A delegacia amanheceu em silêncio — mas não era um silêncio calmo.
Era o tipo que pesa no ar.
Que gruda no peito.
Que anuncia que o pior já aconteceu… mas o depois pode ser ainda mais difícil.
Thomas estava sentado na sala de investigação, a bolsa da Sofia ao lado dele, o corte do lábio dela na memória, a frase na parede queimando nos olhos:
“Não está sozinho, Dom.”
Ele não conseguia tirar isso da cabeça.
Não conseguia estar inteiro dentro do corpo.
Mãos entrelaçadas.
Respiração curta.
Olhar perdido.
Até que a porta se abriu sem bater.
Bruna entrou.
Ela fechou a porta atrás de si, como se quisesse um momento privado.
— Thomas… — a voz dela veio suave demais. — Eu sei que foi uma noite difícil. E sei que é quase impossível equilibrar uma vida assim. Essa profissão já destruiu muito relacionamento. Sofia e a família dela não têm ideia do que é estar do nosso lado.
Thomas ergueu lentamente o olhar.
Frio.
Hostil.
— Bruna. — ele disse, firme. — Não fale da Sofia.
Ela piscou, surpresa.
— Não foi isso que eu quis dizer. Eu só… acho que talvez ela nunca vá entender—
Ele se levantou.
Lento.
Controlado.
Perigoso.
— Minha vida pessoal não te diz respeito. E a Sofia não é assunto seu.
A tensão ficou tão densa que parecia quebrar no ar.
Bruna abriu a boca para responder…
Mas Thomas já tinha passado por ela.
— Eu vou pro hospital. — disse. — Com licença.
E saiu, deixando ela travada na sala, engolindo a frustração.
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HOSPITAL SÃO GABRIEL – 11h14
O corredor cheirava a antisséptico.
A luz branca machucava os olhos.
O clima era pesado, mas vivo — gente passando, portas batendo, médicos chamando nomes.
Thomas parou diante da porta do quarto.
Mão na maçaneta.
Pulso tremendo.
Ele ouviu as vozes primeiro.
Vozes tensas.
Vozes familiares.
O pai de Sofia, duro:
— A gente tá indo pra casa, Sofia. Você vem com a gente. Hoje.
A mãe, chorosa:
— Não quero você nem um minuto sozinha nessa cidade. Isso quase te matou!
Silêncio.
E então…
A voz de Sofia.
Não fraca.
Não tremendo.
Não quebrada.
Firme.
Madura.
Quase… transformada.
— Eu não vou embora.
Thomas congelou.
— Sofia… — a mãe protestou. — Você não entende! Isso nunca teria acontecido se—
— Eu entendo MUITO bem. — Sofia interrompeu, sem elevar a voz, mas com uma autoridade que calou o quarto inteiro. — Mas mudar de cidade não é solução. Minha vida é aqui.
Os pais ficaram em silêncio.
Ela continuou:
— Minha faculdade é aqui. Minha carreira tá começando. Eu estou no MELHOR escritório da cidade. Não vou jogar isso fora porque alguém tentou me quebrar.
Respirou fundo.
— E eu confio no Thomas. Ele vai achar quem fez isso.
O coração dele bateu tão forte que doeu.
A mãe tentou argumentar:
— Mas, filha…
E Sofia completou, suave:
— Eu sei que vocês estão com medo. Eu também estou.
— Mas eu não vou viver fugindo.
Silêncio.
Pesado.
Respeitoso.
Admirado.
Thomas fechou os olhos.
Aquela era sua ruivinha.
Mas ao mesmo tempo… não era.
Era mais.
Muito mais.
Uma mulher renascida do próprio trauma.
Quando ele finalmente abriu a porta, Sofia virou o rosto para ele.
Os olhos estavam marcados, mas acesos.
— Thomas…
Ele se aproximou devagar.
— Como você está?
Ela sorriu de leve, mesmo com o lábio machucado.
— Viva. — respondeu. — E com muita coisa pra falar com você.
O pai dela observava em silêncio — não mais com raiva, mas com um ressentimento duro, protetor.
A mãe enxugava o rosto.
Joel encostado na parede, braços cruzados, mas claramente aliviado.
Thomas desviou o olhar, respirou fundo.

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...