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Casei com Meu Chefe Frio e Bilionário romance Capítulo 5

O dia começou agitado para Nathália.

E-mails se acumulavam. Confirmações de compromissos pipocavam sem pausa. A viagem para a filial na cidade vizinha exigia ajustes de última hora, ligações rápidas, decisões pequenas que, somadas, drenavam energia.

Ela estava concentrada quando Eloise apareceu ao lado da mesa, já com aquele sorriso que sempre significava confusão.

— Vamos. — disse simplesmente. — Primeiro almoço. Depois, Fazenda Grande Rocha.

Nathália ergueu os olhos devagar.

— Almoçar até vou. — respondeu. — Mas pra fazenda, não.

Eloise cruzou os braços, divertida demais.

— Thiago vai viajar depois do almoço pra filial. Emma vai levá-lo ao aeroporto. — fez uma pausa estratégica. — Ele “emprestou” você pra mim.

Nathália fechou a cara.

— Eloise Monteiro, eu não aceito.

— Aceita sim. — respondeu com naturalidade. — Preciso da sua experiência.

Nathália respirou fundo, pegou a bolsa, juntou as coisas e seguiu Eloise corredor afora, claramente contrariada.

Depois do almoço, Ricardo passou para buscar Eloise.

O carro parou quase em frente ao restaurante.

Quando ele desceu, foi direto nelas — e parou por um segundo a mais ao perceber Nathália ali.

— Bom dia, meninas. — disse. — Não sabia que você viria, Nathália.

Ela pensou em dizer que estava indo à força.

Pensou em mentir.

Pensou em reclamar.

Mas, ao encarar aquele olhar firme, não conseguiu dizer nada.

Eloise assumiu a resposta:

— Achei que ela seria de grande ajuda. — explicou. — Tem mais anos de mercado.

Ricardo assentiu.

— Que bom.

Abriu a porta do carro para que entrassem.

Foi então que Eloise falou, com a maior naturalidade do mundo:

— Tem problema eu ir na frente? — perguntou. — Apesar do espaço, eu passo muito mal em viagem. Qualquer voltinha já me deixa enjoada.

Nathália virou lentamente o rosto para ela.

— Passa mal, Eloise?

Eloise conteve o sorriso.

— Sim, amiga. Você sabe como é.

Ricardo não questionou.

— Tudo bem.

Foi até a frente e avisou o motorista:

— Luciano, a Eloise passa um pouco mal em viagem. Prefere ir na frente.

— Sem problema, patrão. — respondeu ele.

Eloise entrou no banco da frente sem culpa alguma.

Nathália e Ricardo ficaram atrás.

O clima fechou.

O silêncio era denso demais para ser confortável.

Nathália pegou o celular e digitou rapidamente para Eloise:

“Você vai me pagar, sua safada.”

Eloise fingiu não ver.

Na frente, observava distraída a paisagem que começava a mudar conforme deixavam a cidade e o concreto dava lugar ao verde aberto do campo.

Nathália tentou fazer o mesmo.

Tentou focar na estrada.

No horizonte.

Em qualquer coisa que não fosse o homem ao seu lado.

Mas o perfume de Ricardo — marcante, masculino, familiar demais — invadia o espaço entre eles.

E a lembrava, a cada segundo, exatamente onde estava.

E com quem.

E aquele trajeto, que deveria ser apenas profissional, prometia ser tudo… menos simples.

Ricardo mantinha os olhos fixos na estrada.

Postura impecável.

Mãos firmes no colo.

Mas Nathália percebeu.

O maxilar dele estava tenso.

A respiração, mais profunda do que o normal.

Ela desviou o olhar para a janela, fingindo interesse nas árvores, nas cercas, no céu aberto. Qualquer coisa que não fosse a presença dele ao seu lado.

O silêncio se estendeu.

Pesado.

Não era constrangedor.

Era carregado.

Era feito de tudo o que eles tinham vivido… e de tudo o que estavam fingindo não sentir.

O carro fez uma curva mais fechada, e o corpo dela foi levemente projetado para o lado. O braço de Ricardo se moveu por reflexo — rápido, instintivo — segurando-a pelo antebraço antes que ela batesse no vidro.

O toque foi firme.

Quente.

Durou menos de um segundo.

Mas foi suficiente.

Nathália sentiu o arrepio percorrer a espinha inteira.

Ricardo soltou no mesmo instante.

Como se tivesse ultrapassado uma linha invisível.

— Desculpa. — ele murmurou, sem olhá-la.

— Tudo bem. — ela respondeu rápido demais.

O silêncio voltou.

João estendeu a mão, simpático.

— Prazer.

Ricardo continuou, virando-se para elas:

— Essas são Eloise Monteiro e Nathália Guimarães. Elas vão cuidar do desenvolvimento da nova aplicação.

— Ok, patrão. — João sorriu. — Prazer em conhecer as moças.

— Prazer, João. — Eloise respondeu com naturalidade.

Nathália apertou a mão dele também, firme.

— Bom dia, senhor João.

Eloise não perdeu tempo.

— Temos algumas perguntas. — disse. — E gostaríamos de ver o aplicativo que vocês usam atualmente. Assim conseguimos entender melhor onde estão os problemas.

Nathália complementou, já no tom profissional que dominava tão bem:

— E tudo o que o senhor precisar, qualquer detalhe, por mais simples que pareça, é importante. O Ricardo quer um aplicativo exclusivo, então isso nos dá liberdade para criar algo que realmente funcione para vocês.

Eloise assentiu.

— Exatamente.

João pareceu aliviado.

— Entendi. Então vamos. Posso mostrar o sistema e vocês podem conversar com outros funcionários também. Não sou só eu que uso.

— Ótimo. — Nathália respondeu. — Porque, no fim das contas, o aplicativo é para vocês. — virou-se levemente para Ricardo, encarando-o com um meio sorriso provocador. — Não adianta o senhor dizer o que precisa sem saber qual é a demanda real.

Ricardo soltou um riso baixo.

Ele conhecia aquele tom.

Conhecia aquela Nathália.

E achava absurdamente sexy.

— Então vamos. — disse apenas.

Eles ainda não tinham dado dois passos quando uma voz firme ecoou da varanda da casa principal.

— O que está acontecendo aqui?

Todos se viraram.

Carlota estava parada ali, postura impecável, olhar atento demais para ser casual.

— Quem são essas moças?

Ricardo se adiantou no mesmo instante.

— Mãe… — disse, controlado. — Essas são Eloise Monteiro e Nathália Guimarães. Estão aqui a trabalho.

Virou-se para elas.

— Essa é Carlota Alves. Minha mãe.

Eloise sorriu, educada.

— É um prazer conhecê-la, dona Carlota.

— Muito prazer, senhora. — Nathália acrescentou.

Carlota observou Eloise por um segundo a mais que o necessário

e depois Nathália.

Com atenção demais para ser mera curiosidade.

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