“Suzy”
Eu queria entender o que estava acontecendo, porque o Gregório apareceu aqui em casa acompanhado do Lenon e de uma mulherzinha vulgar seminua que eles me apresentaram como a tal prima do Lenon. Mas ninguém tinha me dito nada ainda.
- Gregório, o que está acontecendo? – Eu perguntei assim que ele apareceu na sala.
Eu tinha passado a noite em claro vigiando a porta do antigo quarto da Hana, para ter certeza de que aquela mulherzinha não daria em cima do meu marido. Eu confiava no Greg, mas não confiava nessas mocinhas oferecidas, afinal a carne é fraca e se ele fosse tentado seria natural que ele caísse em tentação. Mas a mocinha parecia bem safada e eu fiquei me perguntando como o Lenon, um rapaz tão centrado, tinha uma prima tão vagabunda? Sim, porque estava escrito na testa dela “sou vadia”.
- Suzy, já disse que quanto menos você souber melhor. – Ele me encarou. – Já dispensou a empregada?
- Já! Mas eu quero saber exatamente o que está acontecendo. – Eu o encarei.
- Ah, que chata! Você não vai me deixar em paz enquanto não souber, não é?
- Exatamente, não vou!
- Nós pensamos em sequestrar a prima da Hana, aquela filha do chato do Yusei, e usar a menina para obrigar a Hana a abrir mão de tudo para você. O que é justo! E seria um castigo para ela, por ter trancado o Frederico na cadeia e agora o coitado estar paralisado.
- Olha, foi uma boa idéia! A Hana adora aqueles chatos. – Eu até sorri, mas se a polícia estava atrás deles era porque tinha dado errado. – O que aconteceu?
- Eu sou conhecido, Suzy, eu não podia ir para a porta da escola da garota, então mandei o Lenon e a Mara fazerem isso.
- Mas o que essa suposta prima tem a ver com isso? – Eu não estava entendendo, tinha poucos dias que a tal prima tinha chegado.
- Ela é uma boa moça, que ficou comovida com a situação do Frederico e decidiu ajudar. – O Gregório falou, mas eu não estava convencida, porque de boa aquela biscate não tinha nada. Eu conhecia bem o tipo.
- O que deu errado, Greg?
- O Lenon é um pouco lentinho, Suzy, não me diga que você ainda não percebeu? – O Gregório me encarou e eu pensei por um momento. Até que nisso ele tinha razão, o Lenon não conseguiu nada com a Hana.
- E daí?
- Daí que os dois gênios sequestraram a garota errada e eu não sei como, mas a polícia apareceu na empresa e encontrou a garota. Nós conseguimos fugir, mas o estrago está feito.
- Quer dizer que vocês três agora são foragidos da justiça? – Eu perguntei sem acreditar. – Gregório, eu acho que lentinho é você! Nós conseguimos nos livrar de tantas coisas em anos e você se junta com dois idiotas e é pego em menos de um dia.
- Eu não fui pego! – Ele protestou.
- Mas será, se não se livrar desses dois! – Eu avisei. – Se livra do peso morto, Greg! Se você continuar amarrado a eles, vai ser pego.
- Suzy, eu não posso fazer isso, eles estavam fazendo um favor pra gente! – Me surpreendeu o Gregório se preocupar com alguém além dele e de mim.
- Favor, Greg? Eu devo acreditar? Ninguém faz esse tipo de favor de graça. – Eu dei uma risada sarcástica. – Veja bem, Greg, você tem que se livrar deles.
- Suzy, eu não posso e eu não vou! Imagina, eles podem se entregar e dizer que você participou disso. Você quer ser presa?
- Deus me livre! Eu nem estava sabendo dessa ideiazinha de vocês. – Eu comentei e ele riu.
- É, mas você acha que a polícia vai acreditar? Entenda, Suzy, eu estou fazendo isso para o seu bem! – Nisso ele tinha razão. Eu é que não iria para a cadeia por causa de ninguém.
- Mas tem outro jeito de se livrar deles, Greg! – Eu o encarei, ele sabia exatamente do que eu estava falando e ficou nervoso.
- E como você está, querido? – Eu olhei para o braço dele na tipóia e todas aquelas feridinhas espalhada pelo rosto e pelos braços e pernas e tive até pena.
- Ai, Su, melhor depois daquela injeção que você me aplicou. Mas eu ainda acho que quebrei o braço. – Ele apoiou a cabeça no meu ombro.
- Não, querido, foi só uma luxação. – Eu expliquei para ele.
Quando ele chegou aqui em casa com o braço completamente fora do lugar eu até me preocupei, mas depois eu vi que só estava luxado e coloquei no lugar com a ajuda do Gregório.
- Su, como você tem tantos remédios de hospital por aqui?
O Lenon estava curioso com a pequena farmácia que eu mantinha no porão, mas ele não precisava saber que tudo começou porque eu precisava dos remédios para manter a Hana, o Gregório e os insuportáveis dos filhos do Gregório na linha. Quando a Hana era criança eu aplicava injeções para ela dormir e não me atrapalhar. A medida que ela foi crescendo eu passei a dar remédios orais sem que ela soubesse. E eu fazia o mesmo com os filhos do Gregório e até com o Gregório. E agora, com a tal prima Mara aqui em casa, eu faria o mesmo com ela e daria um remedinho para causar uma disfunção erétil no meu amado marido para evitar que ele caísse em tentação.
- Ah, eu sou uma mulher prevenida! Eu aprendi algumas coisas quando eu trabalhei de auxiliar numa clinicazinha para mulheres em outra cidade, fiz bons contatos que me fornecem os remédios sem receita. E, você sabe, eu faço meus procedimentos aqui em casa, tenho clientes fiéis, assim eu não fico tão dependente da mesada que o Greg me dá. – Eu expliquei.
Mal sabia esse garoto que era o dinheiro dos abortos ilegais e dos preenchimentos faciais que eu fazia que sustentava essa casa, desde que a Hana me tirou os lucros das patentes.
- Su, você é o máximo! Agora me diz, como eu posso te ajudar? – O Lenon estava me saindo melhor que encomenda, muito prestativo. E eu ia aproveitar isso.
- Você não vai ajudar a Su, porque você e a Mara vão atrás da velha! – O Gregório avisou.
- Hoje não vai dar, Gregório, eu estou com muita dor ainda. – O Lenon e o Gregório trocaram um olhar que parecia até que eles estavam conversando telepaticamente.
- Ele tem razão, Greg, com o braço assim ele não vai conseguir nada. É melhor esperar uns dias. Vem, Lenon, vou aplicar um analgésico em você!
Eu me levantei e ofereci a mão a ele. Eu ia ganhar a confiança desse rapaz e saber direitinho o que o Greg estava aprontando nas minhas costas. E já que meu marido estaria com disfunção erétil por um tempo, quem sabe o bom e gentil Lenon, que queria tanto me ajudar, não cumpria com as obrigações conjugais no lugar do Greg, não é mesmo?!

Comentários
Os comentários dos leitores sobre o romance: Chefe irresistível: sucumbindo ao seu toque
O nome do doutor Molina mudou por que?...
Que lindo esse livro. Estou aqui chorando novamente. Muito emocionante...
Amei saber que terá o livro 2. 😍...
Que livro lindo e perfeito. Estou amando e totalmente viciada nesse livro. Eu choro, dou risadas, grito. Parabéns autora, é perfeito esse livro 😍...
Está sempre a dar erro. Não desbloqueia os capitulos e ainda retira as moedas.😤...
Infelizmente são mais as vezes que dá erro, que outra coisa......