"Diana"
Ícaro recebeu alta, e finalmente voltamos para casa.
Depois de tantos dias de angústia no hospital, Valentina estava radiante, tinha faltado na escola e disse que prepararia o almoço, sabendo que eu era um desastre na cozinha e o pai precisava de alimentar bem, achei graça do entusiasmo dela.
Icaro ainda se recuperava, mais frágil fisicamente, mas vivo. Inteiro. E isso era tudo o que importava.
Meu objetivo era mantê-lo afastado de tudo, ao menos por enquanto. Mas Isabella tinha mencionado em seu depoimento que os dois casos estavam ligados e, naturalmente, a polícia queria falar com Ícaro sobre o assalto.
Eu tinha conseguido adiar esse momento. Agora, porém, não havia mais como evitar.
Fiquei andando pelo quarto, criando coragem para dizer o que precisava ser dito. Que, de certa forma, a culpa era minha, que eu era filha de um louco.
— Amor, vem cá — ele disse, me chamando com a voz baixa. — Deita aqui comigo. Descansa um pouco.
Sorri.
Eu estava indo de um lado para o outro, tentando deixá-lo confortável, até finalmente me deitar ao seu lado. Ícaro me abraçou, e eu senti o cheiro dele, ouvi seu coração batendo, senti o calor do corpo. A certeza mais preciosa de todas, ele estava vivo, ali, comigo.
— Esse meninão aí? — ele disse, acariciando minha barriga. — Não quero que se canse.
— Ele está ótimo — respondi. — Tenho certeza de que é um menino forte. E você sabe que agora eu preciso cuidar do pai dele também.
Ficamos em silêncio por alguns segundos, apenas abraçados.
— Nada disso foi culpa sua — Ícaro disse, quebrando o silêncio. — Você não vai carregar um fardo que não é seu. Você não é seu pai e não tem culpa pelas ações dele.
Ele sabia.
Olhei para ele e senti os olhos se encherem de lágrimas.
— Me desculpa… — murmurei. — Meu pai quase destruiu tudo. A sua vida e a da Valentina. Eu devia ter previsto, imaginado que uma coisa assim podia acontecer.
— Você não tem que pedir desculpas pelas atitudes de um homem covarde — ele respondeu com firmeza. — Sinto muito que você tenha sido criada por um pai desses. Mas eu acredito que, uma hora, a conta chega. As pessoas colhem o que plantam.
— Como você ficou sabendo? — perguntei.
— A Val me deu meu celular — explicou. — Vi a notícia do sequestro da Isabella. Depois vieram as outras: a empresa, a saída do seu pai do cargo. Não foi difícil ligar os pontos, não precisa mais esconder nada de mim.
Então eu contei. Sobre Isabella e tudo o que vinha acontecendo desde que ele estava no hospital até a alta.
— Eu conversei com a polícia — completei. — Os dois assaltantes estão foragidos. Ainda não tem como provar a ligação direta com o meu pai…

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