O JULGAMENTO
O fórum estava cheio.
Não de gente — mas de peso.
Câmeras proibidas. Vozes baixas.
O ar parecia grosso.
Na primeira fileira, Eloise, Augusto, Emma, Thiago, Nathalia, Laís, Heitor.
Carlos e Cláudia também estavam lá.
José e Márcia chegaram juntos, mais cedo.
Márcia ainda caminhava devagar, mas firme, apoiada no braço dele.
Não havia medo no rosto dela — havia decisão.
Quando viram Eloise e Augusto, José apenas disse, baixo:
> — Hoje… acaba.
Eloise assentiu.
Márcia sorriu pequeno, ainda pálida, mas com uma força nova:
> — Eu vou falar o que precisa ser dito.
Não deixo mais ninguém ser quebrada por gente assim.
Augusto tocou o ombro de José, firme.
Era promessa silenciosa:
Eles vieram para vencer.
Thomas entrou.
Terno azul escuro.
Expressão fria.
Passos firmes.
Ele não era só policial naquele dia.
Ele era testemunha.
À direita, Sofia.
Cabelo preso com firmeza, postura impecável.
Papelada organizada por cores.
Ela não falava — mas estava presente como lâmina ao lado do advogado.
E então ele chegou.
Dante Siqueira.
Advogado criminalista.
Costume impecável, gravata preta, relógio caro, olhar de quem não perde caso.
A sala reconheceu a energia dele imediatamente.
— Bom dia, excelência. — sua voz cortou o ar como gelo fino.
O juiz assentiu.
— Vamos começar.
Os réus entraram
Lorenzo Mello foi trazido primeiro.
Terno barato. Olhar vazio.
Mas ao ver Márcia... os olhos dele tremeram, por vergonha.
Thamires entrou algemada.
Cabelo arrumado, postura erguida.
Mas a boca… amarga.
O olhar dela encontrou Eloise — e Eloise não desviou.
Antônio parecia menor.
Sem o poder dos outros tempos.
Sem terno.
Sem a máscara de patriarca.
E enfim…
Carla Martins.
Salto alto, blazer impecável, como se estivesse indo negociar bilhões.
Sorriso frio.
Mas o tribunal não era o palco dela.
Não mais.
O juiz leu os crimes:
Associação criminosa
Fraude
Sequestro
Tentativa de homicídio
Tráfico humano
Abuso de incapazes
Corrupção ativa
Lavagem de dinheiro
O peso das palavras parecia afundar a sala.
Carla sorriu. Lorenzo engoliu seco. Thamires manteve o queixo alto. Antônio nem levantou o rosto.
— Testemunha, por favor.
Thomas se levantou.
Seu juramento saiu firme.
— Prometo dizer a verdade. Nada além da verdade.
Dante aproximou-se devagar.
— Investigador Thomas Albuquerque, poderia relatar ao tribunal como teve início essa investigação?
Thomas contou.
Não só fatos.
A cronologia do horror.
Como as filiais começaram a desviar fundos.
Como meninas desapareciam.
Como Carla usava o nome de famílias poderosas para se proteger.
Como Lorenzo manipulou transação de dinheiro.
Como Thamires tentou matar Eloise duas vezes.
Como Antônio está envolvido em tudo.
Sofia passava documentos, fotos, datas, registros.
Dante dizia:
— Excelência, peça número 14. — Protocolo anexado. — Confirma a autenticidade? — Confirmada.
Cada peça encaixada.
Como um tiro no coração de cada réu.
Dante se levantou.
— Chamamos agora a testemunha Márcia Mello.
— Testemunha, por favor.
Thomas se levantou.
Seu juramento saiu firme, sem hesitação:
— Prometo dizer a verdade. Nada além da verdade.
Dante Siqueira aproximou-se, postura calculada.
— Investigador Thomas Albuquerque, poderia relatar ao tribunal como teve início esta investigação?
Thomas contou.
Não apenas fatos.
Ele entregou a linha do tempo da violência:
Como filiais começaram a desviar fundos.
Como meninas desapareceram sem deixar rastro.
Como Carla usava sobrenomes grandes para se blindar.
Como Lorenzo lavava o dinheiro.
Como Thamires tentou matar Eloise duas vezes.
Como Antônio financiava e coordenava tudo.
