"Marco Aurélio"
Meu filho entrou por último na sala de reunião, com a expressão curiosa no rosto, provavelmente tentando entender o que estava acontecendo, assim como todos os presentes ou se controlando para não perder a cabeça.
Meus filhos achavam que podiam me enganar, mas eu os tinha criado; sabia exatamente como pensavam.
Mas precisava admitir que tinha subestimado Diana. A menina se mostrou implacável, destruindo o trabalho de uma vida em poucos dias, tudo por causa de um capricho. As consequências para ela seriam outras. No momento, meu objetivo era cuidar do legado do meu pai, garantir que esse bando de incompetentes não destruissem tudo de vez.
Com toda certeza, acharam que a minha ausência significava que eu estava me escondendo. Na verdade, eu negociava — usando meus aliados, comprados ou não. Enfim, agora era o momento de colocar as coisas nos eixos.
Se Augusto achava que um dia estaria à frente de tudo isso, podia esquecer. Jamais deixaria qualquer um deles chegar a algum lugar na vida, muito menos Augusto, que tinha começado tudo com aquele casamento maldito.
— É um prazer receber os senhores. Agora que consegui resolver algumas questões, voltei para colocar as coisas no seu devido lugar. Em breve, essas notícias caluniosas serão esquecidas. Não se preocupem com os processos, logo serão arquivados. Não podemos negar que foi um baque grande para a SEG29, que sempre foi uma empresa com uma reputação impecável. Mas meu objetivo agora é mostrar que vamos sair mais fortes disso tudo. Um projeto será entregue a vocês. Ele vai salvar a todos nós. A SEG29 vai se fundir com a Castro & Cia. A empresa de segurança do mercado e a segunda vão se tornar uma só, formando um grupo. Seremos a maior empresa de segurança corporativa do país, com contratos ainda mais poderosos, inclusive com o governo. Passará a se chamar Grupo Salvatore. Meu pai nunca gostou de usar o nome da família para manter associações afastadas, mas agora esta é a oportunidade perfeita para mostrar o quanto somos poderosos.
Todos pareciam um tanto chocados, mas alguns não disfarçavam a esperança, se agarrando na oportunidade de manter o emprego. Augusto manteve a postura e leu o documento. Com a fusão, não haveria mais lugar para ele ali, era meu objetivo garantir isso.
Depois do meu discurso, passamos horas discutindo pontos e tirando dúvidas. Ao fim da reunião, todos foram saindo aos poucos, e Augusto permaneceu, até restarmos apenas nós dois.
— Seu plano só pode dar certo se a maioria do conselho aprovar.
— Eles vão.
— Como pode ter tanta certeza?
— O que sua mulherzinha planejou quando trabalhou aqui por pouco tempo, eu já tinha feito há mais tempo do que você tem de vida. Tenho contatos. Eles acham que são independentes para decidir alguma coisa, mas, no fim, quem decide sou eu. Eles apenas votam no que eu mandar.
— Claro… — ele largou o documento sobre a mesa. — E você convenceu Marcelo a fundir a empresa dele com a nossa.
— Ele não é tudo isso que você pensa. No fundo, é apenas mais um homem fraco. E homens fracos são perfeitamente capazes de perder seus princípios diante de dinheiro ou de informações.

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