Capítulo 157 — Rede de Proteção
Sara Olsen
A claridade suave da manhã entrava pelas frestas da cortina da suíte, desenhando feixes dourados sobre o lençol branco. Antes mesmo de abrir os olhos, senti o calor pesado e protetor do braço do Henry cruzado com firmeza sobre a minha cintura, o peito dele subindo e descendo contra as minhas costas.
Por um segundo, a sensação de paz foi tão profunda que quase me fez esquecer onde estávamos. Mas bastou um movimento mínimo para que as dores no meu corpo me trouxessem de volta à realidade: os pulsos queimavam com a fricção das algemas e a lateral do meu rosto latejava onde a bofetada havia estalado.
Me mexi devagar, e Henry acordou no mesmo instante. Os olhos azuis dele se abriram em alerta puro, mas se suavizaram no segundo em que pousaram em mim.
— Bom dia, princesa... — ele murmurou com a voz rouca de sono, roçando a ponta do nariz no meu pescoço antes de me puxar um pouco mais para si. — Como você tá se sentindo? O corpo dói muito?
Virei o rosto na direção dele no travesseiro, engolindo o peso que voltou a fechar a minha garganta.
— O corpo tá dolorido, mas... não é isso que está me incomodando.
Henry me olhou confuso, antes de perguntar.
— E o que está te incomodando, meu amor? — ele perguntou passando o nariz no meu.
— Meu irmão, Henry. Me diz sobre o Samuel. — pedi com o coração disparando com a urgência da incerteza. — O que aconteceu com ele depois que vocês me tiraram de lá? Me diz a verdade, amor. Ele tá vivo?
Henry sustentou o meu olhar sem desviar nem piscar, a expressão séria, mas infinitamente cuidadosa.
— Ele tá vivo, Sara. Tá vivo e tá no hospital.
Soltei um suspiro trêmulo, sentindo um nó na garganta se desatar.
— Ele... ele tá muito machucado, né? Eu vi ele lá, o sangue, ele desmaiado…
— Não vou mentir pra você, amor. A surra foi pesada. Os médicos precisaram operar ontem à noite pra conter alguns sangramentos internos e estabilizar as fraturas. Ele tá na UTI agora, sedado e em observação direta. O quadro é delicado, exige cuidados intensivos, mas os melhores especialistas do San Francisco General estão cuidando dele. O Andrew passou a noite inteira lá garantindo que ninguém se aproximasse e que ele recebesse o melhor tratamento possível.
As lágrimas arderam na minha vista, mas o fato de saber que ele sobreviveu àquela carnificina no cais trouxe um alívio imenso.
— Eu preciso ver ele, Henry. Eu quero ir até lá.
Henry levou a mão ao meu rosto, acariciando o canto da minha bochecha com um cuidado extremo para não pressionar a área machucada.
— Nós vamos, princesa. Eu te levo lá hoje mesmo. Mas primeiro vamos levantar, tomar um banho com calma e comer alguma coisa. Combinado?
Assenti com um aceno leve.
— Combinado.
Ele me ajudou a sair da cama, me apoiando como se eu fosse de vidro. Entramos no chuveiro juntos. A água quente escorrendo pelas minhas costas lavou o resto daquela sensação pegajosa de medo, e o Henry fez questão de lavar o meu cabelo com delicadeza, beijando o topo da minha cabeça a cada movimento.
Quando saímos do banheiro, ele se secou rápido, vestiu uma calça jeans e uma camiseta.
— Vou dar uma descida rápida pra arrumar uma roupa pra você com uma das meninas — Henry disse, pegando a maçaneta.
Antes que ele abrisse, duas batidas leves soaram na madeira. Ele destrancou e Victoria surgiu no corredor com uma muda de roupa dobrada nos braços, um sorriso acolhedor no rosto e os olhos castanhos brilhando de preocupação.
— Bom dia, casal — ela disse baixinho. — Trouxe uma calça de moletom macia e uma blusa de algodão minha pra você, amiga. Acho que vai ficar perfeito.
— Obrigado, Vic — Henry agradeceu, pegando a pilha de roupas e entregando na minha mão.
Victoria olhou para ele com cumplicidade.

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