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Casei com um cafajeste para me vingar do ex-marido romance Capítulo 202

"Augusto"

O som da furadeira perfurando o concreto ecoava pela avenida. E pensei no quanto o tempo tinha passado rápido demais.

Antes do previsto o fim tinha chegado em definitivo. Marcelo aceitou a oferta e, depois da compra, após o período burocrático, iniciou o processo de transição. Agora, operários em andaimes removiam as letras de metal escovado que, por décadas, estamparam o orgulho da nossa família. A SEG29 estava sendo apagada da fachada.

Paramos na calçada oposta, observando em silêncio. Diana estava ao meu lado, ajustando o peso do filho no colo; meu sobrinho dormia sereno no canguru, alheio ao fim de uma era. César, um pouco mais à frente, observava a cena com as mãos nos bolsos.

— Marco Aurélio deve estar se revirando no inferno — comentou Diana, num tom ácido, desprovido de qualquer resquício de luto.

Ela nunca mais o chamou de pai. Não gostava sequer de mencionar o nome dele.

Desde a abertura do testamento, descobrimos que ele não tinha conseguido concluir as alterações que pretendia, mas já havia feito uma mudança para prejudicar Diana, deixando uma herança irrisória e administrada por um fundo, ao qual só teria acesso sob a condição de nunca se casar.

Ele tentou, até o último segundo, sabotar o futuro da própria filha, esperando que minha irmã jamais oficializasse o relacionamento com Ícaro e escolhesse a herança. Ela não quis brigar pelas migalhas, nem perder tempo com advogados. Aceitou o que lhe cabia e seguiu em frente. Ainda era um processo longo; faltava incluir o filho de Karina, já que, sem surpresa alguma, o teste de DNA confirmara a partenidade.

Dei uma última olhada naquele colosso de vidro e granito no centro da cidade. Achei que estaria preparado para o desapego — afinal, fomos criados para ocupar e perpetuar aquele lugar. Educados para ver o mundo de cima para baixo.

Entretanto não havia tempo para lamentos de herdeiro derrotado. Depois de uma última olhada, seguimos para o novo endereço. Onde antes ocupávamos um edifício inteiro, agora tínhamos uma laje comercial em um prédio moderno, dividindo o elevador com desconhecidos.

O cheiro ali era outro, tinta fresca, serragem e o aroma forte de café recém-passado. César entrou avaliando cada centímetro com seu olhar crítico. Meu irmão já havia se afastado daquele mundo e não tinha interesse algum em voltar.

Ele parou diante da parede principal da recepção.

Salvatore.

As letras eram de aço escuro, simples e diretas. Sem siglas, sem códigos corporativos. Apenas o nome.

— Vai assumir assim? Sem filtros? — César murmurou, arqueando a sobrancelha. — Acha que o mercado não vai ficar desconfiado?

— Não vamos nos esconder atrás de um nome inventado — Diana respondeu prontamente, a voz firme enquanto acariciava a cabeça do filho. — Vamos assumir que caímos, que erramos e que somos capazes de reconstruir. É um sobrenome, César. Mais simples e muito mais honesto.

— Aqui vamos construir um novo império — afirmei, meio em tom de brincadeira. Tinha consciência de que talvez jamais chegássemos ao patamar da empresa que meu avô construiu, mas tinha certeza de que tentaria.

César sorriu diante do meu excesso de confiança.

— Confiante como sempre. Tem coisa que nunca muda. Mas, brincadeiras à parte… está incrível. Acredito que esse lugar ainda vai crescer muito.

Ele olhou em volta.

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