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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 195

Segunda de Aviso.

O dia começou com uma notícia que fez o coração de Eloise bater em compasso diferente: o hospital ligou às oito e quinze da manhã.

— Senhorita Nogueira? — a voz da recepcionista, animada. — O doutor pediu para avisar que seu pai deve receber alta amanhã. Ele quer conversar com a senhora às 10h para assinar a liberação.

Eloise ficou parada por um segundo, o telefone na mão, descrevendo uma sensação que misturava alívio, medo e uma alegria tão súbita que quase a fez rir na calçada.

— Obrigada — conseguiu dizer, e desligou com as mãos trêmulas.

O sol daquele início de outono parecia mais generoso, como se também tivesse ouvido a notícia.

As folhas nas árvores do quarteirão já ganhavam tons de cobre e ouro, e uma brisa morna varria a cidade como quem passasse a mão no rosto de alguém que acaba de acordar para algo bom.

Eloise decidiu ir andando, cantava baixinho — uma canção qualquer que escutava no fone. A música parecia acompanhar o movimento da cidade.

Na entrada do prédio ela parou, era como se, de repente, as cores tivessem afinado com o humor: azul do céu, amarelo do coqueiro da praça, vermelho discreto de uma flor solitária no vaso da esquina. Respirou fundo — aquele dia seria bom, decidiu.

Subiu os andares da VisionLab com passos meio leves, meio cautelosos, cumprimentando as pessoas que cruzava no corredor. O escritório já pulsava com o som dos teclados, o aroma de café forte e a pressa matinal tão previsível quanto as estações. Mas nada ali diminuía o calor que tinha explodido nos últimos minutos.

— Bom dia, Elô! — Patrícia apareceu na entrada da sua estação, sorrindo. — Todo mundo de bom humor, hein?

— Tenho um bom motivo — respondeu ela, e o sorriso escapou natural.

Ela colocou o computador para ligar, estava com a energia renovada para começar a trabalhar. O Projeto Integra Vision era assunto sério naquele dia — Heitor queria as últimas simulações, Augusto exigia atenção aos pequenos detalhes.

O celular vibrou com uma notificação do grupo das meninas.

Era Sofia. A mensagem era curta — mas suficiente pra mudar o ritmo da manhã.

> “Meninas… desculpa. Sei que cada uma tem seus problemas, mas eu preciso de ajuda.”

Eloise franziu o cenho, preocupada.

___

Do outro lado da cidade, em uma rua com menos sol e um perfume diferente — mais forte, mais metálico — um homem de terno cinza ajustava a gravata diante do espelho de um café discreto. Antônio Mello não demonstrava emoção: as feições eram a máscara que sempre usara quando o jogo exigia calma.

Ele aguardou o contato de quem já sabia que viria. A mesa ao lado fumegava com cafés e jornais, mas Antônio observava só a porta, como se cada pessoa que entrava fosse uma jogada possível.

O homem chegou pontual, passos medidos, ar de quem sabe fazer perguntas e receber respostas calculadas. Vestia uma jaqueta escura e segurava a aba do chapéu com a mão direita; seus olhos eram pouco reveladores. Antônio, sem perder a compostura, acenou com a cabeça.

— Tudo certo? — perguntou Antônio, abrindo o diálogo como quem abre uma carta importante.

— Tudo — respondeu o homem, acomodando-se na cadeira. — Ele está no lugar. A rede está armada. Falta só o empurrão final.

— Lorenzo adiantou as transferências e limpou o rastro. Se alguém for procurar, vai dar nas empresas de fachada em nome do Augusto Monteiro e Thiago Albuquerque. Só falta a confirmação para o envio. Isso eu faço rápido — baixou a voz — Já tenho tudo planejando.

— Lorenzo Mello? — Antônio interrompeu, a voz cortando. — Seu idiota? É meu filho, pelo menos é reconhecido como tal.

O homem fechou a cara.

— Muita atenção com as palavras. Não me importa o sobrenome dele. Ele queria destruir Augusto e está sendo útil. Não me importo se é seu filho ou não.

— Só não pode saber sobre mim — Antônio alertou, firme.

— Não vai saber. — o homem bateu levemente no aro da xícara, seguro. — Ele recebeu só as ordens necessárias. Faz o que deve e pronto.

Antônio pousou o queixo na mão e deixou o olhar vagar pela sala por um segundo, como quem aprecia o quadro inteiro antes de comentar um detalhe.

— E quando Augusto cair? O que faremos com José? — perguntou, cortando o silêncio.

Houve uma pausa; a voz do homem ficou mais fria, quase calculada.

— O pai protetor vai correr. Ele se fará presente. Aí você j**a a sua carta.

Antônio sorriu, um sorriso curto e sem alegria.

— Eu não quero só causar um estrondo. Quero o fim de tudo o que os Monteiros acham que podem fazer sem pagar. — falou com firmeza. — Quero vê-los pagar, aos poucos, dia a dia, com juros. Que a vida deles vire uma conta impossível de pagar: desespero, perdas, humilhação pública.

O homem apoiou a xícara na mesa, pensativo.

— Com essa estratégia, vamos ver o prejuízo se espalhar. Relações quebradas, aliados caindo… E que tudo pareça natural. O orgulho do Monteiro será a ruína dele: quando perceber que perdeu o controle, será tarde demais.

Antônio concordou com a cabeça. Por baixo do chapéu, um brilho de satisfação cortou o rosto.

— Então está combinado?

— Combinado. — o homem ergueu a xícara num brinde contido. — Em poucas semanas, a cidade vai ver a queda de Augusto Monteiro.

Antônio deixou escapar um riso abafado.

— Já sinto o gosto.

Eles se levantaram, trocaram olhares curtos e palavras curtas, e saíram do café em direções opostas. A fachada clara, os pedestres apressados, o tráfego. Nada ali denunciava o teor do que haviam tramado — perfeito para quem planeja o inesperado.

Tudo parecia se despedir dela antes da hora.

— Eu vou ficar em Cidade Norte. — concluiu, baixa, mas decidida.

O pai deu as costas.

— Então boa sorte, Sofia. Espero que saiba o que está fazendo.

Ela respirou fundo.

— Sei sim, pai. Pela primeira vez, sei exatamente o que estou fazendo.

Saiu sem olhar pra trás. O vento frio da tarde bagunçou seus cabelos, mas ela não parou.

O medo ainda estava ali — mas, pela primeira vez, andava de mãos dadas com a coragem.

Pegou o celular e mandou uma mensagem para o grupo:

> “Meninas… desculpa. Sei que cada uma tem seus problemas, mas eu preciso de ajuda.”

Minutos depois, vieram as respostas:

Eloise:

> “Sofia, o que aconteceu? Claro que vamos ajudar. É pra isso que servem os amigos.”

Nathalia:

> “Podemos nos ver depois do trabalho.”

Emma:

> “Vamos jantar no restaurante do meu tio. Fechado?”

Todas confirmaram.

Sofia sorriu entre as lágrimas.

Pela primeira vez, sentiu que, mesmo sem o lar dos pais, não estava sozinha.

E o medo, silenciosamente, deu espaço pra liberdade.

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