"Augusto"
Isabella me lançou um olhar estranho quando saí do escritório avisando que precisava dar uma saída. Não tive tempo de explicar.
O lugar era perto e fui a pé, acompanhado de perto pelos seguranças. Não era louco a ponto de me encontrar com Selena completamente desprotegido.
Ela já estava sentada, me esperando. Continuava uma mulher bonita. Vestia roupas elegantes, o que indicava que a vida tinha melhorado desde a última vez que conversamos, quando ainda trabalhava como caixa de supermercado.
— Selena…
— Augusto Salvatore. Sempre um prazer te encontrar de novo.
— Qual o motivo desse encontro tão urgente? — fui direto. Não tinha tempo para rodeios.
— Estou de passagem. Finalmente vou embora do pais, nada como recomeçar de novo — disse com um sorriso calculado. — Mas antes achei que você gostaria de saber que o Enzo voltou. Ele me ligou pedindo dinheiro. E antes que pergunte… sim, ele ainda quer se vingar de vocês. Todos vocês.
Como se não bastasse, agora mais essa. Enzo.
— Obrigado pela informação. Boa sorte — falei, já me levantando. Precisava voltar e avisar John e, infelizmente, meu pai.
— Calma, bonitão. Tem mais coisa — ela disse, sem pressa. — Claro que eu tive que dar dinheiro para o meu irmão querido, mas ele me deixou desfalcada. Um dinheiro agora não cairia mal…
— Sério? — voltei a encará-la. — Você acha mesmo que eu vou te dar dinheiro?
— Dar? Não. Claro que não — respondeu, sorrindo. — Mas eu tenho mais informações. E posso vender.
O sorriso dela me deixou em dúvida. Enzo ainda era um perigo? Tantos meses desaparecido e agora surgia do nada, ainda falando em vingança. Da última vez, ele tinha atirado no César e invadido a minha casa. Respirei fundo e resolvi arriscar.
— Quanto?
— Um milhão.
— Você enlouqueceu? Acha mesmo que eu vou te dar um milhão? — Não conseguia acreditar na cara de pau de Selena, não tinha a menor possibilidade de dar esse dinheiro para ela.
— Ele me ligou mês passado avisando que estava voltando — explicou, impassível. — Mas só apareceu na minha casa semana passada para pegar o dinheiro. Você sabe que a polícia está atrás dele, e meu irmão não é burro, ele está se escondendo. Eu poderia ir embora sem falar nada e deixar que vocês se virassem.
— Mas resolveu ganhar dinheiro com isso.
— Existem oportunidades únicas na vida — respondeu, fria. — Eu sei onde ele está escondido. E sim, ele quer matar todos vocês, não é nenhuma novidade.
Por um instante, considerei levá-la à delegacia, obrigá-la a falar, acusá-la de cúmplice. Não fazia ideia de como era, de fato, a relação dela com o irmão. Ou ela entregaria tudo… ou Enzo ficaria ainda mais furioso.
— Podemos ir na delegacia mais próxima e resolver tudo de uma vez.
— Para de ser mão de vaca Augusto, não precisa criar confusão, eu falo a informação e você me dá o dinheiro, pra que complicar?


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Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido