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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 72

Capítulo 72 — Confidências e Segredos

Victoria Clark

Preciso dizer que essa cólica estava começando a me tirar seriamente do sério. Isso já tinha passado de todos os limites da normalidade para um ciclo comum, mas eu não queria de jeito nenhum preocupar o Adrian com uma besteira dessas em um dia tão difícil para ele.

Então, aceitei sem reclamar ir para o quarto dele, tomar o remédio, beber o chá e descansar até que essa maldita dor decidisse me esquecer de vez.

Para a minha surpresa, Adrian teve que descer em seguida para ver o que o vovô queria com tanta urgência, e a Natalie, a moça que eu ainda estava decidindo na minha mente se era minha amiga ou minha inimiga (tá, tudo bem, talvez eu esteja exagerando um pouco no drama), enfim, para a minha total surpresa, a moça quis ficar ali me fazendo companhia.

E eu, claro, aceitei de bom grado.

— Maria, os seus chás realmente são divinos. — comentei, tomando o último gole do líquido quente que desceu aquecendo até a minha alma.

— Eu sempre digo isso para ela… — Natalie disse com um sorriso dócil, ajeitando-se na beirada do colchão.

— Fico muito feliz em saber que vocês gostam, minhas meninas. Agora, se me derem licença, vou descer para ver como andam as coisas lá embaixo — a governanta disse, e Natalie lhe deu um sorriso cúmplice antes de falar.

— Se nós não ouvimos gritos e nem coisas quebrando pelo corredor, Maria, significa que está tudo bem.

Maria apenas balançou a cabeça com um riso contido e saiu do quarto, fechando a porta e nos deixando finalmente sozinhas. Olhei para a loira ao meu lado.

— E por que haveria gritos lá embaixo? — perguntei genuinamente curiosa.

Natalie soltou o ar pelos lábios, o semblante ficando pensativo.

— O tio Victor ia obrigar o Lu e o Ade a se entenderem de uma vez por todas no escritório.

Lu? Era assim mesmo que ela chamava o Lucas? A minha curiosidade sobre o passado deles só aumentou com aquele apelido íntimo. Porque se a Natalie falava do Lucas com toda essa proximidade e carinho, a história do Adrian e do Lucas definitivamente não vinha apenas da época da faculdade; era de muito antes.

— Eu conheço o Lucas desde que me mudei para São Francisco, mas eu nunca o tinha visto com o Adrian antes, e muito menos o ouvi mencioná-lo alguma vez. Quando nós três nos encontramos por acaso na empresa, foi uma surpresa enorme para mim descobrir que eles se conheciam. — comentei.

Natalie se ajeitou melhor na cama, puxando as pernas para perto do corpo.

— Nós três crescemos juntos, na verdade. Eu vim um pouco depois… — ela deu um sorriso sem graça, o olhar vago. — Os meninos praticamente trocaram fraldas juntos. Eu só os conheci de verdade quando ambos tinham onze anos de idade, que foi exatamente quando… — ela fez uma pausa brusca, e os seus olhos verdes brilharam com uma dor antiga. — ...quando os meus pais e os pais do Ade morreram naquele atentado.

Por puro reflexo, estendi a mão e segurei os dedos dela sobre o lençol, notando o seu corpo enrijecer por um breve instante com o toque físico, antes de relaxar.

— Sinto muito, Nat... Eu também perdi os meus pais cedo demais. As únicas lembranças reais que eu tenho deles hoje são as que as fotos antigas contam, porque a minha memória mesmo, o meu cérebro, praticamente os apagou. — Senti o peso da minha própria confissão no peito. Era muito triste pensar na realidade daquelas minhas palavras, mas era a verdade.

— Sinto muito, Vic… — ela disse baixinho, e eu fui capaz de sentir uma verdade e uma empatia genuínas nas suas palavras.

— Tudo bem, já faz bastante tempo para ambas, né? — falei.

Natalie assentiu com a cabeça e virou o rosto ligeiramente para o lado. Notei uma lágrima solitária escorrer pela sua bochecha e a chamei com suavidade:

— Natalie...

Ela negou com a cabeça, tentando limpar o rosto rapidamente.

— Não, está tudo bem, Vic. É que pensando nos meus pais agora, eu acabei lembrando do vovô Theodore... E lembrei também de que agora eu não sou apenas órfã de pai e mãe. Eu estou completamente sozinha neste mundo...

Não pensei duas vezes. Me aproximei e a puxei para um abraço apertado.

Aquela era praticamente a primeira conversa real que nós duas estávamos tendo na vida; nós não nos conhecíamos de verdade e não éramos amigas ainda, mas, naquele milésimo de segundo, a dor dela de alguma forma encontrou eco dentro de mim e se tornou minha também.

— Conhecendo o meu marido como eu conheço, Nat, eu tenho a certeza absoluta de que ele ficaria simplesmente furioso ao ouvir você dizer que agora está sozinha. — murmurei contra o cabelo dela.

Natalie soltou um riso fraco entre as lágrimas e eu acabei fazendo o mesmo. Nos separamos do abraço, usei os dedos para secar o rosto dela e encarei as suas íris verdes.

— Você tem toda a razão, o Ade odeia quando eu digo essas coisas bobas. — ela comentou. Ela olhou discretamente para a porta do quarto, depois voltou a focar os olhos em mim. — Ele não me falou quase nada sobre você, Vic. Aconteceu tudo muito rápido, quando soube vocês dois já estavam casados, e nós não tivemos tempo de conversar direito sobre o assunto. Eu sei perfeitamente que foi o tio Victor quem te escolheu, mas o Ade me disse que vocês já se conheciam antes disso. Como se conheceram?

Sorri de canto ao lembrar do início desastroso de tudo.

​Capítulo 72 — Confidências e Segredos 1

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