Capítulo 156 — A escolha vai ser dele
Henry Reeves
Augustus mantinha os olhos nos meus antes de continuar.
— Porque ele vai acordar. E quando ele abrir os olhos, vai perceber que deve a vida a você e aos homens que invadiram aquele galpão. — meu amigo concluiu.
Fiquei em silêncio por alguns instantes, deixando as ideias se assentarem no meu cérebro. Eu passei a última semana inteira desejando que o Samuel sumisse do mapa. Aquele viciado desgraçado roubou a paz da minha mulher, extorquiu o pouco dinheiro que ela tinha, levantou a mão para a irmã e hoje quase a entregou de bandeja para ser estuprada por um traficante asqueroso.
O meu primeiro instinto quando pisei naquele cais foi querer que ele sangrasse até a última gota naquele chão frio.
Mas a realidade não era tão simples. A dor da Sara era a minha dor. Se aquele moleque morresse na sarjeta, a culpa e o luto corroeriam a alma da minha garota pelo resto dos dias dela. E eu a amava demais para permitir que o fantasma do irmão destruísse o futuro que eu planejava construir ao lado dela.
Ergui a cabeça, sustentando o olhar atento dos meus amigos.
— Eu vou manter o moleque vivo. Vou bancar a melhor equipe médica de São Francisco para garantir que ele se recupere fisicamente de cada uma dessas fraturas. Não por consideração àquele crápula... Mas pela Sara. Por ela e unicamente por ela.
Adrian deu um meio sorriso aprovador, assentindo com a cabeça.
— Essa é a postura certa, irmão.
— Mas tem uma condição inegociável — continuei, a minha voz saindo com a firmeza cortante de uma sentença irrevogável. — No segundo em que os médicos derem alta da UTI e tirarem aquele tubo da garganta dele, o Samuel não pisa mais os pés nesta cidade. Ele não volta para a rua, não volta para as companhias podres dele e não chega a menos de dez quilômetros da Sara.
Lucas inclinou o corpo para a frente, curioso.
— E qual é o seu plano exato para ele, Henry?
— Eu vou enfiar aquele moleque em uma clínica de reabilitação fechada de altíssimo nível fora do estado — afirmei, batendo o punho fechado contra a própria palma. — Um centro de tratamento intensivo no meio do nada, com isolamento absoluto, segurança armada na portaria e equipe médica multidisciplinar 24 horas por dia. Se ele quiser ter uma segunda chance de respirar nesta vida, vai ter que encarar a desintoxicação na marra, passar pela dor da abstinência e aprender a ser homem. Se ele aceitar se tratar de verdade e provar que quer mudar, eu mantenho os custos e garanto a recuperação dele. Mas se ele tentar fugir ou der um único passo em falso para trás... Ele vai estar por conta própria e a polícia vai reabrir a ficha criminal dele sem piedade.
Thomas abriu um sorriso de canto, assentindo com aprovação.
— Eu conheço a instituição perfeita para isso, Reeves. O Alex mantém convênios e protocolos de segurança com uma fazenda de recuperação clínica e neurológica nas montanhas do Colorado. O acesso é estritamente controlado por biometria, não entra uma grama de substância ilícita nem por reza brava e os caras têm especialistas em reabilitação física para traumas graves. É o lugar perfeito para reconstruir um sujeito quebrado física e mentalmente.
— É exatamente disso que nós precisamos — respondi, sentindo que finalmente tínhamos um plano sólido e humano nas mãos. — Quando chegar a hora certa, eu mesmo vou até o quarto dele naquele hospital. Vou olhar dentro dos olhos daquele moleque, mostrar o raio-x do estrago que fizeram no corpo dele e colocar a proposta na mesa. Vai ser a clínica ou o cemitério. A escolha vai ser dele.
— E a Sara vai concordar com isso? — Adrian perguntou com cautela.


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