Capítulo 7 — O Preço da Verdade
Adrian Foley
Involuntariamente, meus dedos subiram até o meu maxilar direito. A pele ainda ardia onde os dedos daquela garota tinham se chocado contra o meu rosto. Ninguém nunca tinha ousado levantar a mão para mim em toda a minha vida. Ninguém.
Eu deveria estar cego de fúria, mas, enquanto eu cruzava o corredor do hospital em direção ao quarto do meu avô, a minha mente traidora insistia em retroceder para a noite anterior. Para a garçonete desastrada.
Eu passei a porra da noite inteira a observando caminhar por aquele bar imundo. Mesmo sem entender o motivo, meus olhos simplesmente se recusavam a focar em qualquer outra coisa que não fossem as curvas dela apertadas naquele espartilho ridículo, ou a forma como ela tentava manter o queixo erguido apesar dos olhares dos clientes. E depois, no beco...
Um calafrio incômodo percorreu minha espinha. Eu ainda conseguia sentir o gosto dos lábios dela. A entrega, o calor, a inocência genuína no momento em que confessou ser sua primeira vez. Lembrar do som da voz dela gemente, chamando o meu nome enquanto eu me perdia dentro dela sob a chuva, fez meu estômago contrair com uma intensidade perigosa.
Chega, Adrian, me repreendi mentalmente, apertando os punhos dentro dos bolsos do terno. Ela te drogou. Ela planejou tudo.
Entrei no quarto do meu avô e a preocupação por ele deu lugar a uma fúria que eu nem sabia ser possível sentir, e tudo só piorou quando a voz dele veio autoritária e decidida.
— A escolha é sua.
Segurei Victoria e a arrastei para fora. A encenação de garota orgulhosa recusando o meu cheque e me desferindo aquele tapa horas antes tinha feito sentido agora. O objetivo dela nunca foi um pedaço de papel. O plano era muito maior. Ela queria o império Foley.
Ela usou o meu avô, o encontrou convenientemente na rua para se passar por heroína e garantir uma aliança. Tudo de caso pensado.
Girei a maçaneta do quarto ao lado do meu avô e empurrei Victoria para dentro do espaço vazio, batendo a porta atrás de nós com força.
— Me solta, seu bruto! — ela esbravejou, puxando o braço com violência assim que eu a libertei. Os olhos castanhos dela faiscavam contra mim. — Quem você pensa que é para me arrastar assim?
— Eu sou o homem que você tentou passar para trás — dei um passo na direção dela, encurralando-a contra o espaço entre as camas vazias. — Mas o seu teatrinho de salvadora da pátria acaba aqui. Me diz, quanto tempo você passou arquitetando isso? Primeiro a bebida batizada no bar, depois o sexo, e agora o meu avô infartando na calçada? Você é mais brilhante do que eu imaginei.
— Você é completamente doente! — ela gritou, o peito subindo e descendo sob as roupas simples e amassadas. — Eu não sabia quem era o seu avô! Eu estava na rua quando ele passou mal!
— Economize fôlego. O meu avô pode estar vulnerável em uma cama de hospital, mas eu não estou. Você não vai conseguir um centavo da minha família.
Victoria deu um passo à frente, o rosto vermelho de fúria.
— Você é um monstro arrogante!
Ela ergueu a mão, o mesmo movimento rápido que tinha feito no hotel, pronta para estalar os dedos contra a minha outra bochecha. Mas dessa vez fui mais rápido. Segurei o pulso dela no ar antes do impacto e avancei, prensando o corpo dela contra a parede fria do quarto.
O silêncio caiu entre nós, quebrado apenas pelas nossas respirações aceleradas. Encarei os olhos castanhos dela, tão carregados de fúria que quase pareciam pegar fogo. Minha mão prendia o pulso dela acima da cabeça, e a proximidade súbita fez o cheiro dela me inundar novamente. Meus olhos desceram, inevitavelmente, para a sua boca entreaberta.
A noite passada passou como um flash violento pela minha mente. Senti um desejo absurdo, quase incontrolável, de calar os xingamentos dela com um beijo possessivo bem ali.
Que porra você está fazendo?, minha mente gritou, e o choque de realidade me fez recuar um passo, soltando-a como se ela queimasse.
Victoria ajeitou o casaco com as mãos trêmulas, mas não abaixou a cabeça. O olhar dela mudou de raiva para algo profundo, que parecia desprezo puro.
— Eu já te disse e vou repetir pela última vez: eu não coloquei nada na sua bebida. Mas eu errei ontem, e errei pra cacete. — os olhos dela estavam presos nos meus. — Sabe no que errei, Adrian babaca Foley? Em te ajudar. Deus como eu me arrependo. Me arrependo amargamente de ter parado naquele beco. Devia ter te deixado ali sozinho! — ela deu um passo para o lado antes de concluir. — Na verdade, eu me arrependo de ter cruzado o meu caminho com o seu.
Ela caminhou até a porta com passos firmes, segurou a maçaneta e, antes de girar, olhou por cima do ombro, cravando as últimas palavras em mim:
— E pode ficar tranquilo, Adrian Foley, eu não me casaria com você nem que você fosse o último homem na face da terra.
A porta bateu.
Fiquei estático no centro do quarto vazio. As palavras dela reverberavam dentro dos meus ouvidos, causando um nó estranho no meu peito. Arrependida? Ela se arrependeu de ter ficado comigo? Nenhuma mulher jamais tinha dito algo parecido para mim. Aquilo me irritou mais do que eu estava disposto a admitir. O ego que ela tinha quebrado no hotel agora estava estilhaçado.

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