SEGREDOS NA COPA
O dia começou com sol e mensagem no grupo das meninas.
Eloise:
Tenho novidades. Encontro vocês na copa.
Sofia:
… eu também tenho.
Nathalia:
MEU DEUS. SOFIA NÃO BRINCA COM A MINHA SAÚDE EMOCIONAL.
Lais e Emma responderam com emoji.
O clima já estava vivo antes mesmo da primeira xícara de café.
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Hall da MonteiroCorp
Emma e Thiago entraram de mãos dadas, sorrindo como dois adolescentes que acabaram de descobrir o amor.
— Eu quero que todas as safadas dessa empresa saibam que você tem dona. — Emma decretou, apertando a mão dele.
Thiago riu.
— Se quiser, eu uso coleira com seu nome.
Emma piscou, satisfeita.
— Boa ideia.
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No elevador da presidência, a porta abriu revelando Eloise e Augusto.
— Bom dia, Sofia. — Augusto cumprimentou.
Ele deu um beijo em Eloise, demorando um pouco mais do que o ambiente corporativo permitiria.
— Vou começar a trabalhar. Tem muita coisa pra colocar em ordem. Depois passa na minha sala para organizarmos a agenda. — ele disse.
Eloise assentiu.
— Entendido, senhor Monteiro.
Augusto se inclinou e sussurrou no ouvido dela, a voz baixa demais para ser inocente:
— Depois vou te mostrar o que o senhor Monteiro faz.
Eloise tentou não sorrir. Falhou miseravelmente.
Augusto caminhou em direção sua sala.
Sofia observava.
— Você está com um brilho diferente. — Eloise comentou.
As bochechas de Sofia ganharam cor de morango.
Eloise riu. Ali tinha segredo.
As portas do elevador abriram de novo, revelando Nathalia, Emma e Thiago.
— Bom dia. — Eloise sorriu. — Pela cara de vocês, dormiram muito bem.
Emma e Thiago se entreolharam com aquela expressão “não fazemos ideia do que é dormir”.
Thiago levantou a mão.
— Preciso ir, tenho reunião agora. — e saiu.
Nathalia seguiu logo atrás, falando algo sobre “respirar é opcional quando se tem cafeína”.
Pouco depois, Lais saiu de uma sala com cara de pós-guerra.
— Eu preciso de um café. — declarou.
— Então é Copa Time. — Eloise anunciou.
Na copa.
Nathalia tentava programar a máquina de café como se estivesse hackeando um satélite.
As outras já estavam sentadas à mesa.
Eloise inspirou fundo.
— Meninas… preciso da ajuda de vocês. — disse.
Todas olharam.
— Nós temos 8 semanas para organizar um casamento e um chá revelação.
As reações foram instantâneas.
Nathalia bateu a mão na mesa.
— OITO SEMANAS?!
VOCÊ QUER ME MATAR?
VOCÊ SABE QUE EU AMO FAZER FESTA MAS ISSO É UMA MISSÃO DE GUERRA.
Ela empurrou uma xícara para Eloise.
— Toma chá. Café tá proibido agora, dona grávida.
Eloise riu.
Emma bateu palminhas.
— Eu vou decorar mesa. Eu já tô vendo um tema. Eu já tô vendo arco, luzes, painel, foto 3D, almofada personalizada, confete biodegradável—
— Parou. — Lais interrompeu, rindo. — Primeiro: lugar. Já tem?
— Tem sim. — Eloise sorriu. — No jardim da nossa casa.
Todas suspiraram juntas.
Sofia segurou o peito.
— Isso vai ficar lindo.
Nathalia se virou para Sofia, arqueando a sobrancelha:
— Mas agora… você.
Qual é a sua novidade?
Sofia ficou rosa imediatamente.
Emma puxou Lais mais perto, como se fosse plateia.
— Gente, Lais ainda não sabe. — Emma sussurrou.
Lais piscou.
— Não sei o quê?
