"Isabella"
Continuei visitando meu sobrinho. Não era exatamente culpa que eu sentia pela prisão da Karen, mas ele não tinha nada a ver com a confusão toda. Saía do trabalho direto para a casa da minha tia e, quando o tinha nos braços, me esforçava ao máximo para não pensar que a responsável por ele estar, naquele momento, sem a mãe era eu.
Karen merecia. Eu não tinha dúvidas disso. Ainda assim, sentia raiva por ela continuar me atormentando, até quando não estava por perto.
Os dias seguiram assim e quando Camila me ligou para contar que Karen tinha sido solta e já estava em casa, não fiquei surpresa. Eu tinha analisado, pesquisado, sabia que a liberdade era provável. Ela voltou a morar com a minha tia. A casa, os bens, o dinheiro, tudo havia sido apreendido. A situação de Karen agora era real e ela não tinha nada, dessa vez, eu sabia que não era fingimento.
Sobre Carlos, eu não sabia muito. Apenas que continuava preso. Não só ele, mas o irmão também tinha sido preso, isso, no entanto, eu não tinha feito. Não era minha culpa. O mais provável era que a prisão de Carlos tivesse desencadeado uma série de investigações que acabaram alcançando o irmão, assim, senti uma pontada de satisfação. Aquela família maldita estava pagando.
Até então, nada tinha chegado até mim, e eu duvidava que chegasse. Pelo menos nisso, tudo permanecia calmo. Já a empresa e o trabalho estavam longe de qualquer tranquilidade.
Havia semanas que eu não via meu sogro. Só ouvia falar dele, e tudo o que chegava até mim parecia cada vez mais complicado.
De alguma forma, todo mundo ficou sabendo de Diana, do rompimento do noivado e da gravidez. Eu tinha certeza de que havia dedo dela nisso. Provavelmente soltou a informação de propósito, para que se espalhasse pela empresa e todos soubessem que a filha não estava afastada apenas por causa do acidente, mas que não voltaria mais.
— Minha irmã era competente no que fazia, tinha bom relacionamento com outros diretores, e os membros do conselho passaram a questionar a saída dela. Meu pai respondeu de forma curta e grossa que a decisão era definitiva. Somando isso à saída do César, que já era membro do conselho, e ao fato de acharem a expansão internacional arriscada, o consenso começou a se formar, a empresa poderia ser prejudicada por brigas familiares — Augusto me atualizou depois de participar de uma reunião particularmente tensa.
— Você acha que vão apoiar a saída do seu pai? — Senti um ponta esperança ao imaginar a queda do Marco Aurelio.
— Não é algo imediato. São sete membros e para uma votação assim precisa que a maioria esteja de acordo. E mesmo que, no momento, eles não concordem com as decisões do meu pai, isso não significa muita coisa. Não vão tirar o CEO e dono da empresa por causa disso. É mais fácil convencer…
— Claro — interrompi, carregando a ironia na voz. — Porque convencer meu querido sogro é realmente fácil.
Sempre que falava de Marco Aurélio, sentia um incômodo difícil de explicar. O silêncio dele estava começando a me perturbar.
— Meu pai não é tão burro a ponto de criar uma guerra aqui dentro. Isso pode vazar, espantar clientes… no fim, pode ser que ele mude de ideia.
Mas eu já não ouvia direito aquela conversa. Deixei Augusto na sala e voltei para a minha mesa, enquanto uma ideia começava a ganhar força. Não era a melhor do mundo e, com certeza, ninguém concordaria com ela.
— Maria, preciso resolver uma coisinha e já volto — avisei.
Ela me olhou de forma estranha, mas não questionou. A essa altura, trabalhando comigo, já sabia que eu tinha meus próprios negócios pela empresa. Dessa vez, porém, meu foco era outro. Peguei o elevador e fui direto para o último andar, para a sala de Marco Aurélio.
Era uma loucura. Mesmo assim, eu precisava olhar na cara dele, entender se havia algo errado, se aquele silêncio era normal ou apenas paranoia minha. Ele tinha me ameaçado de todas as formas possíveis para, simplesmente, não dizer mais nada.
Mesmo depois da cena no restaurante, quando eu o enfrentei, imaginei que algo viria depois. Alguma reação. Mas não. Ele também quase não falava com Augusto, menos ainda com Diana. Apenas seguia trabalhando, como se nada tivesse acontecido.
Minha intenção era forçar uma conversa qualquer, ver como era recebida e até mesmo se a secretária me liberaria.
Quando o elevador parou, quase desisti. Mas eu precisava fazer aquilo.


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido