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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 66

Capítulo 66 — O Lugar de Direito

Victoria Clark

O Adrian tinha toda a razão do mundo: ciúmes era, sem sombra de dúvidas, a palavra que melhor definia tudo o que eu havia sentido quando o flagrei abraçado com a Natalie na sala da mansão.

Mas, mesmo com esse sentimento chato, incômodo e insistente rastejando pela minha mente, havia outro muito maior que se sobressaía a qualquer insegurança: aquela paixão avassaladora, imensa e incontrolável que eu vinha sentindo por ele a cada novo dia.

Por isso, quando ele me encarou com os olhos tão vulneráveis e disse com aquela voz baixa e trêmula de menino assustado:

— Não solta a minha mão hoje, Victoria... Por favor — a minha resposta simplesmente não poderia ter sido outra, se não:

— Eu não solto, amor. Nem hoje, nem nunca.

Levei os meus lábios até os dele em um selinho demorado e reconfortante, selando a nossa promessa silenciosa debaixo das árvores. Logo em seguida, seguimos de mãos dadas, com os dedos firmemente entrelaçados, de volta para dentro da mansão.

Mas, no milésimo de segundo em que colocamos os pés no hall de entrada, a nossa bolha de intimidade estourou. O senhor Victor estava abraçado de lado com a Natalie, que ainda chorava baixo.

Assim que a loira nos avistou cruzar o batente, ela desfez o abraço com o tio e correu em direção ao Adrian, que precisou soltar a minha mão rapidamente para conseguir amparar o corpo dela com os dois braços.

Ainda firmemente abraçada a ele, Natalie virou o rosto na minha direção, revelando os olhos vermelhos e inchados pelo choro.

— Desculpe... Nós ainda não fomos devidamente apresentadas. Eu sou a Natalie.

Forcei o sorriso mais acolhedor e sincero que consegui reunir naquelas circunstâncias, controlando a minha postura.

— Prazer em conhecê-la, Natalie. Eu sou a Victoria... E eu sinto muitíssimo pela sua perda.

Ela murmurou um "obrigada" quase inaudível, mas não fez a menor menção de se soltar do abraço protetor do Adrian. Respirei fundo, forçando o ar a entrar nos meus pulmões, em uma tentativa desesperada de manter sob controle o turbilhão confuso de sentimentos que passava dentro do meu peito.

Wesley surgiu no hall logo em seguida, com uma postura solene, informando de forma baixa que os carros do cerimonial já estavam prontos na entrada. Ao olharmos para a disposição dos veículos na calçada, a conta da distribuição dos assentos simplesmente não batia de forma confortável.

Um carro comum permitia apenas três pessoas sentadas no banco traseiro, e nós éramos quatro, além do motorista e dos assistentes.

Assim que saímos da casa, o senhor Victor entrou com calma no primeiro veículo e Natalie o seguiu de imediato, acomodando-se ao lado dele. Fiquei parada por um breve instante na escada de mármore da entrada, observando o carro posicionado logo atrás, e comecei a caminhar silenciosamente na direção dele.

Ouvi o som de passos firmes e apressados se aproximando atrás de mim e, quando virei o rosto, vi que era o Adrian me seguindo. Soltei o ar, sentindo uma pontada de alívio aquecer o meu peito, mas a calmaria durou poucos segundos.

— Ade... — a voz melancólica da Natalie, parada junto à porta aberta do outro carro, chamou a atenção dele de volta.

Eu fui perfeitamente capaz de enxergar o brilho nítido de confusão e conflito interno que se instalou nos olhos azuis do meu marido. Mas eu não faria uma cena de ciúmes boba ali. Não agora, em um momento tão delicado, doloroso e solene como o funeral do padrinho dele.

Caminhei decidida até ele, fiquei na ponta dos pés para alcançar o seu rosto e lhe dei um selinho suave e reconfortante nos lábios.

— Pode ir com ela no primeiro carro, Adrian. A Natalie realmente precisa de você ao lado dela agora.

Ele colocou a mão grande no meu rosto, acariciando a minha pele, o olhar preocupado.

— Eu posso pedir ao Wesley que vá no carro de trás, Vic. Eu me sento no banco da frente ao lado do motorista, e você vai com ela e com o vovô atrás. Fica comigo.

Sorri de canto, balançando a cabeça de forma mansa.

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