parece que o policial não está sozinho. Há gente ajudando de dentro do sistema.

Carla começou a andar de um lado pro outro, os saltos ecoando no chão de cimento.

— Esse maldito adora brincar de herói.

— Quer que eu resolva? — perguntou o homem.

Ela parou, olhando para as janelas cobertas de ferrugem.

O som distante do mar misturava-se ao bater das correntes no cais.

Dário arqueou uma sobrancelha, descrente. — No cabeleireiro, a essa hora?

— Sim. — respondeu, impassível. — A Márcia Mello estava lá, com outras mulheres da alta sociedade. Falamos sobre o evento beneficente da próxima semana. O tempo simplesmente passou.

Ela se aproximou e depositou um beijo leve na bochecha dele. — Desculpe, querido.

Nicole fechou o celular e cruzou as pernas, olhando a mãe com uma curiosidade inquieta.

— A senhora viu minha sogra por lá? — perguntou, franzindo o cenho. — Eu teria ido também, se tivesse me avisado.

Carla se virou para ela, mantendo o mesmo tom suave. — Estavamos distraídas resolvendo detalhes do evento. E achei que você e o Lorenzo quisessem um tempo a sós.

Nicole mordeu o lábio, hesitante. — É… sobre isso. O Lorenzo anda estranho, sabe? Distrato, distante. — olhou para o pai e depois de volta para a mãe. — Achei que talvez Márcia soubesse de algo.

Por um instante, o olhar de Carla endureceu.

Mas logo recuperou o sorriso perfeito.

— Homens de negócios, minha querida. — respondeu, pegando uma taça de vinho. — Quando estão estressados, tudo parece mistério.

Nicole assentiu, mas o desconforto ficou evidente.

Dario se levantou, pegando o jornal sobre a mesa. — Espero que, da próxima vez, avise onde vai. Sua ausência causou preocupação.

— Eu entendo. — disse Carla, o sorriso permanecendo intacto. — Mas prometo compensar com um jantar amanhã.

Dario apenas assentiu e subiu as escadas, deixando as duas sozinhas.

Nicole ficou parada por um momento, observando a mãe.

Havia algo diferente — algo no olhar dela que não combinava com o tom doce das palavras.

— Mãe… — começou, baixinho. — O Lorenzo realmente anda estranho. Você acha que ele está metido em algo errado?

Carla tomou um gole do vinho antes de responder.

— Se estiver, vai se arrepender. — disse, firme, o sorriso desaparecendo por um breve instante.

Nicole ficou em silêncio, sem entender o peso daquelas palavras.

Carla, por outro lado, virou-se para a janela, observando o reflexo do próprio rosto no vidro.

Lá fora, o vento fazia as folhas do jardim se moverem — um movimento quase idêntico ao das correntes batendo no cais, algumas horas antes.

E, naquele reflexo frio e distante, Carla voltou a sorrir.

— Boa noite, filha. Vou subir para o banho. — disse, subindo as escadas com passos lentos. — Amanhã será um dia… interessante. Preciso descansar.

Nicole permaneceu ali, confusa, tentando entender por que, de repente, a própria casa parecia mais fria do que o vento lá fora.

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