Nathalia abriu os braços, teatral:
— Sofia era virgem.
Emma arregalou os olhos.
— ERA?
Silêncio de meio segundo.
Sofia respirou fundo.
— Ontem… aconteceu.
Emma bateu na mesa:
— ALELUIA SENHOR, O ANJO DESCEU.
Nathalia abanou o rosto dela com uma revista:
— CARACA, RUIVINHA.
E AÍ??
Eloise inclinou o corpo para frente, rindo:
— Ele foi gentil?
Devagar?
Você se sentiu segura?
Sofia ficou vermelha até a alma, mas sorria, e um sorriso novo — cheio, confiante, bonito.
— Foi… tudo isso.
E mais.
Eu me senti… amada.
As meninas suspiraram ao mesmo tempo.
Lais bateu palmas.
— EU AMO QUANDO O DESTINO DÁ CERTO.
Nathalia limpou uma lágrima dramática que nem existia.
— Thomas. Quem diria. O homem-gelo.
Emma sorriu maliciosa.
— Agora é homem-vulcão.
Sofia escondeu o rosto nas mãos.
— Vocês são insuportáveis.
Mas ela ria. Feliz.
Eloise segurou a mão dela por um instante.
— Bem-vinda ao clube das que amam e são amadas.
Sofia apertou de volta.
— Obrigada por me acolherem meninas.
O mundo estava certo naquele momento.
A tempestade passou.
Agora era sobre florescer.
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Os dias passaram como quem costura um tecido rasgado: ponto a ponto.
Thomas estava mergulhado nos inquéritos — papéis, depoimentos, audiências.
Antônio respondia por tudo.
Lorenzo também.
Thamires aguardava julgamento em cela separada.
Carla aguardava transferência federal; seu império caindo como prédio mal construído.
Thomas parecia cansado — mas havia algo diferente nele agora.
Algo que Sofia sabia reconhecer:
direção.
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No hospital
Márcia se recuperava.
José estava sempre lá — levando sopa, passando pomada, ajeitando travesseiro.
Às vezes ele lia para ela. Às vezes só ficava sentado. Mas sempre ficava.
Márcia sorria fraco, mas sorria. A vida voltava aos poucos.
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Carlos preparou um jantar simples, só para dois. Vinho. Música baixa. Guardanapos dobrados com cuidado.
— Cláudia… — ele disse, tremendo um pouco. — Acredito que poderíamos pular etapas. Eu amo você, e quero dívida a vida ao seu lado. Quer casar comigo?
Cláudia chorou. Disse sim. Sim como quem diz encontrei meu lugar de novo.
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As semanas passaram.
A barriga de Eloise ainda era só um segredo.
Mas o coração dela… já carregava um mundo.
Nathalia estava com um tablet na mão.
E um lápis atrás da orelha.
E expressão de general.
— Meninas, foco. — ela dizia, apontando com o tablet como se fosse espada. — Falta decidir paleta. A festa é no jardim. A luz do final da tarde precisa conversar com as flores. Precisamos de coerência estética.
Emma piscou.
— Eu trouxe três pastas. Uma boho, uma romântica e uma clássica-chique-princesa-com-ataque-de-surtos-de-noiva.
— Vamos na terceira. — Lais sugeriu, já rindo.
Heitor gritou da cozinha:
— SE TIVER COMIDA TÁ ÓTIMO!
— SOME, HEITOR. — todas responderam ao mesmo tempo.
Augusto saiu de dentro de casa, camisa dobrada no antebraço, segurando um copo d’água para Eloise.
Ele colocou na mão dela sem perguntar.
— Bebe. — disse suave.
Eloise sorriu.
— Você é meu lar, Eloise.
Sempre foi.
E então, no meio do corredor branco demais e do som distante de passos —
Eles se beijaram.
Lento.
Certo.
Com promessa de futuro.
___
O dia tinha sido leve.
Ultrassom.
