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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 274

PREÇO DO CASTIGO

O portão de ferro se abriu com um estalo seco.

O som ecoou pelos corredores como um aviso.

Thamires Santana — salto trocado por chinelo, vestido de seda por uniforme laranja — cruzou o portão da penitenciária com o que restava da própria dignidade.

Do outro lado, uma mulher a esperava.

Uniforme laranja, olhar duro, sorriso debochado.

— Olha só quem veio conhecer o lado de dentro do império que destruiu. — A voz soou com veneno. — A princesa virou prisioneira.

Thamires ergueu o queixo.

— Melissa.

Melissa Oliveira.

A ex-parceira de Thamires — e que, por ironia, agora comandava o pavilhão.

Ali dentro, a palavra dela valia mais do que a de qualquer guarda.

— Você me lembra? — Melissa perguntou, se aproximando. — Fui eu quem você mandou para cá… prometeu ajuda e olha só. Mas as coisas mudaram.

Fez uma pausa curta, um sorriso torto.

— Mas aqui dentro, querida, quem manda sou eu.

Thamires manteve o olhar firme.

Não responderia.

Não daria a ela o prazer.

Mas o frio que subiu pelas costas dizia tudo:

A queda tinha sido completa.

— A cela seis é sua. — Melissa apontou com o queixo. — Espero que goste de limpeza… porque é a sua nova função.

Fez uma pausa e completou:

— Bem-vinda ao inferno, Tamires Santana.

A risada ecoou pelos corredores.

E, pela primeira vez, Thamires entendeu o que era estar sem poder algum.

O corredor da ala feminina da penitenciária cheirava a desinfetante barato e ferro velho.

O barulho dos baldes batendo no chão ecoava entre as paredes sujas.

Thamires esfregava o piso do banheiro com uma escova velha, o uniforme laranja manchado e as mãos já feridas pelo sabão.

Melissa, encostava na parede com um sorriso cruel.

— Capricha aí, princesinha. O chão ainda não tá brilhando como o teu passado — debochou.

As risadas das outras presas preencheram o ar.

Thamires manteve o rosto abaixado.

Não respondeu.

Não chorou.

Mas o ódio latejava por dentro.

Quando se levantou para trocar o balde, uma tontura a pegou de surpresa.

O mundo girou.

Ela encostou na parede, respirando com dificuldade.

— Tá passando mal, boneca? — Melissa zombou, rindo. — O castigo só começou.

Thamires não respondeu.

Correu até o canto e vomitou.

As detentas riram mais alto.

O riso parou.

Thamires levantou o olhar, ofegante.

O silêncio pesou por um segundo.

E então, tudo escureceu.

O corpo dela tombou no chão frio.

As vozes ficaram distantes, embaralhadas.

O último som que ouviu foi o de uma das guardas gritando:

— Chama o médico!

Na enfermaria da penitenciária.

A claridade do abajur médico feria os olhos.

O cheiro de álcool e metal queimava as narinas.

Thamires abriu os olhos devagar, confusa.

O som de um monitor cardíaco pulsava ao fundo.

Um médico de jaleco simples consultava uma prancheta.

Olhou pra ela por cima dos óculos.

— Acordou, enfim. — disse num tom neutro, acostumado a tragédias.

Thamires tentou sentar, mas o corpo não obedeceu.

— O que… o que aconteceu?

O médico folheou as anotações, sem pressa.

— Desmaiou no refeitório, segundo o relatório das guardas. Pressão baixa.

Fez uma pausa.

— E anemia severa.

Ela suspirou, fechando os olhos.

— Só isso?

O médico não respondeu de imediato.

Apenas retirou os óculos, encarando-a com um olhar técnico, porém cuidadoso.

— Não. Não é só isso.

Thamires ergueu o olhar, confusa.

— Como assim?

Ele respirou fundo, apoiando as mãos no prontuário.

— Está grávida. Aproximadamente oito semanas.

O tempo parou.

Por um instante, Thamires achou que não tinha ouvido direito.

A garganta secou.

O som do monitor pareceu mais alto, o coração dela também.

— Grávida? — repetiu, num fio de voz. — Isso é uma piada?

— Fizemos o teste duas vezes. Está confirmado. — respondeu o médico, impassível.

Thamires levou as mãos à cabeça.

Riu.

Mas não era riso de alegria.

Era incredulidade, desespero e raiva misturados.

— Isso só pode ser um castigo — murmurou, entre os dentes. — Não é possível…

O médico fez uma anotação e acrescentou, sem olhar pra ela:

— Vai precisar de acompanhamento e suplementação. Vou pedir pra enfermaria providenciar os comprimidos.

Thamires tentou se levantar, a voz trêmula, misto de desespero e raiva:

— Eu quero tirar. Me dá alguma coisa agora!

O médico respirou fundo, paciente, mas firme:

— Thamires, não é assim que funciona. E eu não posso fazer isso.

Thamires encarou o teto.

O olhar vazio.

Por dentro, o medo deu lugar a algo mais frio.

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