Capítulo 58 — Daqui... até a eternidade
Adrian Foley
Ajeitei o meu terno e fui direto ao encontro do meu avô. Eu não precisei perguntar a nenhum funcionário onde ele estava; eu o conhecia bem demais e sabia exatamente para onde os seus passos iam quando a tristeza extrema o atingia.
Atravessei os cômodos da propriedade, cruzei as portas de vidro do jardim dos fundos e caminhei a passos firmes até a área reservada onde ficavam as lápides de mármore dos meus pais e da minha avó.
Parei exatamente ao lado dele. Meu avô continuou encarando as inscrições na rocha e não disse absolutamente nada por alguns segundos longos e densos.
— Quando eu decidi fazer o home burial da sua avó aqui no jardim da propriedade, o Theo foi terminantemente contra na época — o velho Victor começou a falar, a voz trêmula pela idade e pelo choque. — Ele dizia com aquela empáfia dele que os mortos precisavam descansar estritamente com os mortos nos cemitérios, e que aqui, isolada neste jardim, ela ficaria solitária demais.
Soltei uma risada baixa e nasalada, pensando que aquilo era realmente algo que o meu padrinho diria sem o menor pudor. E meu avô continuou falando.
— Eu respondi bravo para ele no mesmo dia que a minha Lucy nunca ficaria sozinha, porque em breve eu mesmo faria companhia a ela. Foi exatamente o que eu pensei na época… — seu tom ficou mais baixo e ainda mais triste. — Pensei que eu não duraria muito tempo neste mundo sem a minha mulher. Mas então, tragicamente, dois anos depois, foram os seus pais que decidiram fazer companhia para a minha Lucy antes de mim. E hoje... Hoje foi a vez daquele cretino do Theo me deixar para trás.
Meu avô não resistiu mais à pressão da dor. Ele abaixou a cabeça e deixou que as lágrimas corressem livremente pelo seu rosto marcado pelo tempo.
— Nós tínhamos aquele almoço programado para este sábado, Adrian... Eu iria finalmente apresentar a Vic a ele formalmente, e iria obrigá-lo a assinar os papéis para trazer a Nat de volta de Tóquio.
Ele fechou os olhos por um segundo, e com a voz falhando ele continuou.
— O Theo estava tão feliz por você ter finalmente se casado e tomado rumo, já estava fazendo planos e piadas sobre o nascimento do nosso primeiro bisneto... Nós jogamos xadrez juntos no último domingo, e brigamos feio por causa do resultado daquela partida de futebol... — meu avô levantou os olhos vermelhos para me encarar de frente.
Engoli em seco, travando o maxilar com força, tentando com todas as minhas energias não desabar junto com ele ali no gramado.
— Eu enterrei a minha esposa, enterrei o meu único filho... E agora... Eu estou prestes a enterrar o irmão que a vida e o destino me deram, Adrian.
O velho Victor desabou de vez. O som do seu choro rasgava a minha alma de um jeito insuportável. Eu dei um passo à frente e o puxei para um abraço apertado, prendendo o corpo frágil do meu avô contra o meu peito, tentando de alguma forma arrancar de dentro dele aquela dor insuportável.
Eu estava sofrendo profundamente pela perda do Theodore, sim, mas eu tinha a plena consciência de que a dor do meu avô era exponencialmente maior que a minha.

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