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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 154

Capítulo 154 — O Que Realmente Importa

Henry Reeves

O silêncio tenso do quarto de hóspedes pesava sobre os meus ombros. A sensação amarga de quase ter colocado tudo a perder queimava a minha garganta.

Eu tinha agido como um animal descontrolado minutos atrás. Em vez de acolher a mulher por quem eu estava completamente apaixonado depois do pior trauma da existência dela, deixei a porra da fúria e o pavor me cegarem a ponto de quase empurrá-la para fora daquele quarto.

Se eu a perdesse por culpa da minha arrogância, nunca mais me perdoaria.

Mantive as minhas mãos trêmulas apoiadas no rosto dela, sentindo a textura macia da pele marcada da Sara, o calor da respiração dela batendo nos meus lábios enquanto o desespero de mantê-la ao meu lado ditava cada pulsar do meu coração.

— Eu estou aqui com você, Sara... Você está viva e inteira. Então, por favor, minha princesa… Não me afasta. Não faz isso com a gente. Por favor, não me afasta de você.

Sara ergueu os olhos castanhos, as lágrimas ainda brilhando. Ela soltou um suspiro entrecortado que desarmou qualquer resquício de orgulho que ainda pudesse existir em mim.

— Me perdoa, Henry... Eu não vou te afastar, amor. Eu nunca quis fazer isso com a gente...

As palavras dela foram como água fresca no inferno que queimava o meu peito. Sem conseguir esperar nem mais um milésimo de segundo, inclinei o rosto e tomei a boca da minha mulher em um beijo profundo, desesperado e faminto.

A língua dela encontrou a minha em uma dança compassada de puro alívio, partilhando o gosto salgado de suas lágrimas.

Passei as mãos pelas costas dela, descendo com firmeza pela curva da cintura fina até alcançar a curva redonda e farta da sua bunda. No mesmo instante em que apertei a carne macia sob o tecido fino, Sara deu um pequeno impulso com o corpo, pulou no meu colo e entrelaçou as pernas ao redor da minha cintura com uma urgência que acelerou o meu sangue.

Segurei o peso leve do corpo dela com os dois braços, caminhando a passos lentos e firmes até a beirada da cama. Acomodei a Sara sobre os lençóis com extremo cuidado, e deitei o meu corpo sobre o dela, apoiando os antebraços no colchão para não sobrecarregar a minha mulher.

Coloquei uma mão espalmada em cada lado do rosto dela, mantendo os nossos olhos fixos. Fiquei ali por longos minutos, em silêncio absoluto, apenas admirando cada centímetro daquele rosto desenhado, memorizando cada traço, cada curva e agradecendo a Deus por ela estar inteira e viva debaixo de mim.

Inclinei a cabeça devagar e passei a ponta do meu nariz pela bochecha suave dela, arrastando o toque até a curva da mandíbula. Sara fechou os olhos e soltou um suspiro longo, que arrepiou a minha nuca inteira.

Desci os lábios em beijos quentes e lentos pelo pescoço dela, descendo pelo colo e pelo decote do body que ela ainda vestia. Porém, no exato segundo em que as pontas dos meus dedos roçaram o tecido rasgado perto da sua cintura, a imagem daquele galpão imundo atingiu a minha mente como um raio.

O canalha em cima dela. As algemas de ferro. A violência crua.

Travei a postura na hora. O ar faltou no meu peito. Recuei o tronco devagar, apoiando as mãos na cama e encarando a Sara com aflição.

Ela abriu os olhos devagar, confusa com o meu recuo repentino.

— O que foi, Henry? O que aconteceu?

Passei a mão com cuidado pelos cabelos dela, a minha voz saiu rouca e contida.

— Não é o momento para isso, princesa. Você acabou de passar por um inferno. Eu vou me trocar, vou pegar uma camiseta limpa para você vestir e vou chamar a Aline lá embaixo para examinar você direito e cuidar dessas marcas.

Sara balançou a cabeça em uma negativa imediata. Ela levou as duas mãos até o meu peito nu, subiu até a minha nuca e a segurou me puxando para baixo, colando a boca dela na minha em um beijo insistente e carregado de emoção.

Tentei afastar os lábios devagar, resistindo com todo o autocontrole que eu tinha.

— Amor... Calma. Você não precisa fazer isso agora.

Sara segurou o meu queixo com firmeza, os olhos brilhando em uma determinação cristalina.

— Eu preciso sim, Henry... Eu preciso de você agora para esquecer todo o resto. Eu preciso sentir o seu corpo, o seu peso, o seu cheiro... Eu preciso deste momento para ter certeza absoluta de que nós estamos bem e que nada naquele inferno conseguiu me tirar de você.

Ouvir aquilo partiu o meu coração e, ao mesmo tempo, encheu a minha alma de uma devoção incalculável. Segurei o rosto dela entre as minhas mãos com delicadeza.

— É preciso de muito mais do que um bando de vermes daqueles para fazer eu ficar mal com você, Sara. Eu me estressei com o perigo que você correu, não vou mentir sobre isso... Mas nada neste mundo seria capaz de me afastar de você. Absolutamente nada.

Um sorriso doce e tímido surgiu nos lábios dela.

— Você é muito exagerado, sabia?

​Capítulo 154 — O Que Realmente Importa 1

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