Capítulo 69 — Prometo
Adrian Foley
Meu peito ainda doía fisicamente com o peso do adeus, ou do até logo, seja lá como for, que finalmente havia sido dito ao meu padrinho diante daquele túmulo.
E, mesmo com toda a dor latente do luto e com a presença altamente desagradável do Avery rondando o cemitério, eu simplesmente não conseguia evitar me sentir o homem mais sortudo deste mundo.
Victoria estava completamente apaixonada por mim, assim como eu estava perdidamente apaixonado por ela.
Aproveitei cada segundo ao lado dela após a declaração no banco traseiro do carro, me esquecendo por completo de que Henry e o motorista estavam na cabine da frente.
Quando o veículo finalmente estacionou em frente à fachada de pedra da mansão, ela se afastou minimamente, sussurrando contra a minha boca.
— Amor, chegamos...
Aprofundei o beijo de imediato, ignorando o aviso, e só me separei dos seus lábios quando nós dois ficamos completamente sem ar.
— Eu sei... — avisei, deixando um último selinho carinhoso nela.
Abri a porta do carona e descemos de mãos dadas, caminhando a passos lentos em direção à entrada da mansão. Meu avô e Natalie já subiam os degraus da escadaria principal quando o ruído de um motor ecoou pela propriedade e outro veículo de luxo estacionou logo ao lado do meu.
Assim que a porta se abriu e se revelou a figura imponente que saía lá de dentro, apertei a mão da Vic com força, travando o meu maxilar.
— Adrian... — ela resmungou de leve pelo aperto, e eu a encarei com um semblante culpado.
— Sinto muito, amor... — me desculpei rapidamente, erguendo a sua mão e depositando um beijo terno ali.
Lucas Avery caminhou a passos calmos até nós na calçada, ostentando aquela sua habitual expressão polida.
— O seu avô me convidou para o almoço de recepção, Ade. Espero que a minha presença aqui hoje não seja um problema para você?
O encarei por alguns segundos longos e gélidos, sem dizer uma única palavra. Avery era um verdadeiro cretino. Usar o convite do meu avô e a minha dor pelo falecimento do Theodore para se infiltrar na minha casa novamente era baixo demais, mesmo para os padrões dele.
— Você sabe perfeitamente bem qual é a resposta para essa pergunta, Avery. Não se faça de desentendido agora, isso definitivamente nem combina com você.
Ele soltou o ar pesadamente, balançando a cabeça.
— Ade, cara... Isso tudo aconteceu há anos, e você nunca nem mesmo me deixou explicar...
Ergui a minha mão livre no ar, interrompendo a fala dele no mesmo milésimo de segundo.
— Não faz isso. Não venha tentar usar essa sua conversinha barata e ensaiada comigo de novo.
A minha voz acabou elevando-se um tom no jardim, chamando de imediato a atenção do meu avô e da Natalie lá na escadaria. Victoria apertou a minha mão de leve, buscando o meu olhar.
— Amor, por favor... Deixa esses problemas do passado de vocês de lado, pelo menos por hoje — ela pediu com a voz mansa, e eu notei a pontada nítida de decepção e surpresa nos olhos de Lucas ao ouvir a forma íntima e carinhosa como a minha mulher havia acabado de me chamar.

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