A água caía contínua sobre o corpo de Emma.
Quente demais.
Como se tentasse apagar algo por dentro.
Ela encostou a testa na parede do box, os olhos fechados, o peito subindo e descendo de forma irregular.
As palavras voltaram.
Uma por uma.
Duras.
Injustas.
Ela se deu conta, ali, sob a água que escorria pelos ombros, de que Thiago não merecia nada daquilo.
Não aquele tom.
Não aquelas acusações.
Não aquela dor jogada nele como se fosse culpa.
O choro veio mais forte.
Sem controle.
Sem tentativa de conter.
Porque doía estar doente…
mas doía ainda mais perceber que tinha machucado quem só estava tentando ficar.
Quando saiu do banho, o corpo parecia pesar o dobro.
Vestiu o roupão devagar, arrastando os pés até o quarto.
Deitou-se na cama e puxou o edredom até a altura do rosto, como se pudesse se esconder do mundo inteiro.
Do medo.
De si mesma.
Do que viria.
Encolheu-se.
E chorou em silêncio.
O choro foi diminuindo… até que o cansaço venceu.
E ela adormeceu.
Na sala, Thiago ainda estava ajoelhado no chão.
Respirou fundo.
Passou a mão pelo rosto uma única vez.
Depois se levantou.
Arregaçou as mangas da camisa.
Pegou a pá, a vassoura, o aspirador, o mope.
Sem pressa.
Sem raiva.
Varreu os cacos com cuidado, recolhendo cada pedaço de vidro como se aquilo também fosse parte do que precisava ser consertado.
Aspirou o chão.
Limpou.
Organizou o que restou.
A sala voltou a parecer um lar.
Mesmo que o caos ainda estivesse ali — invisível.
Foi para a cozinha.
Abriu o celular, pesquisou uma receita simples.
Sopa.
Algo leve.
Algo quente.
Algo que cuidasse sem exigir.
Enquanto mexia a panela, pensou em Emma.
No que ela estava sentindo.
No que ela não conseguia dizer.
E respeitou o silêncio.
Porque entendia.
Entendia que, para ela, tudo era três vezes mais difícil.
O corpo.
A mente.
O medo.
Ele não precisava cobrar presença.
Nem força.
Nem explicações.
Ele só precisava estar ali.
E estava.
Quando a sopa ficou pronta, Thiago desligou o fogo e ficou alguns segundos parado, apoiado na bancada.
O silêncio da casa já não era agressivo.
Era frágil.
Ele caminhou até o quarto com cuidado, abrindo a porta devagar para não fazer barulho.
Emma estava dormindo.
Profundamente.
O rosto ainda inchado de choro, mas sereno.
Os cabelos espalhados sobre o travesseiro.
Ela parecia pequena ali.
Vulnerável.
E absurdamente linda.
Thiago aproximou-se da cama.
Sentou-se na beira, com leveza.
Passou a mão devagar pelo rosto dela, afastando uma mecha que insistia em cair sobre os olhos.
— Eu não vou a lugar nenhum… — sussurrou.
Ela não se mexeu.
Dormindo, ela estava em paz.
Não precisava ser forte.
Nem fingir.
Nem enfrentar nada.
Thiago decidiu deixá-la descansar.
Abriu a gaveta da mesinha de cabeceira.
Pegou um papel e uma caneta.
Escreveu com calma:
"Meu amor,
Fiz uma sopa. Está na cozinha.
Preciso passar na empresa, mas volto logo.
Por favor, come um pouco, mesmo sem fome.
Eu te amo."

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário
Impossível de ler, vários capítulo não abrem só aparece o anúncio. Vou nem gastar dinheiro pq vou me arrepender...
Caraca vários capítulos não abrem. Muito ruim assim. mailto:[email protected]...
Quando vai liberar os próximos capítulos, please??????...
Libera mais capítulos pff...