Capítulo 65 — Promessas
Adrian Foley
Depois que meu avô seguiu o trajeto em direção à mansão. Caminhei devagar até a Victoria, que continuava a encarar as lápides em silêncio.
Parei logo atrás do seu corpo, envolvi os meus braços ao redor da sua cintura fina e colei as suas costas macias contra o meu peito largo, antes de depositar um beijo terno no seu ombro coberto pelo vestido preto.
— Como você está se sentindo hoje, Vic? — perguntei baixo.
Ela soltou o ar de forma lenta, relaxando o corpo contra o meu.
— Melhor...
Passei o meu nariz suavemente pelo pescoço dela, aspirando o perfume familiar da sua pele.
— Tem certeza absoluta disso? — Ela assentiu com um aceno curto de cabeça. — Então porque saiu daquele jeito da sala? — insisti.
— Não queria atrapalhar o seu momento com… — ela fez uma pausa como se buscasse as palavras ideais. — Com a sua amiga. — concluiu.
Sorri de lado, eu sabia que ela havia interpretado errado a minha relação com a Natalie.
— Com a minha irmã, você quer dizer.
— Irmã. — ela bufou e mesmo em meio a tudo que estava acontecendo, eu ri.
— Querida, você está com ciúmes da Natalie? — ela virou o rosto para me encarar, e seu olhar disse tudo. Passei o nariz no dela antes de falar. — Não precisa disso, a Natalie é minha irmã de alma, nunca tivemos um pelo outro qualquer sentimento que não seja esse. Confesso que eu a mimo demais, e talvez isso pareça ser outra coisa por não ter o mesmo sangue. — segurei seu queixo com firmeza. — Mas eu garanto, meu amor por ela é de irmão, Natalie é família, só isso.
Notei os seus olhos marejarem, e ela soltar o ar. Ela levou os lábios até os meus em um selinho, depois voltou a encarar as lápides.
Ficamos alguns minutos em silêncio até que eu o quebrei.
— Eu acabei ouvindo toda a sua conversa com o vovô Victor agora há pouco — revelei.
Victoria não me respondeu imediatamente, mantendo o olhar fixo no mármore.
— E eu acho uma excelente ideia.
Ela virou o rosto parcialmente por cima do ombro para me encarar de perto, o cenho levemente franzido.
— Você... Você não acha que é uma bobeira minha? Eles já estão... — ela parou de falar no meio da frase, visivelmente envergonhada com a própria vulnerabilidade diante de mim.
Desci os meus lábios até os dela, capturando a sua boca em um selinho demorado e carregado de carinho.
— Não acho bobeira nenhuma, Victoria. Afinal de contas, eu preciso urgentemente me apresentar de forma oficial aos meus sogros.
Ela soltou um riso sem graça com a minha fala e, aproveitando a deixa, eu a puxei para um beijo de verdade. Um beijo profundo, intenso e necessitado.
Victoria correspondeu na mesma intensidade, enlaçando os dedos na minha nuca e se entregando ao toque. Quando finalmente nos separamos por falta de ar, voltamos a nos virar de frente para a lápide dos meus pais.
Eu não costumava ter o hábito de conversar com eles como meu avô fazia; durante longos anos da minha vida, eu evitei ao máximo colocar os pés nesse jardim para não reviver o trauma.
Só que agora, com a Victoria aninhada de forma tão certa ao meu lado... Um desejo estranho, novo e absurdamente forte surgiu dentro do meu peito.
— Oi, pai... Oi, mãe... — comecei a falar em voz alta, a voz firme ecoando pelo silêncio do jardim.
Senti o corpo da Victoria reagir com uma pontada de surpresa imediata nos meus braços, mas ela não fez nenhuma menção de me interromper. Apenas prestou atenção.

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