Capítulo 151 — Aquele maldito não!!
Henry Reeves
Eu insisti, berrei e exigi que o Thomas me passasse as coordenadas no mesmo segundo, mas ele foi irredutível.
Meu amigo cortou a minha histeria com a frieza de quem dominava cenários de guerra: avisou que ele já estava a caminho da empresa para me buscar junto com Chen e Andrew, e que ninguém entraria naquele inferno de forma amadora.
Antes que eu pudesse protestar, Tom encerrou a chamada na minha cara.
Adrian, Augustus e Willian desceram para a garagem para pegar os seus veículos. Menos de cinco minutos depois, um carro preto freou bruscamente junto ao meio-fio da avenida. Pulei para dentro do banco de trás sem pensar duas vezes, com os carros do Adrian e do Augustus nos seguindo colados pela rota expressa em direção à zona portuária.
O trajeto pareceu uma eternidade torturante. Assim que o automóvel embicou no pátio escuro e abandonado daquele galpão imundo, a minha mão foi direta na maçaneta para descer em disparada, cego para resgatar a minha mulher.
Thomas cravou a mão pesada no meu peito, me empurrando de volta contra o encosto.
— Nem pense nisso, Reeves! Você não dá um passo sem proteção! Veste essa porra agora!
Ele me jogou um colete e puxou a trava da arma com um estalo seco.
— Você fica exatamente atrás de nós três. Sem heroísmo idiota. Deixa a incursão com a gente.
Engoli o ódio a seco, afivelei o colete com as mãos trêmulas e desci na cola deles. A abordagem dos caras do Sterling foi assustadoramente rápida, precisa e letal.
Chen e Andrew neutralizaram dois homens armados no perímetro externo antes que os sujeitos pudessem sequer erguer os canos dos fuzis.
Thomas se posicionou diante da pesada chapa de ferro da entrada principal e desferiu um arrombamento com força descomunal.
A porta veio abaixo com um estrondo ensurdecedor.
Entrei no galpão imediatamente atrás deles, varrendo a penumbra com os olhos... E a cena que bateu na minha visão rasgou a minha alma em mil pedaços, me atingindo com a violência de um soco no estômago.
Sara estava deitada sobre um colchão imundo, com os dois pulsos presos por algemas de ferro na cabeceira da cama. A saia dela estava erguida até a cintura, a calcinha rasgada no chão, e um desgraçado sem camisa estava ajoelhado no meio das pernas da minha mulher, terminando de tirar o cinto.
O mundo ao meu redor simplesmente sumiu. Qualquer resquício de racionalidade, civilidade ou controle evaporou das minhas veias em um milionésimo de segundo.
— SEU FILHO DA PUTA!! — o rugido rasgou a minha garganta.
Disparei como um animal raivoso em direção à cama. Agarrei o desgraçado pelo pescoço e pelo cabelo, arrancando o corpo dele de cima da Sara com tanta brutalidade que o sujeito foi arremessado contra o concreto.
Caí por cima dele montando no seu peito, desferindo socos ensurdecedores e seguidos direto no rosto do traficante. Cada impacto da minha mão fechada contra os dentes e o nariz daquele monstro vinha carregado de um ódio cego e assassino.
No canto do galpão, a porta lateral de ferro se abriu com estrondo e outro capanga apareceu com um revólver em punho. Chen ergueu a pistola e disparou duas vezes no peito do sujeito, neutralizando a ameaça no mesmo instante.
Eu continuava socando o rosto ensanguentado debaixo de mim, completamente surdo para o mundo. O homem já mal se movia, mas a fúria dentro do meu peito não diminuía.

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