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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 153

Capítulo 153 — Feridas Abertas

Sara Olsen

— Agora me diz uma coisa, Sara... Que merda você tinha na cabeça para ir até aquele galpão sozinha?!

A pergunta ecoou pelas paredes de mármore do banheiro como um estalo seco, cortando o vapor morno que subia da banheira. Senti cada músculo das minhas costas travar contra o peito do Henry.

A água aquecida, que minutos atrás parecia o único refúgio seguro em meio ao caos, de repente pareceu perder todo o seu calor.

Engoli o nó áspero que insistia em fechar a minha garganta e tentei me virar de lado na água para encará-lo. Os olhos do Henry não tinham o brilho carinhoso de sempre; eles ardiam em uma mistura pesada de fúria contida, mágoa e um desespero cru que me fez estremecer por dentro.

— Eu não tive escolha, Henry... — sussurrei, a voz saindo fraca e trêmula, carregada pelo cansaço do meu corpo machucado. — Aquele homem foi direto e implacável no telefone. Ele disse com todas as letras que se eu não estivesse lá em sessenta minutos, e se eu não fosse completamente sozinha, ele mataria o Samuel sem pensar duas vezes!

Henry soltou uma risada amarga e áspera, balançando a cabeça em pura descrença.

— Não teve escolha, Sara?! Não fode! Você estava dentro da empresa, cercada por mim, pelo Adrian, pelo Augustus e com a porra do Willian parado bem do seu lado! Você tinha uma rede inteira pronta para te proteger, mas preferiu simplesmente apagar o cérebro, ignorar todo mundo, fugir feito uma louca e se jogar de peito aberto nas mãos de um bando de traficantes armados até os dentes!

As palavras dele me atingiram com a força de um tapa no rosto, reabrindo a ferida que ainda ardia na minha bochecha.

— Você fala como se fosse muito fácil pensar de forma fria e calculista quando a vida de alguém está na reta, Henry! — rebati, sentindo as primeiras lágrimas quentes queimarem a minha vista. — O Samuel é o meu irmão! Eu sei perfeitamente que ele está afundado no vício, sei de todos os erros e das merdas gigantescas que ele faz, mas ele ainda é o meu irmão! Ele é a única família que me sobrou neste mundo! O que você queria que eu fizesse?! Que eu cruzasse os braços e deixasse um bando de criminosos executarem o meu próprio sangue a sangue-frio?!

Henry desferiu um tapa violento na superfície da água da banheira, espirrando gotas para todos os lados.

— Eu queria que você confiasse em mim, porra! Que você me contasse a verdade no exato instante em que aquele filho da puta ligou! Você me prometeu, Sara! Você olhou nos meus olhos dentro do meu apartamento e jurou que nunca mais esconderia nada que envolvesse aquele parasita! Mas bastou aquele verme estalar os dedos para você jogar a sua própria segurança no lixo e correr para a cova dos leões!

— Eu entrei em pânico, Henry! O cara me deu um prazo ridículo de sessenta minutos! Eu achei que se eu contasse para você ou envolvesse a polícia, eles iam descobrir e matariam o Samuel antes que qualquer um pudesse fazer alguma coisa!

— Pois você não foi só irresponsável, Sara! Você foi ingênua, inconsequente e deu valor demais para quem não vale nem a terra que pisa! Aquele crápula do seu irmão te extorquia, invadia a sua casa, te batia para arrancar dinheiro para comprar droga e agora quase custou a sua vida! Ele usou a porcaria da mercadoria, distribuiu o que não era dele e jogou a sentença de morte nas suas costas sabendo muito bem que você viria correndo feito uma idiota!

— NÃO FALA DELE ASSIM! — gritei, as lágrimas escorrendo desgovernadas pelo meu rosto. — Você não sabe o que é crescer sem ninguém, Henry! Você não sabe o que é olhar para o lado e ter apenas uma pessoa no mundo inteiro que compartilha as suas origens, mesmo que essa pessoa seja completamente destruída e quebrada pelo vício! Eu não podia simplesmente assinar a sentença de morte do meu único irmão!

A discussão escalava em um ritmo incontrolável. A veia no pescoço do Henry pulsava visivelmente, e a frustração dele ultrapassou qualquer limite de paciência.

— E você achou que ia resolver como, Sara?! Me diz! Como uma mulher sozinha, sem um único centavo, ia entrar em um galpão dominado por assassinos e sair de lá ilesa?! Você por acaso parou para pensar, por um único segundo da sua vida, no que teria acontecido se nós não tivéssemos chegado a tempo?! Você parou para raciocinar no que eu teria encontrado naquele galpão se a gente demorasse cinco minutos a mais?!

O ar sumiu do meu peito. A imagem do homem sobre o meu corpo, rasgando a minha calcinha e tirando o cinto enquanto eu estava presa pelas algemas na cabeceira de ferro, estourou na minha mente como uma granada.

A dor, a humilhação e o terror daquele momento se transformaram em um grito dilacerante que rasgou a minha garganta de uma vez só.

— EU SEI, HENRY!! EU SEI!! EU ESTAVA LÁ NAQUELA CAMA!! EU SENTI AS MÃOS NOJENTAS DAQUELE CRETINO NO MEU CORPO, EU SENTI O PESO DELE EM CIMA DE MIM E OUVI CADA PALAVRA ASQUEROSA QUE ELE ME DISSE!! EU SEI EXATAMENTE O QUE QUASE ACONTECEU E NÃO PRECISO QUE VOCÊ FIQUE JOGANDO ESSA MERDA NA MINHA CARA COMO SE EU NÃO ESTIVESSE SUFICIENTEMENTE DESTRUÍDA POR DENTRO!!

Henry arregalou os olhos, a respiração cortada pelo meu desabafo. Ele estendeu os braços na água, tentando me puxar de volta para o peito dele.

— Sara... Espera, não foi isso que eu...

— ME SOLTA! — empurrei as mãos dele com toda a força que existia nos meus braços, recusando o toque. — NÃO ENCOSTA EM MIM!

Fiquei de pé dentro da banheira, sentindo as pernas tremerem sob o peso do meu próprio corpo. A água escorria pela minha pele enquanto eu saía com movimentos bruscos, quase tropeçando no tapete do chão.

Puxei a toalha grande do suporte de metal, enrolei o tecido com pressa ao redor do meu corpo para me cobrir e atravessei a porta do banheiro, entrando no quarto com o peito subindo e descendo em soluços pesados.

Passei a toalha pela pele para me secar de qualquer jeito, sentindo a dormência dos meus pulsos marcados pelas algemas latejar a cada movimento.

No chão, ao lado da cama, estava a minha roupa. Vesti as peças com as mãos trêmulas, querendo apenas me cobrir e fugir daquele ambiente sufocante.

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