O toque insistente do celular quebrou o silêncio confortável do quarto.
Thomas abriu os olhos primeiro.
Sofia ainda dormia, o corpo enroscado no peito dele, quente e rendida, como se o mundo lá fora não existisse.
Ele pegou o celular na mesa de cabeceira.
— Fala. — a voz rouca de sono, mas firme.
Sofia só sentiu o movimento dele se levantar.
O ar frio da manhã tomou o lugar onde o corpo dele estava segundos antes.
Era um colega da delegacia.
O dever chamava.
Thomas vestiu a calça sem fazer barulho, passou a camiseta por cima da cabeça e, antes de sair, inclinou-se sobre ela.
— Tem compromisso à noite? — perguntou com aquele tom firme que sempre fazia a pele dela arrepiar.
Sofia piscou devagar, ainda meio sonolenta.
— Não…
— Às dezenove horas passo aqui.
— afirmou como quem dá uma ordem, não um pedido.
Sofia assentiu sem pensar.
Thomas deu um beijo rápido nos lábios dela e saiu.
No corredor, mal fechou a porta e deu de cara com Natália chegando com as chaves na mão.
— Mas olha aí o policial. — ela provocou, levantando a sobrancelha.
Thomas soltou um riso curto.
— Chegando essa hora e nem trouxe o pão. — passou por ela com um aceno e seguiu para o elevador.
Natália ficou plantada na porta por dois segundos.
E então:
— SOFIAAAAAA! — o grito ecoou pelo apartamento.
Sofia surgiu no corredor de roupão, amarrando o cinto e tentando parecer séria, apesar das bochechas ainda coradas.
— Nathalia… que bonito chegar a essa hora, hein? — falou com tom de bronca, como se isso fosse esconder alguma coisa.
Natália cruzou os braços, um sorriso perigoso nos lábios.
— Você não escapa das minhas perguntas, viu?
Mas agora eu tenho cinco minutos pra tomar banho ou nós duas vamos chegar atrasadas na empresa.
Sofia bufou, rindo.
— Vai logo, vai. Depois a gente conversa.
Natália correu para o banheiro.
Sofia foi para a cozinha, ainda sentindo a boca formigar do beijo dele, ainda com o cheiro de Thomas preso na pele.
Ligou a cafeteira, encostou as mãos na pia e deixou um sorriso surgir sem controle nenhum.
A noite passada ainda pulsava nela.
E o relógio ainda marcava… 08h12.
Sofia mexia o café na xícara, tentando não sorrir sozinha.
A colher batia no porcelanato num ritmo lento, quase hipnotizada.
O quarto ainda tinha o cheiro dele.
A pele dela ainda queimava onde ele tocou.
E a imagem de Thomas parado na porta, olhando pra ela como se fosse dele, continuava presa na cabeça.
Ela apoiou as mãos na bancada, respirou fundo e fechou os olhos.
— Meu Deus… — murmurou, rindo baixo. — O que eu fiz da minha vida?
Mas ela sabia exatamente o que tinha feito.
Escolheu ele.
Escolheu sentir.
E aquilo não parecia errado nem por um segundo.
Do banheiro, Natália gritou:
— O café tá pronto, mulher?! Eu tô voando aqui!
Sofia revirou os olhos, tentando parecer normal, mesmo sozinha.
— Tá quase! — gritou de volta.
Mas a verdade era…
Nada estava “normal”.
Ela estava diferente.
Mais leve.
Mais viva.
Mais dela mesma.
E Thomas tinha sido o responsável por isso — por apertar o mundo ao redor e fazer parecer que só os dois existiam naquela madrugada.
O dia estava só começando.
___
A MonteiroCorp estava em seu ritmo normal.
Mas para Sofia… nada estava normal.
Depois de muita fofoca, risada e café na copa, ela voltou ao escritório — tentando agir como se não tivesse vivido a melhor noite da sua vida.
Mas era impossível.
Sempre que alguém passava perto, ela tinha certeza de que encaravam por um segundo a mais.
Como se lessem no rosto dela que algo tinha mudado.
E tinha.
Ela.
E ele.
Sofia sentou-se, respirou fundo, abriu o computador.
Tentou focar.
Ler uma linha.
Voltar.
Ler de novo.
Nada ficava na cabeça.
O corpo dela ainda lembrava o toque dele.
O peso do corpo dele sobre o dela.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...