Capítulo 146 — Novos passos, mas os mesmos Fantasmas
Sara Olsen
A sensação de atravessar aquele corredor executivo no início da manhã foi como entrar em outro universo. As portas de vidro fumê, os móveis de carvalho escuro e o silêncio focado do trigésimo andar impunham um respeito quase intimidante.
Mas ter o Henry ao meu lado, segurando a minha mão com aquela firmeza calma, transformou o que parecia um abismo em um chão firme.
A primeira hora foi uma verdadeira imersão. Augustus se sentou comigo na mesa auxiliar da antessala e abriu o sistema integrado de processos da holding. Com a sua habitual paciência impecável e postura elegante, ele me explicou os fluxos de protocolo, as aprovações de minutas contratuais e a triagem de correspondências confidenciais.
— A regra básica é o filtro, Sara — Augustus explicou, apontando com a caneta para o monitor. — Documentos com tarja vermelha vão direto para a pasta física do Adrian. Notificações do tribunal passam primeiro pela minha mesa, e demandas fiscais vão para o Henry. Você é o primeiro escudo e o último filtro antes da assinatura final.
— Parece muita coisa, mas faz total sentido na prática — comentei, anotando tudo no meu bloco com atenção redobrada.
— E você pega as coisas num piscar de olhos — Augustus sorriu, ajeitando a lapela do terno. — Confesso que o Henry não estava exagerando quando te elogiou. Seu nível de organização é invejável.
Henry, que estava encostado na beirada da mesa com uma caneca de café na mão, abriu um sorriso convencido.
— Eu não disse que ela era um gênio? Eu nunca erro nas minhas apostas.
— Cala a boca, Reeves — Augustus rebateu com um revirar de olhos divertido.
Pouco depois das dez da manhã, a porta da sala principal se abriu e Adrian saiu de lá de dentro com uma pasta de couro nas mãos. No segundo em que ele parou em frente à minha mesa, me endireitei na cadeira por puro reflexo.
Adrian passou os olhos pelas planilhas que eu tinha acabado de organizar e abriu um meio sorriso genuíno.
— Bom dia, Sara. Já conferi a triagem das minutas que você despachou para o meu e-mail. Trabalho impecável, extremamente claro e limpo. A Victoria tinha toda razão em insistir no seu nome.
Senti um alívio imenso inundar o meu peito e sorri com sinceridade.
— Muito obrigada pela confiança, senhor Foley. Vou dar o meu melhor todos os dias.
— Não precisa do "senhor", Sara. Entre nós, é Adrian — ele pontuou, dando dois tapinhas amigáveis no ombro do Henry antes de voltar para a sua sala.
Antes mesmo que eu pudesse respirar aliviada com o elogio do chefe, o som característico do elevador privativo apitou no final do corredor.
As portas de metal se abriram e uma figura impecavelmente vestida com um terno cinza sob medida, óculos escuros e um sorriso de orelha a orelha cruzou o espaço como se estivesse numa passarela de Milão.
— Bom dia para os trabalhadores da classe operária! — Willian anunciou em alto e bom som, retirando os óculos com um movimento dramático.
Augustus soltou uma risada baixa, balançando a cabeça.
— Não acredito que você realmente veio de terno e gravata.
— Mas é claro que vim, meu bebê! Se eu vou assumir a diretoria executiva da filial, eu preciso me vestir como o homem de poder que sou! — Willian deu a volta na minha mesa e me puxou para um abraço apertado. — Sarinha da minha vida! Prepare-se, porque a partir de amanhã nós dois seremos a dupla mais temida e eficiente daquela filial!
— Você aceitou o cargo mesmo, Will?! — perguntei, rindo da empolgação dele.
— Aceitei, querida! O plano de namorado troféu foi suspenso temporariamente. O Augustus me proibiu de ir ao shopping hoje de manhã, então resolvi vir trabalhar para pagar as minhas próprias faturas de luxo!
A antessala inteira caiu na risada com a pose dele.
Por volta do meio-dia, Adrian saiu novamente do escritório e nos convocou.
— Vamos descer para almoçar. Convidei a Natalie e o Lucas para se juntarem a nós no bistrô aqui da esquina.

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