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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 36

Os dias seguintes passaram rápido demais.

Rápido o bastante para quem olha de fora achar tudo normal.

Mas Sofia sentia — no peito, nos silêncios, nos detalhes — que nada estava normal.

Thomas a buscava na faculdade.

A deixava no estágio.

Quando não podia, mandava Alex.

Presente.

Atento.

Protetor.

Mas distante.

Como se estivesse sempre com metade do corpo ali…

e metade preso em algum lugar escuro que ela não alcançava.

Sofia nunca duvidou do amor dele.

Nunca.

Nem por um segundo.

Mas havia um abismo entre eles.

Um que ela não sabia como atravessar.

---

Já passa do meio dia Sofia decidiu almoçar no restaurante em frente ao escritório de advocacia.

Estava cansada, com fome, e sem vontade de chama Thomas mais uma vez para almoçar juntos e ele recusa.

Ela estava mexendo no cardápio quando ouviu uma voz conhecida atrás dela:

— Foi Sofia. Tudo bem?

Ela virou-se imediatamente, sorrindo.

— Oi, Enzo! Tudo bem e com você?

Ele estava de camiseta preta, jeans, sorriso gentil.

O tipo de presença leve que não pesa no ambiente.

— Melhor agora — ele brincou. — Posso sentar, ou está esperando alguém?

Sofia balançou a cabeça.

— Pode sentar. Almoçar sozinha é triste demais — riu.

Os dois se acomodaram.

A conversa fluiu fácil.

Falavam sobre comida, viagens, trabalho…

até que chegaram no assunto que sempre iluminava Sofia: o Direito.

Sofia gesticulava, explicava, sorria, os olhos brilhando.

— Desculpa, eu falo demais — ela interrompeu, rindo de si mesma.

Enzo observou por um instante.

Com atenção.

Com admiração.

— Não, por favor. — disse sincero. — É muito bom ouvir você falar assim.

Ela corou na hora.

Ele percebeu.

— Digo… porque você fala com paixão. É bonito de ver. Só isso. — corrigiu rápido, meio tímido.

Sofia mordeu o lábio, sem graça.

E foi nesse exato segundo que a porta do restaurante se abriu com um toque firme — quase agressivo.

Thomas.

Entrando com a postura de quem estava preparado para briga.

Os olhos de águia varreram o salão inteiro em meio segundo, até pousarem na mesa.

Na mesa onde Enzo sorria.

Na mesa onde Sofia sorria de volta.

A expressão de Thomas fechou de imediato.

Ele caminhou até ali com passos calculados.

— Sofia — disse, firme. — Eu disse pra você me esperar.

Sofia levantou, surpresa.

— Como? Você disse que ia demorar pra me buscar… eu estava com fome. Só isso.

Thomas não respondeu.

Apenas inclinou o corpo e lhe deu um beijo na boca.

Um beijo rápido.

Marcado.

Possessivo.

Sofia congelou por dentro.

Aquilo não era carinho.

Não era saudade.

Era território.

> Eu não sou propriedade de ninguém.

O pensamento atravessou o peito dela como um raio.

Ela respirou fundo antes de se recompor.

— Ah… esse é o Enzo. Irmão da Emma — ela apresentou com educação.

Thomas virou-se para ele.

— Thomas. — disse seco. — Namorado da Sofia.

Enzo estendeu a mão.

— Prazer. Então você é o famoso policial que a Emma e a Sofia comentam tanto.

Thomas apertou a mão dele forte demais.

— Famoso eu não sei.

Mas policial sim.

E dos bons. — sorriu, mas o sorriso tinha corte.

Enzo percebeu. Claro que percebeu.

Sofia desejou desaparecer debaixo da mesa.

Thomas voltou-se para ela.

— Vamos ruivinha.

Ele pegou a mão dela — um gesto que ele não fazia há dias — e puxou sutilmente, marcando presença.

Sofia olhou para trás enquanto era levada.

— Tchau, Enzo… obrigado pela companhia — disse com um sorriso constrangido.

— Sempre que quiser — Enzo respondeu, sincero.

Thomas apertou ainda mais a mão dela.

Sofia sentiu.

Viu.

Entendeu.

— Por que não toca mais em mim?

— Por que não consegue colocar a mão na minha perna enquanto dirige — como sempre fez?

— O QUE EU FIZ?

Uma lágrima desceu sozinha.

E Thomas congelou.

No mesmo instante, a porta do apartamento abriu.

Nathalia apareceu, assustada.

— GENTE? O que está acontecendo?

Sofia entrou sem esperar resposta.

— Não quero conversar. Prefiro adiar. — murmurou, a voz já quebrada.

Ela desapareceu no quarto e bateu a porta.

Nathalia ficou parada diante de Thomas, os braços cruzados.

Thomas tentou começar:

— Ela estava almoçando com outro homem, tal de Enzo que eu não conheço. Você acha normal....

Mas Nathalia ergueu a mão e o cortou, firme:

— Então é isso. Tudo isso… por causa do Enzo?

Thomas fechou a boca, tenso.

Nathalia cruzou os braços.

— Pelo amor de Deus, Thomas. A Sofia já deixou MUITO claro que é comprometida. — Ela deu um passo à frente, encarando ele.

— Thomas… sabe o que eu não acho normal? Você surtar porque ela estava almoçando com ele.

Ele franziu o cenho.

— E eu não acho normal você fingir que está tudo bem enquanto ela sofre. — Nathalia rebateu, firme. — Eu não digo nada, mas eu vejo.

Thomas desviou o olhar.

Culpado.

Nathalia deu um passo à frente, analisando ele como se lesse sua alma.

— Sabe o que está acontecendo? — ela disse. — Você está com medo de perder. Só que, do jeito que está agindo, é você que está empurrando ela pra longe.

Ele ficou mudo.

— Sofia está tentando ficar. — Nathalia continuou. — Tentando todos os dias. Tentando te alcançar. Tentando te amar, mesmo você colocando barreiras em tudo.

Thomas apertou os punhos.

Nathalia completou, sem piedade:

— Não reclame se outro abrir a porta quando você está trancando.

— Bonita, inteligente e gentil daquele jeito? Até eu — se gostasse de mulher — ia querer.

Thomas soltou o ar como se tivesse levado um soco.

O elevador abriu.

Ele entrou.

Antes da porta fechar, Nathalia disse:

— Ela te ama, idiota. E você também ama ela. Para de fugir do que sente.

Thomas passou as mãos no rosto.

— Merda… — murmurou, a voz falhando.

A porta fechou.

E ele desceu.

Carregando a certeza de que, se não mudasse alguma coisa rápido…

Ele iria perder a mulher da vida dele.

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