Página De Recomeço
O almoço se estendeu mais do que o planejado.
Não porque havia muita comida —
mas porque ninguém queria ir embora.
Eloise e Carlos riram lembrando da infância dela.
Cláudia contava histórias antigas de quando ela e Carlos eram muito jovens.
Augusto observava tudo com aquele olhar tranquilo, como quem guarda uma memória para não esquecer nunca.
Quando deu por volta das quatro da tarde, Augusto tocou de leve o braço de Eloise.
— Amor… vamos passar no hospital? — ele perguntou.
Eloise assentiu.
— Sim. Eu quero agradecer a Márcia.
Carlos e Cláudia se levantaram junto.
— Vão com calma — Carlos disse, com a voz macia. — A gente se vê depois.
Houve mais abraços, mais risos, mais promessas de estar perto.
O mundo estava mais leve.
— Vamos? — Augusto perguntou, entrelaçando os dedos aos dela.
Eloise sorriu.
— Vamos.
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No hospital.
O corredor cheirava a álcool e ar frio.
Augusto perguntou na recepção o número do quarto da Márcia Mello, e os dois caminharam até lá.
A porta estava meio aberta.
José estava sentado ao lado da cama, dando iogurte com frutas para Márcia — com a delicadeza de quem segura algo precioso.
— Opa… desculpa interromper. — Augusto disse, entrando com um sorriso contido.
José se atrapalhou um pouco, colocando a tigela sobre a mesinha.
Eloise tocou o braço dele, suave.
— Parar — Disse entre os dentes.
— Como vocês estão?
Márcia sorriu fraco — um sorriso cansado, mas real.
— Melhorando. — respondeu, a voz baixa, como se cada palavra exigisse cuidado.
José completou, orgulhoso e emocionado:
— Ela está se recuperando muito bem. Foi forte… como sempre foi. E salvou minha vida.
Márcia desviou o olhar, sem saber onde colocar as mãos.
— Não tem por que me agradecer. Se eu tivesse feito diferente… nada disso teria acontecido. — ela murmurou, quase como culpa.
José foi rápido — firme, porém doce.
— Ei. — ele segurou a mão dela com as duas mãos. — Não fala assim. Você foi corajosa. Você salvou a minha vida. E ninguém aqui vai apagar isso.
Márcia respirou fundo, deixando a verdade entrar devagar.
Eloise se aproximou.
— Obrigada. De verdade.
Márcia apenas sorriu. Pequeno. Verdadeiro.
Augusto olhou para Eloise — aquele olhar que diz chegou a hora.
Ele se levantou, ficou ao lado dela e colocou uma das mãos sobre a barriga dela.
O coração de Eloise bateu um pouco mais forte.
— Pai… — Augusto começou. — Nós queríamos contar algo.
José levantou os olhos.
Augusto sorriu — aquele sorriso bonito, que parecia nascer do peito.
— Estamos grávidos.
Ele riu logo depois.
— Nunca pensei que falaria isso desse jeito.
Por um segundo, o silêncio foi puro espanto.
Depois…
José levou a mão à boca.
— Meu Deus… — ele murmurou.
E então, como se tivesse voltado dez anos no tempo, ele abraçou Augusto forte, com orgulho e alívio e amor tudo misturado.
Ele se voltou para Eloise, emocionado de verdade.
— Eu posso…? — apontou para a barriga dela.
Eloise riu com lágrimas nos olhos.
— Claro que pode.
José tocou com cuidado — como se tocasse o próprio milagre.
— Minha neta… — ele sussurrou.
Augusto riu.
— Ou neto, pai.
José balançou a cabeça, sorrindo.
Todos riram.
Márcia também.
E foi um riso leve.
Reconhecimento.
Novo começo.
Naquele quarto de hospital, algo se realinhou.
Não era só perdão.
Era família.
De verdade.
Eloise olhou para Augusto, e eles souberam:
O pior já tinha passado.
Agora, era só viver.
Quando saíram do hospital, o céu já estava azulado, entre o fim da tarde e o começo da noite.
Augusto ainda parecia iluminado por dentro — um homem orgulhoso, feliz, completo.
— Amor… — ele disse, segurando a mão de Eloise como se fosse algo sagrado — vamos chamar todo mundo pra jantar. Eu quero contar pra eles. Eu preciso.
Eloise riu, encostando o ombro no dele.
— Augusto… as meninas já sabem.
— Mas eu quero falar. — ele insistiu, sorrindo feito menino. — Deixa eu me exibir um pouco.
Ela riu mais ainda.
— Tá bom. Você ganhou.
Eles mandaram mensagem no grupo.
As respostas vieram em segundos:
> LAIS: Só vamos.
NATHALIA: TÔ PULANDO, VAMOS
SOFIA: Já estou arrumando a franja
EMMA: Já avisei Thiago que hoje não vou aceitar pão sem manteiga
Augusto chamou Thiago,Thomas e Heitor.
Todos confirmaram presença.
No apartamento, Eloise foi para o quarto tomar banho e escolher a roupa.
Augusto se arrumou rápido e a deixou à vontade.
Na sala, ele aguardava — camisa social branca, paletó alinhado, o copo de whisky com gelo na mão.
A marca registrada de Augusto Monteiro: impecável, calmo, no controle.
Quando Eloise desceu.
Ele ficou imóvel.
— Que mulher linda. — disse, como se tivesse visto arte.


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Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...