Capítulo 56 — O Reverso da Moeda
Victoria Clark
O jantar não foi dos melhores, mas, para ser bem justa, também não foi um desastre total. Lucas não pegou nem um pouco leve com o Adrian nas provocações e nas alfinetadas veladas e, claro, o meu "marido" de ferro também não deixou barato em nenhum momento.
Por mim, eu fazia exatamente igual a tia Marie costumava fazer comigo quando eu era pequena: colocava os dois homens de castigo no cantinho do pensamento para reverem as suas atitudes infantis.
Só que aí me lembrei de que, mesmo não parecendo em nada diante daquela disputa de egos, eu estava lidando com dois adultos feitos, e que eles precisavam era se resolver como tais.
Mas com certeza não seria hoje. Porque hoje, antes de qualquer coisa, eu precisava entender primeiro que rixa do passado era essa entre esses dois babacas.
— Então, não vai me responder? — insisti, mantendo o meu corpo virado na direção dele no banco do carona.
Adrian se inclinou na minha direção e me puxou para outro beijo rápido, mas intenso, antes de responder contra os meus lábios.
— Vou, querida. Mas não agora.
Ele se afastou de mim, girou a chave na ignição e ligou o motor do carro antes de completar de forma taxativa.
— E muito menos hoje à noite.
Bufei irritada, cruzando os braços com força sobre o peito enquanto ele engatava a marcha e passava a focar toda a sua atenção no trânsito à sua frente.
— Isso não tem a menor graça, Ade. Eu acho que tenho o total direito de saber como funciona toda essa dinâmica do passado de vocês. Se você não quiser me contar de jeito nenhum, beleza. Eu simplesmente pego o celular e pergunto diretamente para ele.
Peguei o meu aparelho dentro da bolsa para enviar uma mensagem para o Lucas, mas Adrian foi consideravelmente mais rápido. Num movimento ágil, ele estendeu a mão direita e arrancou o celular dos meus dedos.
— Adrian!! — chamei a atenção dele, ultrajada.
— Eu disse que vou te contar tudo, Victoria. Mas não hoje. E você não vai falar sobre esse assunto com o Avery antes de nós dois sentarmos e conversarmos direito. Você me entendeu bem?
O tom de voz dele saiu completamente autoritário, firme e gélido. Era exatamente o mesmo tom rígido que ele costumava usar comigo quando nos conhecemos, no início do contrato.
— Entendi — falei em um tom de voz baixo, guardando a minha indignação.
O restante da viagem até o condomínio seguiu em um silêncio absoluto. Assim que chegamos à cobertura, Vera nos recebeu no saguão com um sorriso acolhedor, perguntando polidamente se precisávamos de alguma coisa para o jantar, mas nós negamos com um aceno e fomos direto para a ala dos quartos.
Parei em frente à porta do meu dormitório e me virei para ele.
— Boa noite, Ade. Vou tomar um banho rápido e cair na cama, que o meu dia foi longo.
Fiz menção de girar a maçaneta para entrar no meu quarto, quando, de repente, senti as mãos grandes dele se prenderem com firmeza na dobra dos meus joelhos. Num único movimento fluido e inesperado, ele me suspendeu no ar e me pegou no colo.
— Ade!! — dei um grito contido, mas ele simplesmente me ignorou, dando meia-volta e caminhando comigo em direção aos aposentos dele. — Posso saber o que você pensa que está fazendo comigo?
Ele inclinou o rosto e me deu um selinho rápido antes de responder.
— Levando a minha esposa para o nosso quarto.
Arqueei uma das minhas sobrancelhas para ele, sustentando o olhar.
— Nosso, senhor Foley? Achei que este complexo fosse o seu quarto exclusivo de solteiro. Uma ala totalmente proibida pra mim, segundo o seu contrato.
Adrian empurrou a porta da suíte master, entrou comigo ainda firme em seus braços e chutou a madeira com o pé, a fechando com um estrondo suave e girando a tranca.
— Isso mesmo, senhora Foley. Nosso. — ele respondeu de forma firme, sem dar margem para contestações. — Nós dois decidimos que iríamos dar uma chance real a esse relacionamento, Victoria. E, na minha concepção, nessa tentativa, está incluído o fato de você dormir protegida nos meus braços todas as noites.
Ele parou bem ao lado da imensa cama de casal e me encarou por alguns segundos longos e intensos em silêncio.
— Ou por acaso você já desistiu da ideia? Se você mudou de ideia...
Eu não o deixei terminar de formular a frase. Me inclinei para a frente e o beijei com total vontade, calando as dúvidas dele. E, como sempre acontecia após os nossos beijos mais intensos, nós nos perdemos completamente um no outro entre os lençóis.
Mais tarde, eu estava deitada confortavelmente com a cabeça apoiada no peito dele, sentindo o compasso do seu coração, enquanto os meus dedos traçavam distraidamente as linhas desenhadas do seu abdômen definido.
— Eu adoro cada pedacinho do seu corpo, Ade... Mas eu preciso te dizer com toda a honestidade que esse seu tanquinho me faz ter uma vontade absurda de abandonar a máquina de lavar e esfregar em você até as minhas calcinhas...
Adrian soltou uma risada baixa que logo se transformou em uma gargalhada gostosa e limpa. Dessa vez, ele riu com vontade, o peito vibrando sob a minha bochecha.
— Querida... Vamos deixar as suas roupas íntimas estritamente para os cuidados da máquina de lavar... — ele murmurou, me segurando pela cintura e me puxando com agilidade para cima do seu corpo musculoso. — ...porque em mim, a única coisa que eu quero que se esfregue é você.

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