PREÇO DO CASTIGO
O portão de ferro se abriu com um estalo seco.
O som ecoou pelos corredores como um aviso.
Thamires Santana — salto trocado por chinelo, vestido de seda por uniforme laranja — cruzou o portão da penitenciária com o que restava da própria dignidade.
Do outro lado, uma mulher a esperava.
Uniforme laranja, olhar duro, sorriso debochado.
— Olha só quem veio conhecer o lado de dentro do império que destruiu. — A voz soou com veneno. — A princesa virou prisioneira.
Thamires ergueu o queixo.
— Melissa.
Melissa Oliveira.
A ex-parceira de Thamires — e que, por ironia, agora comandava o pavilhão.
Ali dentro, a palavra dela valia mais do que a de qualquer guarda.
— Você me lembra? — Melissa perguntou, se aproximando. — Fui eu quem você mandou para cá… prometeu ajuda e olha só. Mas as coisas mudaram.
Fez uma pausa curta, um sorriso torto.
— Mas aqui dentro, querida, quem manda sou eu.
Thamires manteve o olhar firme.
Não responderia.
Não daria a ela o prazer.
Mas o frio que subiu pelas costas dizia tudo:
A queda tinha sido completa.
— A cela seis é sua. — Melissa apontou com o queixo. — Espero que goste de limpeza… porque é a sua nova função.
Fez uma pausa e completou:
— Bem-vinda ao inferno, Tamires Santana.
A risada ecoou pelos corredores.
E, pela primeira vez, Thamires entendeu o que era estar sem poder algum.
O corredor da ala feminina da penitenciária cheirava a desinfetante barato e ferro velho.
O barulho dos baldes batendo no chão ecoava entre as paredes sujas.
Thamires esfregava o piso do banheiro com uma escova velha, o uniforme laranja manchado e as mãos já feridas pelo sabão.
Melissa, encostava na parede com um sorriso cruel.
— Capricha aí, princesinha. O chão ainda não tá brilhando como o teu passado — debochou.
As risadas das outras presas preencheram o ar.
Thamires manteve o rosto abaixado.
Não respondeu.
Não chorou.
Mas o ódio latejava por dentro.
Quando se levantou para trocar o balde, uma tontura a pegou de surpresa.
O mundo girou.
Ela encostou na parede, respirando com dificuldade.
— Tá passando mal, boneca? — Melissa zombou, rindo. — O castigo só começou.
Thamires não respondeu.
Correu até o canto e vomitou.
As detentas riram mais alto.
O riso parou.
Thamires levantou o olhar, ofegante.
O silêncio pesou por um segundo.
E então, tudo escureceu.
O corpo dela tombou no chão frio.
As vozes ficaram distantes, embaralhadas.
O último som que ouviu foi o de uma das guardas gritando:
— Chama o médico!
Na enfermaria da penitenciária.
A claridade do abajur médico feria os olhos.
O cheiro de álcool e metal queimava as narinas.
Thamires abriu os olhos devagar, confusa.
O som de um monitor cardíaco pulsava ao fundo.
Um médico de jaleco simples consultava uma prancheta.
Olhou pra ela por cima dos óculos.
— Acordou, enfim. — disse num tom neutro, acostumado a tragédias.
Thamires tentou sentar, mas o corpo não obedeceu.
— O que… o que aconteceu?
O médico folheou as anotações, sem pressa.
— Desmaiou no refeitório, segundo o relatório das guardas. Pressão baixa.
Fez uma pausa.
— E anemia severa.
Ela suspirou, fechando os olhos.
— Só isso?
O médico não respondeu de imediato.
Apenas retirou os óculos, encarando-a com um olhar técnico, porém cuidadoso.
— Não. Não é só isso.
Thamires ergueu o olhar, confusa.
— Como assim?
Ele respirou fundo, apoiando as mãos no prontuário.
— Está grávida. Aproximadamente oito semanas.
O tempo parou.
Por um instante, Thamires achou que não tinha ouvido direito.
A garganta secou.
O som do monitor pareceu mais alto, o coração dela também.
— Grávida? — repetiu, num fio de voz. — Isso é uma piada?
— Fizemos o teste duas vezes. Está confirmado. — respondeu o médico, impassível.
Thamires levou as mãos à cabeça.
Riu.
Mas não era riso de alegria.
Era incredulidade, desespero e raiva misturados.
— Isso só pode ser um castigo — murmurou, entre os dentes. — Não é possível…
O médico fez uma anotação e acrescentou, sem olhar pra ela:
— Vai precisar de acompanhamento e suplementação. Vou pedir pra enfermaria providenciar os comprimidos.
Thamires tentou se levantar, a voz trêmula, misto de desespero e raiva:
— Eu quero tirar. Me dá alguma coisa agora!
O médico respirou fundo, paciente, mas firme:
— Thamires, não é assim que funciona. E eu não posso fazer isso.
Thamires encarou o teto.
O olhar vazio.
Por dentro, o medo deu lugar a algo mais frio.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...