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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 57

Capítulo 57 — Ciclos

Adrian Foley

Dizem que a morte faz parte do ciclo natural da vida, e eu racionalmente acredito nisso. Mas o fato de sabermos que ela um dia inevitavelmente vem para todos, não nos impede de sofrer, não diminui o baque e nem nos blinda contra a dor dilacerante da perda.

E ela dói... Como dói.

Eu tinha apenas onze anos de idade quando perdi meus pais em um atentado criminoso e passei a ser criado integralmente pelo meu avô. Mas o Theodore, que era meu padrinho e o melhor amigo de uma vida inteira do vovô, sempre esteve ativamente presente na minha trajetória por todos esses anos, suprindo lacunas que eu achava que nunca seriam preenchidas.

Nesse mesmo atentado do passado, o filho de Theodore e sua esposa, os pais da Natalie, também morreram. Ela tinha somente cinco anos na época. Fomos criados juntos, praticamente sob o mesmo teto, como irmãos de alma, e agora eu me via na terrível e dolorosa posição de precisar contar para ela que o seu avô... Já não estava mais entre nós.

Victoria ainda segurava as minhas duas mãos com firmeza, fitando o meu rosto com uma ternura que desarmava qualquer resquício da minha pose de gelo.

— Quer sentar um pouco, Adrian? Quer beber alguma coisa? — ela perguntou, a voz mansa.

Neguei com um aceno curto de cabeça, respirando fundo, e me virei na direção do meu melhor amigo.

— Vou ir direto até a mansão do meu avô, Henry. Já falei com o Wesley para que ele cuide pessoalmente do processo do retorno imediato da Natalie, enquanto você assume o controle e cuida de todos os trâmites do velório do meu padrinho por aqui.

— Ela já sabe? — Henry questionou, o semblante sério.

— Não. — respondi sentindo um aperto no peito. — Vou contar assim que ela desembarcar em São Francisco. Só preciso que você e o Wesley cuidem de tudo para mim agora, enquanto eu dou o suporte necessário para ela e para o vovô.

Henry assentiu prontamente e logo se retirou do recinto, deixando-me com a Victoria no hall.

— Quem é a Natalie? — ela perguntou em um tom de voz genuinamente curioso, embora acolhedor.

— Ela é a neta do Theodore. Nós crescemos juntos como família. Ela tem exatamente a sua idade — expliquei.

Ela apertou a minha mão de leve, oferecendo conforto.

— E onde ela está agora?

No mesmo instante, o meu pensamento viajou direto para a ligação telefônica que recebi dela ontem à noite, com aquele tom manhoso implorando para que eu a trouxesse de volta para casa. Voltei a encarar as íris castanhas da Victoria antes de responder:

— Em Tóquio. A família Weston tem uma filial importante de desenvolvimento lá, e ela foi para o Japão para se preparar tecnicamente antes de assumir o seu lugar de direito no comando da empresa.

Victoria deu um passo à frente, passou os braços finos ao redor da minha cintura e eu aceitei o seu abraço de imediato, enterrando o meu rosto no vão do seu pescoço.

— Eu sinto muito... De verdade, Adrian — ela sussurrou contra o meu peito.

Depositei um beijo terno no topo da cabeça dela, aspirando o perfume dos seus cabelos.

— Obrigado, querida.

Ficamos alguns minutos em silêncio ali naquele abraço, até que decidi que precisava ir o mais rápido possível para a mansão. Eu sentia que o meu avô precisava de mim.

Victoria e eu descemos pelo elevador até o subsolo, onde o motorista particular já nos aguardava de prontidão com o carro ligado. Seguimos todo o trajeto em um silêncio absoluto. Eu não tinha forças ou cabeça para conversar, e ela respeitou o meu espaço de forma admirável.

A mão dela não soltou a minha nem por um único segundo durante o percurso, e a sua cabeça repousou confortavelmente no meu ombro por todo o caminho.

Assim que o veículo estacionou em frente à imensa fachada da mansão Foley, ouvi Victoria soltar um gemido baixo de desconforto. Voltei o meu rosto para ela, preocupado.

— Está tudo bem, querida?

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