A Casa dos Recomeços
A corretora Joyce as aguardava sorridente em frente à primeira casa — uma mulher elegante, de cabelo preso e prancheta nas mãos.
— Meninas, que prazer. — disse ela, apertando a mão de cada uma. — Preparem-se, o condomínio é um sonho.
A primeira casa era bonita, moderna, mas comum.
Ambientes claros, boa estrutura — ainda assim, nada que despertasse encantamento.
A segunda, porém…
Assim que o portão se abriu, todas ficaram em silêncio.
O jardim se estendia como um tapete verde pontuado por roseiras e caminhos de pedra.
Mais ao fundo, uma piscina cercada por jabuticabeiras e lírios brancos refletia a luz do sol.
O ar tinha cheiro de terra fresca e flores.
— Uau… — suspirou Sofia, os olhos brilhando. — Isso aqui é um paraíso.
A fachada da casa misturava o moderno e o clássico: paredes em tom off-white, janelas amplas com molduras pretas e uma varanda com colunas delicadas.
Por dentro, o encanto era ainda maior.
O hall de entrada exibia um lustre de cristal que pendia de um teto com pé-direito duplo, e a escada curva de mármore branco parecia saída de um palácio.
O piso de carvalho contrastava com os tapetes claros, e o aroma de ambiente novo pairava no ar.
— Meu Deus, olha essa sala! — disse Nathalia, girando no meio do cômodo. — Eu moraria aqui fácil!
Emma sorria, satisfeita com o disfarce perfeito.
A cozinha era ampla, com bancada de quartzo e janelas que davam vista para o quintal.
A suíte principal tinha um closet enorme e um banheiro com banheira esculpida em pedra clara.
Mas o que realmente tirou o fôlego de Eloise foi a varanda do quarto.
Dali, era possível ver todo o jardim — e bem ao centro, uma estrutura de ferro estava sendo montada, coberta por flores vermelhas e brancas.
— Estão construindo algo ali? — perguntou ela, curiosa.
Joyce sorriu de leve. — Um pergolado. Projeto novo do proprietário. Dizem que vai ser o ponto mais bonito da casa.
Eloise encostou no parapeito, observando o cenário.
O vento leve bagunçou seus cabelos, e por um instante, ela sentiu uma estranha familiaridade com aquele lugar.
Como se o jardim a chamasse.
— Essa casa é… perfeita. — murmurou, sem perceber que as outras a observavam com sorrisos cúmplices.
Sofia riu. — Acho que encontramos a escolhida.
Emma deu um passo à frente, olhando para Joyce. — Eu não quero ver mais nenhuma. Essa é a casa.
Joyce assentiu, profissional e eficiente. — Perfeito. Posso enviar os detalhes por e-mail, então?
— Pode sim. — respondeu Emma, fingindo naturalidade. — Fechamos por aqui.
As meninas se despediram da corretora, que se afastou com um aceno.
Assim que ela entrou no carro, Eloise não resistiu:
— Emma, você não vai me enganar. Essa casa é pra você... ou pra alguém?
Emma deu uma risada nervosa. — Digamos que estou ajudando um amigo muito exigente.
Todas se olharam e já sabia quem era o amigo.
-Esse amigo está na sua Emma - Eloise brincou e todas riam
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No caminho de volta, o assunto foi leve — planos, sonhos, risadas.
Mas nenhuma delas percebeu o quanto o destino já estava cuidadosamente alinhando cada passo.
Eloise, distraída, encostou a cabeça no vidro do carro, observando o céu azul.
Sem saber que, naquele mesmo instante, Augusto Monteiro está tramado uma grande surpresa que iria amolecer de vez seu coração.
O fim da tarde trouxe o vento frio de outubro, misturado ao som abafado das folhas que caíam no pátio do hospital.
As meninas caminhavam lado a lado pelo corredor iluminado — as risadas baixas e o som dos saltos ecoavam no chão encerado..
— Será que o Carlão já recebeu alta? — perguntou Emma, equilibrando um buquê de flores nas mãos.
— Quase. — respondeu Eloise, sorrindo. — O médico disse que se tudo continuar bem, mais uns dias e ele volta pra casa.
— Já tô vendo ele na cozinha preparando o famoso Strogonoff, Não aguento mais Eloise falando e eu não ter provado — comentou Sofia, arrancando risadas do grupo.
— Nem todo mundo faz, Augusto. — respondeu ela, sincera.
Por um instante, o mundo pareceu se calar.
O olhar dele se prendeu no dela — firme, caloroso, e ao mesmo tempo cheio de algo que Eloise não sabia nomear.
Cláudia percebeu a troca de olhares e sorriu de leve, quebrando o momento antes que o silêncio se tornasse suspeito.
— Eu também preciso ir. Prometi à equipe que revisaria alguns relatórios ainda hoje. — disse, ajustando a bolsa no ombro.
Eloise assentiu, recuperando o tom cordial.
— Claro, Cláudia. Pode ficar à vontade para vir sempre que conseguir.
— Obrigada, Eloise. — disse Cláudia, com um sorriso gentil antes de se voltar para o homem na cama. — Tchau, Carlos. Se precisar, me liga. — acrescentou com um sorriso. — Vou te deixar em ótimas companhias agora.
O tom soava natural, mas havia algo no olhar dela — um brilho cúmplice que Eloise não soube decifrar.
As meninas ficaram ali no quarto, mostraram as flores e abrindo conversa com Carlos, que sorria de orelha a orelha ao ver o pequeno alvoroço.
Enquanto isso, Cláudia e Augusto caminharam juntos até o final do corredor.
Quando a distância era segura, ela comentou em voz baixa:
— A cada dia, ela se entrega mais. Vai dar certo, Augusto.
Ele respirou fundo, os olhos fixos no horizonte.
— Falta pouco. Só quero que seja perfeito.
Cláudia sorriu, cúmplice. — Está quase tudo pronto.
Augusto cruzou os braços, um brilho decidido no olhar.
— Falta pouco para ela se surpreender.
Eles se despediram ali mesmo — cúmplices de um segredo que, em breve, mudaria tudo.
De longe, Eloise os observava, com uma pontada de curiosidade e o pressentimento de que havia algo maior acontecendo.
Mas decidiu ignorar.
Nem tudo precisa de explicação imediata — algumas respostas florescem sozinhas, no tempo certo.
E o dela… estava prestes a desabrochar.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...