Capítulo 67 — Auxílio e Entrega
Adrian Foley
Eu não queria de jeito nenhum ter deixado a Victoria ir sozinha naquele carro de apoio. Por mim, pela minha vontade mais egoísta e possessiva, ela estaria bem aqui, sentada ao meu lado.
Mas iniciar uma discussão ríspida, como nós dois costumávamos fazer com tanta frequência, em um momento delicado como esse e em um dia cinzento como o de hoje, simplesmente não era viável.
— Será que a Victoria vai ficar com raiva de mim por causa disso, Ade? — a voz mansa de Natalie chamou a minha atenção, quebrando o silêncio do trajeto.
Virei o rosto na direção dela e depositei um beijo suave em sua testa.
— E por que exatamente ela ficaria com raiva de você, princesa?
Nat encostou a cabeça de leve no meu ombro, soltando o ar de forma desanimada pelas narinas.
— Porque eu acabei trazendo você comigo no carro... Afastando você dela.
Antes que eu pudesse abrir a boca para formular qualquer resposta ou acalmar a insegurança dela, o meu avô tomou a frente e respondeu por mim, com a sua habitual voz firme e imponente.
— A Victoria é uma mulher deslumbrante, carinhosa e extremamente compreensiva, Natalie. Ela jamais alimentaria um sentimento mesquinho desses por você.
O velho Victor fez uma pausa intencional e girou o tronco no banco, encarando a minha irmã de consideração por alguns segundos longos e intensos antes de prosseguir.
— Hoje, diante de todas as circunstâncias trágicas do falecimento do Theodore, é perfeitamente compreensível que você queira a total atenção e o amparo do Adrian. Mas vale muito a pena lembrar que, agora, ele não é apenas mais o seu irmão de criação... Ele também é o marido legítimo da Victoria.
Natalie se encolheu sutilmente no estofado de couro, ainda agarrada ao tecido do meu terno.
— Eu sei disso, tio Victor...
Meu avô manteve os olhos fixos nos dela, sem suavizar a expressão de alerta.
— E que permaneça exatamente assim, Natalie. Você sabendo muito bem qual é o seu papel e o seu limite na vida dele.
Encarei o meu avô com uma pontada de irritação evidente no rosto. Eu sabia perfeitamente que a Natalie às vezes abusava do papel de protegida na minha vida, mas a verdade é que fui eu quem sempre permiti isso; fui eu quem deu todo esse aval e liberdade a ela ao longo dos anos.
— Não precisa dizer esse tipo de coisa para ela hoje, vovô — o repreendi em um tom baixo, pedindo trégua pelo dia difícil.
Meu avô, no entanto, não se abalou nem um pouco com a minha chamada de atenção.
— As coisas precisam ser ditas com clareza na hora certa, Adrian. E, para mim, este momento específico foi o ideal.
Ele simplesmente encerrou o assunto virando a sua atenção de volta para a janela, observando o movimento das ruas de São Francisco.
— Está tudo bem, Adrian... — Nat sussurrou bem perto do meu ouvido, e eu apenas a puxei um pouco mais para perto do meu peito, oferecendo silêncio.
Assim que os veículos estacionaram na Catedral, o meu avô decidiu prontamente que nós entraríamos pelas portas laterais da igreja, sem fazermos muito alarde ou barulho.
Ele queria que nós tivéssemos um momento íntimo e reservado com o meu padrinho Theodore antes de as grandes portas principais serem abertas para o fluxo do grande público, acionistas e imprensa.
Assim que passamos pelo batente da entrada lateral e pisamos no piso de pedra, o vovô e a Natalie seguiram a passos lentos na frente.
Eu simplesmente travei no lugar.

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