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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 174

"Diana"

Encarei Ícaro deitado na cama do hospital, ainda pálido. Apesar do alívio, eu não conseguia superar o quanto estive perto de perdê-lo.

Valentina, depois de muito custo, tinha ido dormir na casa da amiga. Já que não podia ficar no hospital e eu ainda vestia a mesma roupa do dia anterior, sabia que precisava de um banho, de pensar com clareza, mas precisava ter certeza de que Icaro estava bem.

Mas ali, olhando para ele dormir, eu tinha certeza de que havia trazido o caos para aquela família. E não tinha certeza se existiam desculpas suficientes para isso. Para o quão perto estive de destruir tudo — ainda que não tenha apertado o gatilho.

A última conversa com meu pai deveria ter sido definitiva. Eu tinha escolhido viver a minha vida, seguir em frente. Mas era óbvio que ele não aceitaria isso. Eu tinha ficado mais mole, cega pela felicidade. Tinha esquecido quem ele era e isso quase custou tudo.

Consegui enxergar o plano completo dele: um assassinato disfarçado de assalto. Simples. Corriqueiro. Sem levantar suspeitas. No roteiro dele, eu provavelmente voltaria para casa depois. E acho que faria isso sem dúvida alguma.

Um jogo de xadrez.

Consequências calculadas.

Mas o plano tinha dado errado — para ambos os lados. Pelo jeito, nem o destino nem a sorte estavam ao lado de Marco Aurélio.

Uma coisa ele não tinha previsto ou preferiu ignorar: aquela era a minha família. E eu carregava um filho, que também era metade Salvatore.

Meu pai tinha ido longe demais. Para além de qualquer perdão.

Augusto queria justiça. Cadeia. Ainda acreditava que as coisas funcionavam assim. Meu irmão não era ingênuo a ponto de achar que derrubar alguém como Marco Aurélio seria simples, mas estava meio cego, imaginando que meu pai pudesse receber apenas uma lição, pagar pelos erros como uma pessoa normal.

Eu queria mais.

Queria garantir que ele nunca mais chegaria perto de nenhum de nós. Nunca.

Valentina tinha chegado perto demais de perder o pai. Assim como o meu filho.

Passei a mão no rosto de Ícaro, observando sua respiração. Pensando em como nossas vidas tinham se transformado numa sequência interminável de acidentes, atentados e tragédias.

Eu só queria paz. E um pouco de descanso.

Ícaro abriu os olhos e me olhou com aquele olhar que sempre abalou todas as minhas estruturas desde o primeiro dia em que trocamos um olhar — quando me atirei nele no meio de um estacionamento vazio.

— Tudo bem?

— Quem deveria fazer essa pergunta sou eu.

Ele pegou na minha mão, quente e calorosa, e sorriu. Quando perguntou em detalhes o que tinha acontecido, menti, dizendo que tinha sido apenas um assalto.

— Tem uma casa ali perto com câmeras. O dono viu uma movimentação estranha e chamou a polícia e os seguranças da ronda. O bandido se assustou… atirou.

Era a mesma versão que eu tinha contado à polícia, que não sabia quem eu era, que deveria ter seguranças comigo. Ícaro também não perguntou mais nada, focado apenas na parte do assalto, na insegurança de uma rua que deveria ser segura.

— Acho que não foi uma boa ideia comprar a casa ali — disse ele. O semblante decepcionado era visível.

— Não pensa assim. É um ótimo lugar. Vamos colocar um sistema de segurança. Tenho certeza de que foi um caso isolado.

Eu não deixaria que meu pai destruísse nossos planos.

De manhã, Valentina chegou emocionada, abraçando o pai. A mãe da amiga me ajudou a ir para casa tomar um banho, trocar de roupa e pegar mais uma muda.

Mas a minha cabeça continuava em outro lugar. Longe. No meu pai. Dispensei a mulher, disse que tinha algo para resolver antes e chamei um carro até a casa da minha avó. Não era o melhor momento, mas a cada minuto algo dentro de mim borbulhava.

Aquilo não acabaria ali.

O que derrubaria meu pai?

Quando cheguei à casa da minha avó, encarei aquela mansão enorme — símbolo de uma família cheia de esqueletos no armário. Um império construído com dinheiro duvidoso e ameaças.

Ao entrar na sala, não havia ninguém. Mas uma empregada me viu e correu, sem dizer nada, para avisar minha mãe. Os empregados sabiam de tudo o que acontecia ali, orientados a nunca falar nada. Todos tinham medo da família — e do que ela faria se algum segredo vazasse.

— Diana, o que você está fazendo aqui? Você voltou? — minha mãe apareceu correndo, a última pergunta carregada de esperança.

— Cadê meu pai? — Não conseguia olhar para a minha mãe, ela sabia de tudo que meu pai fazia, não queria imaginar ele concordando com aquilo.

— Seu pai? Ele não está bem, não é uma boa hora…

— Fiquei sabendo que tomou uns socos do Augusto.

— Diana, minha filha, não fala assim do seu pai. Seu irmão perdeu a cabeça ao fazer uma coisa dessas com o próprio pai e tudo por causa daquela mulher.

Capítulo 174. Jogo de xadrez 1

Capítulo 174. Jogo de xadrez 2

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