Sofia passava provas, documentos, fotos, laudos, como extensão dos movimentos dele.
— Excelência, peça número 14. — Dante solicitou. — Autenticidade confirmada?
— Confirmada. — respondeu o juiz.
Cada prova encaixava como ferro quente sobre pedra.
Quando Thomas terminou, não havia defesa possível.
— Chamamos agora a testemunha Márcia Mello. — anunciou Dante.
O tribunal se ajustou.
Eloise segurou o ar.
José apenas ergueu os olhos.
Thomas apertou o maxilar.
Márcia levantou-se.
E caminhou.
Não como vítima.
Mas como alguém que morreu e voltou.
O juiz leu a sentença:
Antônio Mello foi o primeiro a ouvir a sentença.
O silêncio na sala parecia pesar o dobro.
O juiz leu, sem pressa:
— Antônio Mello, o senhor é condenado a 30 anos de reclusão em regime fechado, pelos crimes de tentativa de homicídio, formação de organização criminosa, conivência e participação em abuso infantil, além de lavagem de dinheiro.
Um murmúrio baixíssimo percorreu o plenário.
Mas o juiz não tinha terminado.
— Ressalto ainda que, diante das provas anexadas e dos depoimentos coletados, haverá abertura de processo adicional, este exclusivo para apurar sua participação — junto à ré Carla Martins — em crimes de tráfico humano, tráfico infantil, tráfico de órgãos e comércio sexual forçado.
As palavras não foram gritadas. Foram ditas claras.
Inapeláveis.
— O senhor será transferido para Complexo de Segurança Máxima até o julgamento complementar.
Antônio, finalmente, perdeu o riso.
Não protestou. Não gritou. Não implorou.
Só sentou.
E pela primeira vez desde o penhasco…
parecia pequeno.
Lorenzo Mello foi o próximo.
A voz do juiz cortou a sala:
— Lorenzo Mello, pelos crimes de sequestro, lavagem de dinheiro, coação e associação criminosa, fica o senhor condenado a 20 anos de reclusão em regime fechado, sem possibilidade de redução de pena por bom comportamento nos primeiros 7 anos.
Lorenzo desabou.
Mas não foi arrependimento. Não foi culpa.
Foi orgulho ferido. A queda de alguém que acreditou que nunca cairia.
Ele chorou como quem perdeu o próprio nome.
Depois, Thamires Santana.
Ela chegou a endireitar a postura, como se ainda tivesse controle de alguma coisa.
O juiz continuou:
— Thamires Santana, pelos crimes de sequestro, coação, agressão e cumplicidade, tentativa de homicídio, fica a senhora condenada a 7 anos de reclusão em regime fechado, com medida obrigatória de acompanhamento psiquiátrico e psicológico durante todo o cumprimento da pena.
O sangue sumiu do rosto dela.
Pela primeira vez, o medo apareceu. Cru, verdadeiro.
Não havia pose. Não havia salto alto que sustentasse.
Só realidade.
E então o nome que mudou o ar na sala:
Carla Martins.
Não havia ruído. Nem respiração.
— Carla Martins, pelos crimes de tráfico humano, tráfico infantil, exploração sexual, formação de organização criminosa, sequestro e lavagem de dinheiro, fica a senhora condenada a 45 anos de reclusão em regime fechado, sem direito a fiança, sem acordo e sem progressão de regime até que se cumpram no mínimo 30 anos.
Carla não chorou. Não tremeu. Não implorou.
Só encarou o juiz — e perdeu.
Não foi uma queda dramática.
Foi uma rainha destronada.
Silenciosamente.
Thomas não sorriu. Sofia prendeu o ar. Eloise apertou a mão de Augusto.
Justiça não trouxe festa.
Trouxe fim.
O público respirou como se o ar tivesse voltado ao mundo.
Carla apenas murmurou:
— O jogo não acabou.
Dante respondeu antes do juiz sair:
— Para você, acabou sim.
Eloise abaixou a cabeça. Não em tristeza.
Em alívio.
Augusto a puxou contra o peito.
Thomas olhou para Sofia.
E pela primeira vez…
Sofia viu os olhos dele vacilarem.
Não de fraqueza.
De humanidade.
Hoje acabou o passado.
Agora começa a vida.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...