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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 442

O corredor da clínica parecia longo demais.

Emma caminhava em silêncio, a bolsa presa ao ombro como se fosse um escudo.

Thiago segurava os papéis dos exames, mas não olhava para eles.

Quando entraram no carro, o silêncio ficou mais pesado.

Ele ligou o motor.

Desligou.

Olhou para ela.

— Amor…

Ela mexia no celular.

— A gente precisa conversar sobre o congelamento. — ele disse com cuidado.

— A Clara explicou tudo. — Emma respondeu rápido demais. — É simples. A gente faz e pronto.

Simples.

A palavra soou deslocada.

Thiago respirou fundo.

— Eu sei que você está com medo.

Ela riu, curta.

— Eu não estou com medo. Estou atrasada.

Ele a encarou.

— Emma—

— Eu tenho aquela reunião com o financeiro hoje, lembra? — ela interrompeu. — Preciso revisar os números antes do meio-dia.

Thiago ficou em silêncio.

Ela estava mudando de assunto.

Não por frieza.

Por sobrevivência.

— Você não precisa ir hoje. — ele disse.

Ela virou o rosto para a janela.

— Preciso sim.

A frase não era sobre trabalho.

Era sobre controle.

E controle era a única coisa que ela ainda acreditava ter.

Emma tentou ficar até o fim do expediente.

Tentou.

Mas o corpo não colaborava.

O cansaço não era comum.

Era pesado. Denso. Como se cada movimento exigisse negociação.

Ao meio-dia em ponto, ela fechou o computador devagar, como se o barulho pudesse denunciá-la.

Levantou-se, ajeitou a bolsa no ombro e foi até a mesa da secretária.

— Vou sair agora. — disse baixo. — Não volto mais hoje.

A secretária levantou o olhar, surpresa.

— Tudo bem, Emma.

Ela assentiu e seguiu pelo corredor.

O som dos próprios passos ecoava demais.

Ao passar próximo ao café interno, ouviu vozes.

Não eram sussurros.

Nem gritos.

E foi exatamente por isso que doeram.

— Já vai embora de novo? — disse uma mulher, rindo. — Trabalha quatro horas e ganha o triplo da gente.

— Ah, mas também… — a outra respondeu, debochada. — É só namorar o vice-presidente.

Emma não parou.

Não olhou.

Mas cada palavra ficou.

Cravou.

Entrou no elevador com o maxilar travado.

As portas se fecharam, e o reflexo no espelho devolveu um rosto pálido demais para aquela versão dela.

Quando chegou ao apartamento, largou a bolsa no sofá.

Sentou.

Depois levantou.

Depois sentou de novo.

O silêncio começou a falar.

E não era gentil.

"Você está virando um peso."

Ela fechou os olhos.

Inútil.

A mão foi ao rosto.

"Era melhor morrer logo."

Ela abriu os olhos de repente, assustada com o próprio pensamento.

— Para… — murmurou para o vazio.

Foi até o minibar quase no automático.

Serviu uma dose de whisky.

Bebeu de uma vez.

O líquido queimou, mas não silenciou nada.

O espelho da sala refletia tudo:

o corpo cansado,

o rosto abatido,

a mulher que ela não reconhecia mais.

— Olha pra você… — disse em voz alta, a garganta apertada.

O copo voou antes que ela percebesse.

O som do vidro se espatifando ecoou pela sala.

Depois outro.

E outro.

Garrafas sendo derrubadas, quebradas, estilhaçadas.

Não era raiva do álcool.

Era raiva do corpo.

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