"Isabella"
Sem conseguir ficar parada apenas esperando, liguei para Camila, precisava conversar com alguém e a minha prima era única pessoa de confiança para falar sobre isso. Em algum momento a morte de Marco Aurélio se tornaria notícia, mas, por enquanto, ninguém sabia, apenas a família. Eu precisava falar com alguém que me conhecesse de verdade, alguém em quem pudesse confiar sem medir palavras.
Minha prima atendeu rápido, os últimos dias a tinham deixado em estado de alerta.
— Isa? Aconteceu alguma coisa?
— Camila, você está sozinha? — perguntei, baixando a voz. — Preciso falar uma coisa… e não quero ser ouvida.
— Peraí. — Ouvi passos apressados e o som de uma porta se fechando. — Pronto. Pode falar. Você está me assustando.
Engoli em seco. Dizer aquilo em voz alta parecia tornar tudo definitivo.
— O Marco Aurélio morreu.
Houve um silêncio pesado do outro lado da linha.
— Como é que é? — ela disse, devagar. — Morto… morto mesmo?
— Sim. — Respirei fundo. — A mãe do Augusto ligou aos gritos. Estamos no IML para reconhecer o corpo, o Augusto foi fazer isso, ainda não deram detalhes sobre o que aconteceu.
— Meu Deus… Mas como? Foi acidente? Doença? Provavelmente castigo divino.
— Camila...! Eu não sei. De verdade, não sei. Pelo clima, tenho quase certeza que foi assassinato, com tudo foi jogado nos jornais, imagina o tando de gente com raiva.
— Com toda certeza alguém matou esse desgraçado. E, sinceramente? Isso é o que eu chamo de karma, eu falei que uma hora ele vem, cedo ou tarde nunca falha.
— Para. — Fechei os olhos. — Não fala assim.
— Por quê? Depois de tudo o que ele fez com você, com o Augusto… com todo mundo? Foi tarde, só porque morreu o cara não virou santo.
Fiquei em silêncio por alguns segundos, minha prima tinha razão.
— E o Augusto? — ela perguntou, mais baixa. — Como ele está?
— Totalmente fora do ar. Acho que nem conseguiu entender ainda. Eu mesma não consegui, só queria um momento de paz, mas pelo jeito vai demorar ainda.
— Esse momento vai chegar, eu tenho certeza. Mas acho que ninguém processa isso rápido. Ainda mais sendo o pai, mesmo que o pai em questão não mereça nenhuma lágrima.
— É estranho — confessei. — Muito estranho. Pensar que ele morreu… e, no fundo, eu sinto um alívio. E isso me faz me sentir péssima.
— Não faz, não — Camila respondeu sem hesitar. — Isso é humano. Você sofreu, quase morreu em parte por causa daquele homem. Eu estou aliviada e você tem todo o direito de estar também.
— Mesmo assim… morte é morte.
— É mas algumas pessoas não fazem falta— Ela fez uma pausa. — E agora? O que vai acontecer?

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido