Capítulo 55 — Fantasmas do Passado
Adrian Foley
Se o Lucas Avery pensou por um único segundo que eu o deixaria jantar completamente sozinho com a minha mulher, ele estava redondamente enganado. A minha cota pessoal em ser passado para trás por aquele desgraçado já havia se esgotado há muitos anos, e eu não daria a ele o luxo de um milímetro de vantagem.
Victoria tinha total razão: entrar de mãos dadas com ela em um restaurante conhecido, requintado e extremamente movimentado no centro da cidade era um risco do caralho para o sigilo que eu precisava manter diante dos acionistas.
Mas se eu tivesse que convocar uma coletiva de imprensa oficial amanhã de manhã para anunciá-la publicamente como a minha legítima esposa apenas para afastar esse cretino da aba dela, eu faria. Sem hesitar por um segundo.
Entramos na sala privativa do andar superior e o sorriso pretensioso do crápula morreu no mesmo instante em que os seus olhos focaram em mim.
— A minha mulher não te deu os canos, Avery. Mas trouxe o bolo para a festa — disparei com o meu melhor tom de deboche, o braço firme ao redor da cintura da Vic.
O sujeito, que sempre se orgulhou de ser o "miss simpatia" do meio corporativo e que sempre sabia exatamente o que dizer para sair por cima, ficou completamente sem palavras.
A surpresa o desarmou por alguns segundos.
— Lucas... O Adrian veio jantar com a gente hoje. Espero que isso não seja um problema — Victoria interveio de imediato, a voz mansa. Eu conseguia sentir o quanto o corpo dela estava tenso sob o meu toque.
Lucas ajeitou o terno, engolindo o choque, e forçou o mesmo sorriso polido e plástico de sempre de volta ao rosto.
— Tudo bem, princesa... — ele usou o apelido de forma deliberada apenas para me provocar. Um som ríspido e ruidoso de aviso escapou do fundo da minha garganta no mesmo milésimo de segundo, mas ele simplesmente não se importou.
— O mais importante para mim nesta noite é a sua presença, Vic. E se para desfrutar da sua companhia eu tiver que dividi-la com o Foley... Eu aceito de bom grado. Afinal, já estamos bastante acostumados com esse tipo de dinâmica, não é mesmo, Ade?
Fechei a minha mão livre em um punho tão firme que as minhas juntas estalaram. Uma vontade louca e primitiva de quebrar o protocolo, partir para cima desse babaca e arrancar aquele sorriso cínico da cara dele com um soco me dominou por completo.
Victoria, percebendo a iminência do desastre, agiu rápido: colocou a mão delicada sobre o meu punho cerrado que repousava na sua cintura. Foi um gesto simples e sutil para me acalmar, mas que chamou a atenção do Lucas imediatamente.
Os olhos dele ficaram totalmente presos na cena das mãos dela me tocando com intimidade.
— Vamos nos sentar? — ela perguntou, forçando um sorriso e mudando abruptamente de assunto na tentativa clara de diminuir a tensão sufocante do ambiente.
Ambos assentimos de forma rígida. Ocupamos os nossos lugares ao redor da mesa redonda e a equipe de garçons entrou logo em seguida, nos entregando os cardápios em mãos.
No entanto, Lucas recusou o dele com um aceno descontraído.
— Nós dois vamos querer o Filé com Massa Trufada da casa. Estou certo na escolha, não é, Vic?
Ela sorriu para ele, ajeitando o guardanapo no colo.
— Você me viciou nesse Fettuccine, Lucas. Não dá para negar.
Os dois riram juntos de uma piada interna. Eu, obviamente, não achei a menor graça. O garçom se voltou na minha direção, pigarreando polidamente.
— E para o senhor?
Entreguei o menu de couro de volta para ele com total frieza.
— Para mim, um Filé au Poivre Vert e um Single Malt. A bebida você já pode me servir agora, por gentileza.
O homem assentiu com a cabeça. Lucas, mais uma vez tentando assumir o papel de anfitrião da minha mulher, tomou a frente e pediu para os dois uma garrafa de Chardonnay para acompanhar o prato principal.
O funcionário anotou todos os pedidos e retirou-se da sala privativa. Lucas inclinou o corpo, ignorando a minha presença ali, e olhou diretamente para a minha esposa.
— Então, Vic... Como está a tia Marie com esse novo tratamento?
Ela se ajeitou confortavelmente na cadeira e respondeu.
— Ela está ótima, Lucas. O senhor Foley foi visitá-la pessoalmente hoje e nós duas conversamos por FaceTime agora há pouco, antes de eu sair.
O garçom retornou trazendo o meu uísque. Agradeci com um aceno curto e dei um gole longo na bebida forte. Lucas voltou os olhos para a Vic e continuou.
— Fico muito feliz em saber disso, princesa. Temos que marcar de irmos juntos visitá-la no hospital um dia desses.
Bati o copo de cristal contra a mesa com um clique seco, fixando o meu olhar mais gélido no dele.
— Princesa? — repeti a palavra com uma calmaria perigosa. — Acho que você realmente está perdendo a total noção do perigo por aqui, Avery.
Victoria me olhou com os olhos arregalados, o aviso implícito na voz.
— Adrian...
Lucas soltou uma risada nasalada, encostando-se na cadeira com total audácia.

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