Risadas na cozinha.
O mundo parecendo finalmente entrar no eixo.
Augusto saiu para uma reunião no andar de baixo.
Eloise ficou na sala da presidência, terminando alguns relatórios, enquanto a manhã seguia lenta e boa.
Quando terminou, levantou para deixar alguns papéis na mesa de Augusto — algo simples, cotidiano.
Mas quando abriu a porta…
A mesa dele estava impecável, como sempre.
Exceto por uma pasta cinza, que não estava ali antes, meio aberta, com papéis meio desalinhados — como se tivessem sido vistos às pressas.
Ela não tocaria.
Não era o tipo de mulher que vasculhava.
Mas algo — algo pequeno, quase imperceptível — a chamou.
Na borda da pasta, a primeira folha tinha um timbre que ela reconheceu de longe:
Instituto Municipal de Medicina Legal.
Seu peito gelou.
Como quem caminha sem querer, ela puxou o papel pela ponta.
Era um recibo.
> Funerária São Miguel
Serviço: preparação, traslado e sepultamento
Nome do falecido: Lucas Castro
Pagador responsável: Augusto Monteiro
O mundo ficou silencioso demais.
Não silêncio normal.
Silêncio de quando o coração para antes de quebrar.
Os dedos de Eloise tremiam.
— Não… — ela sussurrou, voz vazia.
Lucas não estava preso. Lucas não estava em julgamento. Lucas não estava vivo.
Os olhos dela correram para outro papel — um relatório simples, carimbado.
> Óbito por queda de altura.
Autodeclarado ato voluntário.
A respiração dela falhou.
Não foi grito. Não foi desespero histriônico.
Foi um som baixo.
Um som de alma que entende algo tarde demais.
Augusto entrou no exato momento.
Abriu a porta e a encontrou ali: de pé, pálida, com o papel na mão.
Ele entendeu na hora.
— Amor… — ele disse, indo até ela.
Eloise deu um passo para trás — não rejeitando ele — recuando da dor.
— Você sabia. — ela disse, a voz quebrada, fina. — Você sabia o tempo todo.
Augusto respirou, devagar, como quem anda por vidro.
— Eu sabia. — respondeu, honesto. — E eu esperei você estar forte o suficiente para ouvir. Não queria que isso destruísse você de novo.
As lágrimas dela vieram quentes, rápidas.
— Eu não queria que ele morresse, Augusto. — a voz saiu abafada, trêmula. — Depois de tudo… depois de tudo que ele fez… eu só… eu só queria que ele tivesse encontrado um caminho. Qualquer caminho. Menos a morte.
Augusto a puxou para o peito — não com força — com cuidado, como quem segura algo precioso que pode se desfazer.
Ela chorou ali.
Pelo homem que se perdeu.
Pela história que terminou errado.
— Eu sei, meu amor. — Augusto murmurou, a voz baixa, firme. — Eu sei.
Ele passou a mão no cabelo dela, devagar.
— Eu paguei o enterro por respeito ao tio dele e a vida que foi pedida por ódio de terceiros. — ele confessou.
Eloise fechou os olhos com força, o rosto contra o peito dele.
Augusto encostou a testa na dela, segurando seu rosto com cuidado.
— Ei… respira comigo. — disse baixo. — A vida dele não estava mais nas suas mãos. Nem nas minhas. Ele fez escolhas que quebraram muita coisa, inclusive a si mesmo. Mas isso… não é seu fardo. Não foi você que o levou até lá.
Ela respirou fundo, ainda trêmula.
As lágrimas pararam devagar.
Não porque acabou. Mas porque finalmente foi dito.
Eloise levantou o rosto.
— Vamos para casa. — ela disse, com a voz fraca, mas decidida.
Augusto assentiu.
Ele entrelaçou os dedos nos dela.
E juntos, saíram da sala que guardava o último fantasma.
O passado tinha terminado ali.
De verdade, dessa vez.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...