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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 54

Capítulo 54 — Jogo de Cartas Marcadas

Victoria Clark

Adrian Foley era um idiota completo. Um idiota lindo, mas ainda assim, um poço de teimosia.

Assim que ele saiu do meu quarto, terminei de me trocar às pressas e liguei para o vovô Vivi. Conversamos rapidamente por vídeo; ele fez questão de me mostrar a tia Marie, que parecia visivelmente melhor, radiante e com as bochechas coradas.

Desligamos logo em seguida para que eu pudesse seguir para o meu compromisso sem atrasar ainda mais. Foi quando o Adrian voltou ao meu quarto para me dar o bendito remédio “anti-bebê” e insistir em me trazer até o restaurante.

Quando finalmente chegamos, a Sara me mandou uma mensagem avisando que não poderia vir e o Adrian, sem sequer me perguntar se eu estava de acordo com os planos dele, decidiu ligar a ignição do carro para darmos meia-volta e irmos embora.

— Você ouviu o que eu acabei de dizer, Adrian? — perguntei, mantendo a minha mão espalmada com firmeza sobre a dele, que apertava o volante.

Visivelmente irritado com a minha insistência, ele desligou o motor do carro com um tranco e me lançou um olhar puramente furioso, as íris azuis faiscando na penumbra do veículo.

— Você vai mesmo insistir em entrar ali para jantar completamente a sós com o Avery, Victoria?

Revirei os olhos de forma dramática, soltando um suspiro pesado.

— Quantas vezes nós vamos ter que conversar sobre esse seu ciúmes doentio, Adrian? Você é o CEO de uma holding, precisa aprender a controlar os seus impulsos.

Ele soltou uma risada curta, seca e totalmente sem humor, encostando-se no banco.

— Falou a mulher que inventou para a empresa inteira que eu sou gay só para afastar as funcionárias de perto de mim.

Senti um calor súbito e violento subir direto pelo meu pescoço, mas não recuei.

— É uma situação completamente diferente, Adrian. Aquelas mulheres assanhadas só queriam o cargo de secretária na esperança de conseguirem uma única noite com você na sua cama.

Ele logo rebateu na ponta da língua, inclinando o corpo na minha direção.

— E o Avery só mantém essa pose de melhor amigo porque tudo o que ele mais quer nesta vida é uma única noite com você, Victoria.

Olhei para ele de forma totalmente incrédula, ultrajada com a audácia.

— Você é completamente maluco. O Lucas é meu melhor amigo, ele sempre me respeitou em todos os momentos e nunca, em hipótese alguma, passou dos limites comigo.

Adrian soltou uma risada baixa e perigosa.

— Ok... — ele disse em um tom de voz sussurrado, estreitando os olhos. — Então você pode olhar bem no fundo dos meus olhos agora e me garantir, com cem por cento de certeza, que ele não sente absolutamente nada por você? Pode me garantir que tudo o que ele espera colher desta linda e pura amizade não é apenas uma oportunidade de ficar com você? Consegue me garantir isso, Vic?

Engoli em seco, sentindo a minha garganta travar. Eu não podia garantir aquilo. Eu não podia mentir para ele, porque, no fundo da minha alma, eu sempre soube dos sentimentos românticos que o Lucas nutria por mim, por mais que eu fingisse que eles não existiam para preservar a nossa história.

Adrian percebeu a minha hesitação no mesmo milésimo de segundo. Um sorriso de canto, cínico e vitorioso, desenhou os lábios dele antes de ele disparar.

— Foi exatamente o que eu pensei.

Ele estendeu a mão para ligar o motor do carro novamente, mas eu o parei no mesmo instante, segurando o braço dele com força.

— Adrian, por favor, eu não posso fazer isso com ele. Independentemente de quais sejam os sentimentos do Lucas por mim, eu sempre fui muito clara e honesta sobre os meus. O Lucas, para mim, é apenas um amigo. Um amigo querido que eu não vejo há semanas e que está, neste exato momento, sentado lá dentro me esperando...

Adrian encarou a minha mão no seu braço, digerindo as minhas palavras. Ele desligou o carro novamente, relaxando os ombros, e me olhou com uma determinação fria.

— Então eu vou entrar com você.

Olhei para ele completamente confusa, piscando os olhos.

— Como é que é?

Ele manteve o tom de voz firme e inabalável.

— Ou eu entro nesse restaurante agora e janto com vocês dois, ou nós dois vamos embora juntos para casa neste exato momento. A escolha é inteiramente sua, Victoria. O que vai ser?

Soltei o ar em uma derrota clara, massageando as minhas têmporas.

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