Capítulo 147 — O Preço do Silêncio
Sara Olsen
— Ele deve muito, garotinha. Muito mais do que a vidinha medíocre dele vale. E se você não pisar aqui dentro de sessenta minutos para resolver essa merda... Ele vai morrer.
O som áspero daquela respiração do outro lado da linha parecia sugar todo o oxigênio ao meu redor. Por alguns segundos, fiquei completamente estática, o sangue congelando nas veias e a mente rodando em um turbilhão de pânico.
Senti uma presença se aproximar atrás de mim no corredor, mas não tive forças sequer para virar o pescoço.
Segurei o tremor descontrolado da minha mão livre e forcei a voz a sair pelo celular.
— Manda o endereço. Eu já estou indo.
Encerrei a ligação antes de ouvir qualquer outra ameaça.
— Sara? Está tudo bem com você? — a voz do Willian soou logo atrás, carregada de preocupação imediata.
Me virei de sobressalto, os olhos arregalados e o peito subindo e descendo com violência.
— Tá... Tá tudo bem, Will. Eu só... Eu preciso ir. Agora.
Dei dois passos rápidos em direção ao elevador, mas Willian estendeu o braço e segurou o meu antebraço com firmeza.
— Não, não tá nada bem. Você está branca como papel e tremendo inteira! O que foi que aconteceu nessa ligação, Sara?
Balancei a cabeça em desespero, puxando o meu braço de volta.
— Eu não posso falar agora, Willian! Eu só preciso ir, eu só tenho sessenta minutos! Eu tenho que sair daqui agora!
Apertei o passo e comecei a correr pelo corredor.
— Sara, espera! — ouvi os passos pesados do Willian vindo atrás de mim.
Apertei o botão do elevador de forma frenética. No segundo em que as portas de metal se abriram, entrei de costas na cabine. A voz do homem no telefone ecoava como um trovão dentro do meu cérebro:
E venha sozinha!
Encarei o Willian com os olhos cheios de lágrimas enquanto ele se aproximava correndo. Antes que ele conseguisse colocar as mãos entre os sensores, apertei o botão para fechar a porta. As chapas de aço se uniram, cortando o som da voz dele no corredor.
Abracei a bolsa contra o meu peito, as mãos trêmulas mal conseguindo segurar o celular. A notificação com o endereço no setor portuário saltou na tela. Copiei a localização com pressa, abri o aplicativo de corridas e solicitei o primeiro motorista disponível.
As portas do térreo se abriram e eu passei pela recepção quase voando, ignorando qualquer cumprimento. Assim que atravessei as portas de vidro da fachada da holding, olhei para a tela e vi que o sedã prata estava a poucos metros da calçada.
O carro encostou no meio-fio com o pisca-alerta ligado. No exato instante em que levei a mão à maçaneta traseira, um grito alto e desesperado rasgou a calçada atrás de mim.
— SARA!!
Virei o rosto por mero reflexo e dei de cara com o Henry saindo pela entrada principal da holding, correndo na minha direção com os olhos azuis arregalados em puro desespero.
Engoli o choro que rasgava a minha garganta e sussurrei para o vento:
— Sinto muito, amor...
Abri a porta, me joguei no banco traseiro, bati a porta com força e gritei para o motorista.
— Moço, acelera! Por favor, anda logo!
O motorista pisou no acelerador e o carro arrancou na mesma hora. Pelo vidro traseiro, vi o Henry diminuir os passos no meio da avenida, colocando as mãos na cabeça enquanto via o veículo se distanciar no fluxo do trânsito.
Menos de dez segundos depois, o meu celular começou a vibrar loucamente. O nome do Henry piscava no visor. Deslizei o botão vermelho, rejeitando a chamada com o coração em pedaços.
Logo em seguida, a tela acendeu com uma ligação do Willian. Rejeitei novamente e apertei o aparelho contra o peito, desabando em um choro silencioso e convulsivo.
O motorista me encarou pelo espelho retrovisor com o cenho franzido.
— A senhorita está bem? Precisa de alguma ajuda?
Limpei as bochechas com as costas das mãos trêmulas, forçando um tom audível.
— Está... Está tudo bem, sim. Muito obrigada pela preocupação.
Ele apenas assentiu, concentrando-se no tráfego.
Conforme o carro se afastava do centro financeiro e entrava na região das docas, a paisagem foi se transformando. Os prédios envidraçados deram lugar a galpões abandonados, contêineres enferrujados e ruas de paralelepípedo mal iluminadas pela névoa fria da baía.
O carro diminuiu a velocidade até parar em frente a um galpão escuro, cercado por cercas de arame farpado e sem qualquer iluminação além dos faróis do próprio veículo.
O motorista virou o tronco para trás, me encarando com genuína apreensão.

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