Capítulo 53 — Fronteiras Invisíveis
Adrian Foley
Eu ainda estava profundamente irritado e com o estômago embrulhado ao pensar na porra do jantar dela com o Avery hoje à noite. Mas toda aquela irritação foi sumariamente deixada de lado no segundo em que a tomei mais uma vez contra a parede daquele box, deixando que o desejo passasse por cima do meu bom senso.
O problema real foi que, no meio de toda aquela empolgação e urgência, eu simplesmente não me preveni.
Nós dois estamos tentando fazer isso dar certo agora. Decidimos, de comum acordo, descobrir juntos o que está acontecendo entre nós. Mas o contrato de casamento ainda é totalmente vigente e, neste momento da minha vida, com uma holding inteira para reestruturar, eu não tenho intenção nenhuma de ter filhos.
— Claro... — a voz dela veio quebrada, carregada de uma mágoa súbita que fez o meu peito apertar de leve. — Eu jamais me esqueceria desse pequeno detalhe, Adrian. Filhos são estritamente proibidos entre nós.
Victoria se afastou de mim imediatamente, puxando a toalha contra o corpo. Caminhou a passos rápidos até as sacolas de compras de mais cedo sobre o colchão, pegou um vestido azul fluido e seguiu direto para o interior do closet para se trocar, isolando-se de mim.
Eu a segui de perto, incapaz de deixá-la sozinha com aquele clima gélido. Ela estava terminando de ajustar as alças da lingerie de renda quando me aproximei do seu espaço, observando a linha tensa dos seus ombros.
— Está tudo bem, Vic? — perguntei, a voz saindo mais baixa.
Ela forçou um sorriso rápido que, visivelmente, não chegou nem perto de alcançar os seus olhos castanhos.
— Está sim, Adrian. Eu só preciso me arrumar rápido agora. O vovô Vivi... — sorri internamente pelo apelido carinhoso e inusitado que ela havia dado ao meu avô. — ...ia para o hospital ficar com a tia Marie. Como eu cheguei de viagem e acabei não indo visitá-la por conta da correria em arrumar um emprego, falei com ele agora à tarde e pedi que ele me fizesse uma chamada de vídeo assim que estivesse por lá.
Assenti com um aceno curto de cabeça e avisei que iria para os meus aposentos me trocar também. Peguei o meu celular sobre o criado-mudo, recolhi as minhas roupas espalhadas pelo chão do quarto e segui para o meu próprio dormitório.
Assim que terminei de abotoar a minha calça e colocar a minha camiseta preta, o visor do meu celular acendeu, vibrando com uma chamada internacional. Olhei para a tela, reconhecendo o número de imediato, e dei um sorriso de lado ao atender.
— Deixa eu ver se eu adivinho... Enjoou dos olhinhos puxados de Tóquio e quer voltar correndo para casa?
Ouvi a risada limpa e familiar dela ecoar do outro lado da linha, preenchendo o silêncio do cômodo.
— Você me conhece bem demais, Ade. Não dá nem para tentar disfarçar com você.
Eu ri de volta, caminhando até a janela.
— Você sabe muito bem que eu ainda não posso te trazer de volta, Natalie. Foi um acordo rígido que eu firmei com o seu avô antes de você embarcar.
Ouvi o som dela soltando o ar com força do outro lado, nitidamente frustrada com a burocracia familiar.
— Ah, Ade... Esse acordo de transição é injusto demais comigo. Eu já aprendi absolutamente tudo o que precisava por aqui na filial de Tóquio, estou mais do que pronta para assumir o meu cargo de diretoria na empresa. Você bem que podia interceder e falar diretamente com ele por mim, não acha?
Olhei de relance para o relógio digital na parede e notei que já era 19:30. Victoria sairia em breve para o seu bendito jantar no centro da cidade. Voltei a minha total atenção para a linha.
— Eu tenho um almoço de negócios agendado com ele e com o meu avô neste próximo sábado, Natalie. Prometo para você que vou levantar a hipótese de antecipar o seu retorno.
Ela resmungou prontamente do outro lado, usando aquele tom manhoso e mimado de sempre que conseguia tudo o que queria de mim.
— Ah, não, Ade! Hipótese não, por favor. Faça acontecer de verdade... Por mim... Você sabe que eu odeio ficar longe.
Soltei o ar pelos lábios, cedendo à insistência dela como sempre fazia.
— Tudo bem, Natalie. Vou falar firmemente com ele no sábado e nós damos um jeito de te trazer de volta para São Francisco.
Ela soltou um grito tão alto e estridente de pura comemoração do outro lado da linha que eu precisei afastar o aparelho do ouvido por um segundo, rindo da empolgação.
— Você é simplesmente o melhor de todos, sabia, Ade? O melhor! Eu estou morrendo de saudades de você. Promete para mim que, quando eu desembarcar no aeroporto, você vai passar uma semana inteirinha me mimando e fazendo todas as minhas vontades?
Balancei a cabeça em negação, sorrindo sozinho. Natalie definitivamente não mudava nunca; ainda era uma criança birrenta e mimada em um corpo de mulher adulta.
— Prometo dar o meu melhor, Natalie. Pode ficar tranquila.
Aquelas minhas palavras foram o suficiente para acalmá-la. Nós nos despedimos rapidamente e encerrei a ligação, jogando o aparelho sobre a colcha.
No mesmo instante, ouvi duas batidas discretas na porta do quarto. Era a Vera, trazendo em mãos a pequena sacola de papel da farmácia com os comprimidos que o motoboy da holding havia acabado de entregar na portaria.
Agradeci à governanta, saí do meu quarto e voltei direto para a suíte da Victoria.
Entrei no cômodo sem bater, empurrando a porta devagar. Ela estava parada diante do espelho da penteadeira, terminando de ajustar o vestido azul. O tecido evidenciava o seu colo de forma impecável, modelava a sua cintura fina com perfeição e descia solto pelas suas pernas.
Ela estava linda. Porra... Linda era um termo visivelmente pequeno para descrever o impacto daquela cena. Victoria estava absolutamente maravilhosa.

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