Capítulo 150 — O Resgate
Sara Olsen
Eu fiz tudo exatamente como aquele desgraçado mandou. Segui cada instrução, enfrentei o pavor daquela corrida contra o tempo e pisei sozinha naquele galpão imundo para tentar salvar a vida do meu irmão.
Mas o meu mundo desabou de vez. A dívida era impagável, Samuel estava estirado no chão sangrando até a inconsciência, e a proposta asquerosa que saiu da boca daquele monstro ecoava nos meus ouvidos como um veneno puro.
— Fica comigo. Seja a minha companhia, o meu brinquedo particular, me satisfaça do jeito que eu mandar... E eu não só deixo o seu irmão sair vivo daqui hoje, como perdoo cada centavo dessa dívida.
Ele ainda mantinha os dedos cravados na minha mandíbula, a respiração nojenta roçando a minha pele. Minha vontade foi gritar, cuspir, quebrar a cara daquele sujeito em mil pedaços, mas o pavor me paralisou por dois segundos.
— Não... Por favor, não faz isso! — minha voz saiu em um soluço desesperado, tentando encontrar uma saída no meio do pesadelo. — Eu consigo o seu dinheiro! Eu só preciso fazer uma ligação! Eu tenho amigos, eles… eles me ajudam na hora! E tem o meu namorado... Ele tem dinheiro, ele paga qualquer quantia que você pedir! Me dá cinco minutos, eu faço duas ligações e o dinheiro cai na sua conta agora mesmo!
O homem me encarou com um sorriso torto, sádico e repulsivo.
— Sabe o que é, boneca? Eu mudei de ideia. Cinquenta mil dólares eu arrumo em qualquer esquina amanhã... Mas uma mulher gostosa e perfeita como você, isso eu não encontro todo dia. Eu não quero mais a porra do dinheiro. Eu quero você.
Em um movimento brusco e brutal, ele se abaixou, passou o braço por baixo das minhas pernas e me jogou sobre o ombro como um fardo.
— NÃO!! ME SOLTA!! SOCORRO!! — comecei a gritar a plenos pulmões, socando as costas dele com toda a força que me restava, chutando o ar em desespero.
Ele virou o rosto para os capangas armados no centro do galpão.
— Saiam daqui e fechem a entrada principal! Deixem a gente sozinho!
— ME LARGA, SEU DESGRAÇADO! — continuei berrando, a garganta em carne viva.
No canto mais escuro do galpão havia uma cama velha com estrutura de ferro e um colchão destruído. Ele me arremessou ali com violência, fazendo o meu corpo bater contra as molas gastas.
Com o estrondo dos meus gritos, o corpo ensanguentado no chão começou a se mover. Samuel piscou os olhos inchados, puxou o ar aos pedaços e tentou se apoiar nos cotovelos, o pânico cortando a sua voz rouca e fraca.
— Solta... Solta a minha irmã, Santiago!! Solta ela!!
Um dos capangas deu um chute pesado nas costelas do Samuel, fazendo-o se contorcer de dor no concreto.
Santiago virou o rosto com desdém, acenando para os comparsas.
— Tirem esse lixo daqui agora!
Os dois homens agarraram o Samuel pelos braços e começaram a arrastá-lo em direção a uma porta de ferro lateral. Meu irmão se debatia em vão, sangrando, chorando e gritando desgovernado.
— NÃO TOCA NA MINHA IRMÃ! NÃO MACHUCA ELA!! SARA!! ME DESCULPA... ME DESCULPA, POR FAVOR! SOLTA ELA, SANTIAGO!!
A porta bateu com um estalo metálico ensurdecedor, abafando os gritos do meu irmão e me deixando completamente isolada com aquele monstro.
Santiago subiu na cama com agilidade. Antes que eu pudesse rolar para o lado, ele prendeu os meus dois pulsos em uma algema pesada fixada na cabeceira de ferro.
Puxei a corrente com força, a pele dos meus punhos ardendo, e tentei acertar um chute no peito dele.
— SEU VERME! TIRA AS MÃOS DE MIM!!
Santiago segurou a minha perna no ar e soltou uma gargalhada rouca, os olhos faiscando de puro prazer sádico.
— Grita mais, gracinha. B**e, esperneia... Quanto mais você resiste, mais tesão você me dá.

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