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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 347

Do outro lado da cidade, em um apartamento alto demais para chamar atenção,

a segunda peça do jogo andava de um lado a outro.

O salto ecoava no piso frio.

Ritmo constante. Preciso.

Quase matemático.

Ela estava irritada.

Não gritava.

Não quebrava nada.

Não perdia a compostura.

Mas a mandíbula rígida denunciava o que o corpo tentava esconder.

E os olhos — duros demais — não piscavam.

— Eu te avisei. — disse, por fim, parando à frente da Nicole. — Disse que ela não podia se aproximar tanto.

Mas Nicole não se moveu.

Elegante.

Postura relaxada demais para quem acabara de ser confrontada.

As mãos repousavam no colo, como se o mundo estivesse exatamente onde deveria estar.

— Sofia não estava nos planos — respondeu, com a voz baixa e firme. — Mas agora está.

A mulher soltou uma risada curta. Sem humor.

— Você prometeu que ela seria contida.

Nicole manteve a expressão neutra.

— E será.

A mulher deu um passo à frente.

— Quando?

Nicole finalmente se levantou.

Movimento lento. Calculado.

— Tudo tem sua hora.

A mulher a sua frente estreitou os olhos.

— Essa hora já passou.

Nicole inclinou a cabeça, observando-a como quem analisa um erro técnico.

— Não. — corrigiu. — O erro foi seu.

O silêncio caiu pesado entre elas.

— Meu? — a mulher perguntou, o tom baixo, perigoso.

— Sim. — Nicole caminhou até o bar, servindo-se de um pouco de água. — Você se deixou ver. Deixou emoção entrar no jogo. Isso nunca termina bem.

A mulher virou o rosto, respirando fundo.

— Ela é inteligente demais. — disse, por fim. — Vê coisas que ninguém vê.

Nicole parou diante da janela.

A cidade brilhava abaixo. Pequena. Controlável.

— Eu sei.

Virou-se devagar.

— Eu te avisei sobre Sofia.

a mulher franziu o cenho.

— Avisou como?

A senhora Martins sustentou o olhar.

— Disse que queria ouvi-la antes de decidir qualquer coisa.

O salto da mulher bateu seco no chão.

— Ouvi-la?

— Sim. — Nicole aproximou-se um passo. — Porque mulheres como ela não falam por impulso. Elas revelam quem são nos silêncios.

A mulher cruzou os braços.

— Você quer jogar junto com ela? Nessa altura do campeonato.

Um quase sorriso surgiu nos lábios da Nicole

— Não confunda, reconheço mulheres esperta e respeito. Mas não tenho simpatia.

O ar ficou mais pesado.

— Sofia deixou de ser espectadora — continuou. — Cruzou limites. Tocou onde não deveria. E, pior… descobriu minha identidade rápido demais, no tempo dela, não no meu.

A mulher apertou os dedos.

— Então por que ainda não agiu?

Nicole encarou, sem desviar.

— Porque agora é o momento certo.

Ela caminhou até a mesa. Pegou um tablet.

Alguns segundos de silêncio.

— Até aqui, Sofia jogava no campo da narrativa. — levantou o olhar. — A partir de agora, vamos jogar no campo aberto.

A mulher sentiu o estômago retesar.

— O que você fez?

— Nada ainda. — respondeu, tranquila. — Mas já preparei tudo.

Nicole deslizou o tablet na direção da mulher

— Sofia não será mais vista como ameaça ao esquema. — pausa. — Será vista como risco à estabilidade de uma investigação sensível.

A mulher percorreu a tela.

E sorriu.

Devagar.

Predatória.

— Você vai sujar o nome dela.

— Não. — corrigiu a Nicole — Vou confundir.

Ela se aproximou mais.

— Quando a verdade começa a parecer excessiva… as pessoas preferem a mentira confortável.

A mulher soltou o ar, satisfeita.

— E o policial?

Nicole inclinou a cabeça.

— Thomas é previsível. Protege. Reage. Se expõe.

Um segundo de silêncio.

— Sofia, não.

A mulher ergueu o olhar.

— Então agora?

Nicole sustentou o olhar dela.

— Agora chegou a hora.

Ela virou-se novamente para a janela.

— A ponte atravessa quando ninguém percebe.

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