Capítulo 149 — Contagem Regressiva
Henry Reeves
A minha voz saiu entrecortada, o desespero vazando por cada poro da minha pele.
Houve uma pausa de meio segundo do outro lado, e quando o Thomas voltou a falar, a postura dele mudou instantaneamente.
— Respira, irmão. Só puxa o ar, foca na minha voz e me conta exatamente o que está acontecendo aí.
Apoiei o braço livre na parede de vidro da fachada da holding, tentando conter a tremedeira nas minhas pernas.
— A Sara estava terminando o expediente aqui na empresa agora pouco. Ela recebeu uma ligação, entrou em pânico absoluto e correu para a rua. Ela acabou de entrar em um carro de aplicativo no meio da avenida e sumiu sem falar uma única palavra com ninguém. Ela rejeitou todas as minhas chamadas e as do William.
Thomas ficou em silêncio por um breve instante, processando as informações.
— Você sabe de alguma coisa que possa justificar isso, Henry? Você tem alguma ideia de quem possa ter ligado para ela a essa hora? Teve algum acontecimento recente que possa lhe causar pânico?
Fechei os olhos com força, e no mesmo segundo a imagem da Sara e dos hematomas no corpo dela piscaram como um alerta vermelho dentro da minha cabeça.
— O desgraçado do irmão dela. O Samuel. Aquele cretino é um usuário de drogas, Thomas! Eu precisei tirar a Sara às pressas do apartamento dela e levar todas as coisas dela para a minha casa na semana passada porque aquele filho da puta ficava exigindo dinheiro para sustentar o vício e chegou a agredir a minha mulher fisicamente por causa disso!
Thomas soltou o ar de forma controlada pelo microfone, assimilando a informação crítica.
— Entendi o cenário. Você tem o número de telefone desse irmão para rastreamento de torre?
Passei a mão pelo rosto, sentindo o nó apertar a minha garganta.
— Eu não tenho o número dele, Tom. Mas a Victoria é a melhor amiga da Sara, talvez ela tenha o contato do infeliz salvo com ela.
— Perfeito. Eu estou aqui na mansão agora e vou descer na sala para pegar esse contato com a Victoria imediatamente — Thomas assumiu o controle da operação. — Me manda o número do celular da Sara por mensagem agora mesmo. Eu vou falar com a minha pequena agora mesmo e pedir para ela quebrar a criptografia do sinal da operadora e triangular a localização das antenas.
Senti o primeiro sopro de esperança aliviar a pressão esmagadora no meu peito.
— Valeu, irmão... De verdade. Obrigado por isso.
— Só mantém a cabeça no lugar e fica calmo, Henry — Thomas reforçou com firmeza do outro lado. — Assim que ela me der o retorno das coordenadas, eu te ligo de volta.
— Combinado.
Encerrei a chamada, enviei o contato da Sara por mensagem para o Tom e guardei o telefone, me virando de volta para os três homens que continuavam em círculo ao meu redor na calçada.
Adrian deu um passo à frente, os olhos azuis atentos e fixos nos meus.
— Você ligou para os caras do Sterling, Henry?
— Liguei para o Tom — assenti, limpando o suor frio da minha testa. — Ele vai falar com a Jo, e vai pedir para ela puxar os dados dos servidores das torres daqui de São Francisco para tentar localizar o aparelho dela.
Adrian se aproximou mais um pouco e pousou a mão direita pesada e firme sobre o meu ombro. Foi um gesto simples, silencioso, mas carregado de uma irmandade sólida que nós construímos ao longo de mais de uma década.
— Vai ficar tudo bem, meu amigo. A Sara vai ficar bem. Os caras do Alex são os melhores do mundo nisso. Com certeza foi apenas aquele idiota do Samuel que ligou fazendo algum drama familiar ou pedindo dinheiro de novo, só isso.
Balancei a cabeça em uma negativa categórica, os nós dos meus dedos cerrados em punho.
— Não foi só isso, Adrian. Se tivesse sido apenas mais uma chantagem daquele vagabundo, a Sara teria falado comigo antes de sair correndo. Ela me prometeu que nunca mais na vida esconderia nada sobre as ameaças do irmão. Ela sabe que eu resolveria isso em dois minutos. Tem alguma coisa muito mais podre por trás dessa ligação.
William deu um passo tímido para a frente, ajeitando a gola do paletó enquanto encarava o chão.
— Eu também não acho que tenha sido o irmão quem estava falando diretamente com ela, Henry.
Virei o pescoço na direção dele no mesmo milésimo de segundo.
— Como assim, William?
— Eu ouvi muito pouco da conversa porque fiquei esperando ela terminar mais afastado, mas assim que ela atendeu o telefone, eu ouvi claramente a Sara dizer: "Sim, sou eu. Quem está falando?". Se fosse o irmão dela na linha, ela teria reconhecido a voz dele no mesmo instante. Ela estava falando com um completo estranho.
Augustus virou o rosto para o namorado, a mente jurídica e analítica trabalhando a mil por hora.
— Você conseguiu ouvir mais alguma frase, meu bem? Qualquer detalhe, qualquer menção a nomes ou lugares que possa dar um norte para o Henry?
William soltou o ar devagar, fechando os olhos para tentar puxar a memória exata dos segundos que antecederam a fuga.

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