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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 71

Capítulo 71 — Ruínas de um Tabuleiro

Lucas Avery

A primeira coisa que invadiu a minha mente assim que recebi a notícia devastadora do falecimento do Theodore Weston foi ele. Foi o Adrian.

Mesmo depois de todos esses anos de silêncio, hostilidade e distância, eu simplesmente não conseguia negar para mim mesmo o quanto aquele cara ainda era importante na minha vida, por mais que ele se recusasse terminantemente a acreditar nisso.

A cerimônia fúnebre na catedral de São Francisco era aberta ao público, assim como o sepultamento no cemitério, mas, conhecendo bem o gênio do meu antigo amigo, achei consideravelmente melhor não provocá-lo desnecessariamente com a minha aproximação.

Por isso, me mantive estrategicamente à distância durante todo o funeral, apenas observando de longe a sua dor que, porra... Era quase palpável no ar.

Adrian e eu crescemos juntos, grudados um ao outro desde os tempos do jardim de infância até a faculdade. Quer dizer, até o fatídico último ano de faculdade, quando um puta mal-entendido gigante nos afastou de vez e nos transformou, da noite para o dia, de melhores amigos a rivais declarados no mercado corporativo.

Passamos a competir ferozmente por tudo e para tudo; a nossa guerra de egos parecia interminável.

Mas, no fundo da minha alma, eu sabia que a culpa sempre foi inteiramente minha. Eu deixei a situação chegar àquele ponto crítico. Eu podia perfeitamente ter insistido na verdade na época, mas o meu orgulho idiota falou mais alto e eu acabei o deixando livre para pensar o que bem quisesse de mim.

"Se o pior é o que ele escolheu pensar a meu respeito, então eu vou dar motivos reais para ele me odiar" foi a frase amarga que repeti para mim mesmo como um mantra durante anos.

Confesso que achei uma puta piada de extremo mau gosto do destino fazer com que o Adrian se casasse justamente com a Victoria Clark, a única mulher que tem estado firmemente guardada no meu coração nos últimos anos. Mas o Lucas que cresceu ao lado dele, o garoto que prometeu no passado estar sempre ali para o que der e vier, esse cara estava feliz para caralho por saber que ele finalmente havia se dado uma chance real de ser feliz com alguém.

Mesmo que o casamento deles tenha começado puramente por conta de um contrato burocrático, eu via perfeitamente a forma intensa como ele a olhava, lia as suas reações protetoras e o assistia agora mesmo... No meio da dor da perda do padrinho, ele simplesmente ignorou a presença de todos e se retirou do almoço apenas para cuidar da "indisposição" dela.

O Adrian mudou de verdade. Eu também mudei. E o senhor Victor Foley está coberto de razão: chegou a hora de finalmente nos entendermos de uma vez por todas.

— Bom... Parece que o nosso dia de ajuste de contas finalmente chegou, Ade — falei em um tom de voz baixo, me sentindo incrivelmente pequeno diante da sua figura imponente e rígida.

Adrian se manteve estático, me fuzilando com as suas íris azuis.

— Não chegou, Lucas. Eu te garanto com total certeza que, se algum dia existiu qualquer chance mínima de nós nos entendermos nesta vida, essa chance passou. Ficou perdida lá atrás, junto com a nossa falecida amizade.

Dei um passo firme à frente no carpete, tentando quebrar a barreira dele.

— Você está mentindo para si mesmo e mentindo para mim, Adrian. Cara, nós éramos como irmãos de sangue. Uma conexão dessas simplesmente não acaba do nada, desse jeito.

Ele soltou uma risada curta, seca e totalmente desprovida de humor, balançando a cabeça.

— Irmãos? A única irmã que eu reconheço e protejo nesta vida é a Natalie. Ela sim respeita de verdade o que nós temos, a nossa história familiar e a nossa parceria. Agora você, Avery... Você cuspiu sem o menor pudor em tudo o que nós tínhamos no exato milésimo de segundo em que...

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