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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 196

O Segredo

A segunda-feira amanheceu diferente para Augusto Monteiro.

O sol parecia mais claro, o ar mais leve — e, pela primeira vez em muito tempo, ele acordou com a sensação de estar fazendo algo realmente certo.

O relógio marcava oito e meia quando o corretor colocou o contrato sobre a mesa de vidro do escritório.

Assinaturas, carimbos, papéis trocados — e pronto.

Augusto ajeitou o paletó, recostando-se na cadeira. Um sorriso discreto surgiu, o tipo de sorriso raro, que nascia de dentro e não precisava ser mostrado a ninguém.

— Parabéns, senhor Monteiro — disse o corretor, recolhendo as pastas. — Uma das propriedades mais bonitas do condomínio. O jardim, então... uma joia.

— É por isso mesmo que escolhi essa. — respondeu, sem esconder o orgulho. — Quero que cada flor ali conte uma história.

O corretor apenas assentiu, sem entender o peso real daquelas palavras.

Assim que ficou sozinho, Augusto respirou fundo, encostando as mãos no tampo da mesa.

A imagem de Eloise veio como um raio.

O riso leve, o olhar doce, a força disfarçada em serenidade.

Era por ela. Tudo aquilo era — e sempre seria — por ela.

No horário do almoço, ele dispensou o motorista.

Pegou o próprio carro e dirigiu até o novo endereço, afastado do centro, onde o som da cidade desaparecia e o canto dos pássaros fazia o tempo andar devagar.

A casa era ampla, com fachada clara e janelas altas. O portão se abriu com um estalo suave, revelando o jardim parcialmente em construção.

O chão estava coberto de terra fresca, e vasos ainda vazios esperavam o toque final.

Augusto tirou o paletó, arregaçou as mangas da camisa e andou devagar entre os canteiros.

O corretor havia deixado catálogos sobre uma mesinha. Ele os folheou com atenção, apontando para as flores que queria ver ali.

— Rosas vermelhas... — murmurou. — As dela.

Rosas brancas para a pureza, lírios para o recomeço... e jasmins. Porque o perfume dela é doce e fica mesmo depois que vai embora.

O jardineiro, um senhor de meia-idade que o observava em silêncio, sorriu de canto.

— Vai plantar tudo isso de uma vez, patrão?

Augusto olhou o terreno como quem vê o futuro.

— Não. — respondeu com calma. — Vamos plantar um pouco por dia. Um jardim leva tempo… e amor também.

O jardineiro assentiu, admirado com a simplicidade da resposta.

Augusto caminhou até o centro do quintal, onde havia um pequeno espaço de pedra, cercado por grama nova.

Ajoelhou-se, passando a mão sobre o solo úmido.

Do outro lado da linha, a voz dele veio firme, mas com a mesma tensão que ela sentia.

— Recebeu? — ele perguntou.

— Recebi. — Cláudia passou a mão pelo rosto, tentando organizar os pensamentos. — São nomes demais. Deputados, empresários… gente que controla tanta coisa. Estou em choque, Thomas.

Silêncio do outro lado, pesado.

— Todos esses nomes aparecem nos círculos da Carla. — disse Thomas, tenso. — Alguns são clientes, outros fazem parte do esquema. Contra alguns já temos provas concretas, mas outros ainda não temos nada. E precisamos ser cautelosos: se eles perceberem que estamos investigando algo, a reação vai ser imediata.

Cláudia prendeu a respiração. A possibilidade de exposição, de retaliação, passou por ela como um presságio gelado.

— Eu sei — respondeu, com a voz mais firme do que se sentia. — Mas não tenho medo, Thomas. Vou até o fim. Ela vai pagar por cada uma das coisas que fez — por cada vida que ela colocou em risco.

Houve um pequeno ruído do outro lado, como um reconhecimento cansado.

— Era isso que eu precisava ouvir — disse ele, mais suave. — Mas vamos com calma. Documenta tudo, manda o que tiver de concreto. A gente monta o dossiê com cautela — e proteção. Ninguém dá passos em falso.

Cláudia fechou os olhos por um segundo, respirou fundo e abriu um sorriso que sabia ser mais de decisão do que de alegria.

— Então pede pros teus homens ficarem atentos. Eu começo a rastrear essas ligações agora. E Thomas... obrigado por estar do meu lado.

— Sempre, Cláudia. — ele respondeu. — Segura firme. A gente vai derrubar essa teia — sem alarde, até não restar mais nada.

Ela desligou, olhou novamente a lista na tela — e pela primeira vez, a raiva e a clareza tomaram o lugar do medo.

Não seria uma caça qualquer. Seria uma guerra que ninguém veria — e ela já começava a organizar as tropas.

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