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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 203

"Isabella"

Quando Augusto abriu a porta do quarto, tentou disfarçar a expressão de pânico. Ele, que sempre se mantinha impecável e sob controle.

— Calma, está tudo bem — eu disse, segurando a mão dele com força assim que ele parou ao lado da minha maca. — A médica falou comigo. Vou fazer os exames para ver como estão os dois, mas não tem como adiar o parto e será feito uma cesária de emergência.

As palavras que saíam da minha boca de forma calma, não eram condizentes com a minha mão, que tremia. Augusto percebeu e apertou meus dedos com mais força, sabendo que eu estava com medo.

A gravidez tinha sido um mar calmo, nenhuma intercorrência, nenhum susto. Até a mudança para a mansão acontecera sem estresse.

Mas agora, na reta final, a barriga pesava. Meus pés pareciam bolas de chumbo ao fim do dia, e a minha pressão precisava ser medida diariamente. No fundo, eu torcia para que os gêmeos nascessem no tempo certo, mesmo sabendo que seria difícil e sentindo cada vez mais o corpo dando sinais.

Diferente de Diana, que enfrentara o parto natural, eu não tinha essa opção. Ainda mais agora, quando tudo se tornava arriscado. Victoria e Alexandre tinham outros planos. Com quatro semanas de antecedência, decidiram que era hora de nascer.

— É uma cesárea de emergência — explicou a médica quando entrou no quarto, com uma calma quase irritante. — Não quero que fique assustada, mas, pelo peso deles, provavelmente precisarão ficar um período na UTI neonatal. É um procedimento comum nesses casos.

Respirei fundo, tentando afastar o medo de que algo desse errado. Victoria e Alexandre. Meus filhos. Em breve estariam nos meus braços. Olhei para Augusto, forçando minha mente a se concentrar em pensamentos positivos.

A médica saiu, informando que uma enfermeira viria me buscar.

— Eu tenho certeza de que vai ficar tudo bem, o César foi buscar a Camila e a sua tia te mandou um beijo — Augusto comentou, mudando de assunto, tentando me distrair.

Arqueei a sobrancelha, o choque momentâneo superando o medo.

— Sério? Eles voltaram a se falar?

— Não faço ideia… mas meu irmão estava com uma expressão mais leve. Acho que ele finalmente teve algum avanço. Se é que dá para chamar o que eles têm de relacionamento.

Sorri, imaginando a cena. Se Camila perdoasse o “coitado” do César — como minha tia implorava todos os dias — teríamos um evento histórico na família. Camila não era mulher de ceder por cansaço; se voltasse para ele, seria por algo muito mais profundo que orgulho.

— Quem sabe… depois do casamento da minha irmã não teremos outro? — provoquei.

— Só acredito vendo — Augusto rebateu.

A enfermeira chegou, e o tempo passou entre exames, procedimentos e preparações. Meus bebês estavam sinais vitais bons, prontos para nascer.

Quando me levaram para a sala de cirurgia, a ansiedade e o medo disputavam espaço dentro de mim. Por mais que tentasse evitar, eu tremia a ponto de bater os dentes.

Augusto não soltou minha mão. Vestido com a roupa hospitalar e a máscara que deixava apenas seus olhos intensos à mostra, ele se tornou meu porto seguro.

Sem controle senti as lágrimas descendo pelo rosto, um choro de incredulidade. Como o tempo passou tão rápido? Como eu cheguei aqui?

Augusto narrava cada passo, a voz baixa junto ao meu ouvido, tentando me manter ancorada ali.

— Já estão tirando o primeiro… eu estou vendo… ele é pequeno… meu Deus… é o Alexandre

E então o choro veio. Forte. Rasgando o ar, era o som mais lindo que eu já tinha ouvido.

Mas o segundo não chorou. Eu podia perceber a movimentação na sala. O silêncio se prolongava e, dentro de mim, ele ecoava como uma eternidade.

— E a Victória? — minha voz saiu falha, quase inaudível — O que está acontecendo? Ela está bem?

— Claro que sim — Augusto respondeu, mas eu podia ver nos olhos dele a agonia.

Ninguém mais falou nada. Vi apenas movimentos rápidos. Um murmúrio técnico. O barulho metálico de instrumentos sendo deslocados, mas a minha mente não conseguia processar direito.

Meu coração começou a bater tão forte que achei que fosse desmaiar.

— Augusto… — sussurrei, sentindo o pânico subir pela garganta.

Ele apertou minha mão com carinho, ele tentava manter a calma por mim, mas eu conhecia aquele homem. Conhecia cada microexpressão. Havia tensão ali.

— Eles estão… estão estimulando — ele disse, a voz já menos firme.

Eu não conseguia respirar direito, os minutos cada vez mais longos. Então, finalmente, um som frágil, pequeno, quase um protesto.

Mas chorou. E eu sorri, reconhecendo aquele chorinho frágil, chorando junto. As lágrimas vieram com força, misturadas a um riso nervoso e quase desesperado. Nunca um som tão pequeno significou tanto.

— Eles são lindos — Augusto sussurrou, agora sem conseguir esconder que também chorava.

Victoria e Alexandre. Tão pequenos que pareciam frágeis demais para aquele mundo enorme. A pele avermelhada. Os olhos fechados. As mãos minúsculas se abrindo no ar, como se procurassem algo.

Procurando por mim.

Mas eu não pude segurá-los.

Mal tive tempo de sentir o peso deles sobre o meu peito antes que os levassem. Vi apenas de relance quando os colocaram nas incubadoras móveis.

— Eles vão precisar ir para a UTI neonatal — explicou de novo alguém com voz serena demais para o caos que se instaurava dentro de mim.

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