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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 180

"Isabella"

O mundo desabava do lado de fora e eu tentava não desabar do lado de dentro.

Augusto precisava voltar ao trabalho com tudo o que vinha acontecendo, mas não queria me deixar sozinha. Então passou a se dividir, um dia ia para a empresa, no outro ficava em casa comigo.

Eu ainda me sentia estranha, embora mais calma com o passar da semana. Mesmo assim, acordava no meio da noite, assustada, me debatendo e sem aviso algum a imagem de Carlos rindo surgia na minha mente.

Era isso que ele fazia, me assombrava.

Ele tinha razão quando disse que era fácil brincar com a minha cabeça. Eu tentava impedir que ele tomasse conta dela, que criasse morada ali, que me obrigasse a reviver tudo o que havia dito e feito, mas nem sempre tinha sucesso.

Às vezes, sem querer, eu me via rememorando o passado. Antes de ele começar a trabalhar com o meu pai. Depois, o momento em que confessou ser amante de Karen. E eu nunca havia desconfiado de nada. Cega. Surda para o mundo ao meu redor.

Karen, minha irmã, também me assombrava em alguns momentos. Ao mesmo tempo em que sentia necessidade de falar com ela, não queria vê-la nunca mais, nem pintada de ouro. Não havia sido comprovada nenhuma participação dela no sequestro, nem sequer que soubesse dos planos de Carlos, mas isso não importava, ela não era inocente.

Mesmo assim, eu seguia.

Devagar, comecei a criar o projeto do quarto do meu filho, comprar roupinhas, pesquisae decoração e já comprar algumas coisas que mandava entregar em casa. Era uma ótima distração para a minha mente. A terapia, os remédios… tudo ajudava. Então em alguns momentos, Carlos encontrava uma brecha e entrava na minha cabeça. Rindo. Me jogando de volta no buraco.

E cada vez que eu conseguia sair dessas lembranças, uma ideia começava a tomar forma. Era uma ideia que ninguém apoiaria, disso eu tinha certeza. Mas eu tinha lido em algum lugar que a melhor maneira de perder o medo era enfrentá-lo.

Eu queria enfrentar o medo, mostrar que eu era mais forte.

Queria seguir minha vida sem reviver aqueles momentos o tempo todo. Claro que seria impossível esquecer tudo, mas eu me recusava a ser assombrada por Carlos pelo resto da vida, permitir que tivesse tanto poder sobre mim, mesmo quando estava no hospital.

Foi com esse pensamento que, em um dia qualquer, disse a Augusto que iria fazer alguns exames. Ele insistiu em ir comigo, mas garanti que não precisava, tinha que andar sozinha um pouco. Eu sabia o quanto ele vinha trabalhando nos últimos dias. Já tinham se passado duas semanas desde que tudo acontecera. O tempo passava veloz, mesmo quando parecia lento demais.

Garanti que conseguiria ir sozinha.

O que Augusto não percebeu — porque eu não disse — era que o hospital era o mesmo em que Carlos estava internado. Ele ainda não havia saído da UTI. Estava em coma induzido, depois de levar um tiro na lateral da cabeça.

Havia chances de recuperação. Karen tinha visitado o marido e comentado com a minha tia, dizendo que torcia pela recuperação dele. Camila me perguntou por que eu insistia, por que precisava saber.

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