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Cláusula Proibida: O Amor Nunca Fez Parte Do Acordo romance Capítulo 73

Capítulo 73 — Entre Laços e Segredos

Natalie Weston

Durante todo o cerimonial do vovô eu ouvi das pessoas o mesmo que ouvi no enterro dos meus pais:

"Isso não é um adeus, é apenas um até logo."

Mas a grande verdade é que ninguém, exatamente ninguém neste mundo, se deu ao trabalho de me perguntar se eu queria dizer "até logo" aos meus pais quando eu tinha apenas seis anos de idade.

E muito menos se eu estava minimamente preparada agora para dar esse mesmo "até logo" ao meu avô Theodore. Mas enfim... Aqui estou eu, em São Francisco, sendo obrigada pela realidade a fazer exatamente isso.

Eu amo o tio Victor. A Maria. O Wes. O Henry… mas… tê-los na minha vida, não é o mesmo que ter o vovô. Claro que eu ainda tenho o Adrian, que depois do vovô… é a outra metade do meu coração. Eu o amo além da vida.

Amor… a palavra parece pequena diante do sentimento que tenho por ele.

Será que por acaso existe no dicionário alguma palavra que represente algo muito maior do que o amor? Bem, se existir, é exatamente esse o sentimento que eu nutro pelo Adrian.

Conforme nós fomos crescendo juntos sob o mesmo teto, as pessoas ao redor sempre comentavam:

"Eles dois formam um belo casal".

Jesus... Isso sempre soou absurdamente nojento para mim. Porque, mesmo não compartilhando o mesmo sangue, o meu amor por ele sempre foi o mais puro e legítimo amor de irmão, assim como o dele por mim sempre foi o de um protetor.

Eu nunca, em toda a minha vida, seria capaz de olhar para o Adrian Foley com outros olhos que não fossem esses.

Eu sei perfeitamente que às vezes eu exagero um pouco nesse meu papel de "irmã mais nova manhosa", mas é porque o Adrian, depois do meu avô, foi o único que sempre esteve ativamente ao meu lado em todas as tempestades da minha vida.

Foi ele quem segurou a minha mão trêmula diante do caixão dos meus pais quando eu achava que o mundo ia desabar. Foi ele quem montava cabanas improvisadas com lençóis no chão do quarto porque eu me recusava a dormir na cama com medo do escuro.

O Adrian foi quem me ensinou pacientemente a andar de bicicleta, e quem foi me buscar correndo na escola quando a minha primeira menstruação chegou e eu entrei em pânico.

Todos na escola me achavam uma garota mimada demais e faziam questão de me evitar nas aulas; e, no meu primeiro baile no colégio, foi o meu irmão quem vestiu um terno e me levou de braços dados porque eu não tinha recebido um único convite.

Todos em São Francisco me olhavam com inveja e pensavam que carregar o sobrenome Weston já era um privilégio monumental por si só. Mas o que nenhum deles sabia era que... foi exatamente por sermos os Weston que os meus pais morreram naquele atentado político.

Em resumo: gostem as pessoas ou não, o Adrian Foley é o meu irmão de alma. E a opinião dele para mim importa mais do que qualquer outra coisa.

Importa tanto, na verdade, que eu faço questão de esconder dele, desde a minha adolescência, o fato de que sou completamente apaixonada pelo Lucas Avery.

Assim como o Adrian, o Lucas fez parte da minha vida desde que eu era muito pequena, e foi assim que ele sempre me enxergou: como a "pequena Nat". Mas quando eu completei dezoito anos e entrei na faculdade, tomei o meu primeiro porre na vida.

Com um pavor enorme de que o meu avô ou o Ade descobrissem o meu deslize, eu acabei ligando para o Lucas no meio da noite... E, naquele dia, munida de uma coragem falsa trazida pelo álcool, eu me inclinei e o beijei. E pra minha surpresa ele retribuiu, e com fervor, como se ele quisesse exatamente a mesma coisa que eu.

Só que no dia seguinte, ele me pediu com total delicadeza para que nós esquecêssemos aquele episódio e, morrendo de vergonha, eu coloquei toda a culpa na bebida e disse que estava tudo bem. Que era um assunto encerrado. Que mentira!

Um ano se passou depois do nosso beijo, era o último ano de faculdade dele e do Adrian, e o Lucas ainda estava solteiro e eu... Eu finalmente havia decidido que iria me declarar de verdade para ele.

O meu avô Theodore foi quem mais me incentivou na época, dizendo:

"O 'não' você já tem garantido, princesa. Agora, vá atrás e busque o 'sim'."

Mas, antes mesmo que eu pudesse criar a coragem necessária para falar com ele, estourou toda aquela terrível confusão e briga entre ele, o Adrian e a Diana...

E, entre a minha paixão platônica secreta e a lealdade ao meu irmão... A minha escolha sempre seria, em qualquer circunstância, o Adrian. Não importa o quanto isso me doesse por dentro.

Buscar o "sim" do Lucas significava causar uma dor insuportável na pessoa que cuidou de mim e me protegeu a vida inteira. E eu jamais faria isso com o Ade. Então, o Adrian nunca, sob hipótese alguma, pode sonhar que o Lucas Avery... É o grande amor da minha vida.

— Estou esperando uma resposta, Natalie — a voz grave do Adrian ecoou pelo quarto em um tom nítidamente irritado, cortando os meus devaneios.

Me levantei da cama de imediato e caminhei até onde ele estava parado junto à porta. Envolvi os meus braços ao redor da cintura dele, encarando a firmeza daqueles olhos azuis.

— Ai, Ade... Que coisa mais feia ficar ouvindo a conversa dos outros atrás da porta... — falei com o meu tom de voz mais manhoso. — E isso é coisa de menina, me deixa curtir esse momento de fofoca com a minha cunhada em paz...

Fiz exatamente a mesma expressão pidona que eu costumava fazer quando tinha apenas seis anos de idade. Eu sei, eu já sou uma mulher adulta e agir assim é totalmente ridículo... Mas a verdade é que sempre funciona com ele.

Ele estendeu os dedos e afastou com cuidado alguns fios loiros de cabelo que caíam sobre o meu rosto, soltando um suspiro.

— Natalie, para com isso. Você não tem mais seis anos de idade, e o assunto de vocês duas me parecia consideravelmente mais sério do que simples "coisas de meninas".

Bufei de frustração e girei o corpo na direção da Victoria, torcendo com todas as minhas forças para que ela entendesse a súplica silenciosa no meu olhar. Vic captou a mensagem no mesmo segundo e balançou a cabeça com um sorriso de canto.

— Amor, por favor, não seja tão curioso — ela interveio, me defendendo.

Eu ri, voltando a encará-lo:

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